Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Avança SP 2025
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg414121
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Programa de Infectologia Hospitalar
Um paciente de 35 anos é diagnosticado com infecção aguda pelo HIV após apresentar síndrome viral com febre, adenopatia e exantema maculopapular. Durante o pico da viremia na fase aguda, observa-se diminuição rápida dos linfócitos T CD4+ seguida de aumento dos linfócitos T CD8+. Considerando a fisiopatologia descrita no documento, qual a principal resposta imunológica responsável pelo controle inicial da viremia nesta fase:
AProdução de anticorpos neutralizantes IgG específicos contra glicoproteína gp120 viral.
BResposta imune celular citotóxica mediada por linfócitos T CD8+ antes do aparecimento de anticorpos.
CAtivação de macrófagos teciduais com fagocitose direta das partículas virais livres.
DResposta humoral primária com produção de anticorpos IgM inespecíficos contra antígeno p24.
ESequestro de partículas virais por células dendríticas nos linfonodos periféricos.
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GabaritoB — Resposta imune celular citotóxica mediada por linfócitos T CD8+ antes do aparecimento de anticorpos.
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Fisiopatologia da infecção aguda pelo HIV: o papel da imunidade celular
Gabarito: letra B. Na infecção aguda pelo HIV, o controle inicial da viremia é mediado pela resposta imune celular citotóxica, com expansão de linfócitos T CD8+ específicos contra o vírus, que ocorre antes do aparecimento de anticorpos neutralizantes. O próprio enunciado descreve o fenômeno: durante o pico da viremia, há diminuição rápida dos linfócitos T CD4+ seguida de aumento dos linfócitos T CD8+ — é essa expansão de CD8+ que promove a queda inicial da carga viral, semanas antes da soroconversão.
A infecção aguda pelo HIV (síndrome retroviral aguda) é um momento crítico da história natural da doença. Após a transmissão, o vírus replica-se intensamente nos tecidos linfoides, especialmente na mucosa intestinal, causando destruição maciça de linfócitos T CD4+. Essa depleção é quantificável no sangue periférico e coincide com o pico da viremia plasmática, que ocorre tipicamente entre 2 a 4 semanas após o contágio. É nesse cenário que o sistema imune inicia sua primeira grande batalha contra o vírus.
A resposta imune inicial é dominada pela imunidade celular. Clones de linfócitos T CD4+ e T CD8+ reagem aos antígenos do HIV, e os linfócitos T CD8+ citotóxicos (CTLs) tornam-se os principais efetores, destruindo as células infectadas e controlando a replicação viral. Essa resposta citotóxica é responsável pela queda da viremia que se observa após o pico, e sua importância é evidenciada pelo fato de que o controle da carga viral ocorre antes do aparecimento de anticorpos neutralizantes, que só surgem semanas depois. A resposta humoral, embora presente, é tardia e inicialmente ineficaz — os anticorpos produzidos na fase aguda são, em grande parte, não neutralizantes e não conseguem conter a disseminação viral.
A compreensão dessa sequência é fundamental para a prática clínica. O diagnóstico da infecção aguda é desafiador justamente porque os testes sorológicos convencionais (baseados em anticorpos) podem ser negativos na janela imunológica. Por isso, os testes de quarta geração, que detectam o antígeno p24, e a quantificação da carga viral (CV-HIV) são as ferramentas diagnósticas de escolha nessa fase. O reconhecimento precoce permite a introdução imediata da terapia antirretroviral (TARV), que preserva o sistema imune e previne a progressão para a doença.
A pegadinha central desta questão está na cronologia da resposta imune. O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa que menciona anticorpos, por associar imunidade a anticorpos. No entanto, na infecção aguda pelo HIV, a resposta celular citotóxica é o mecanismo que efetivamente controla a viremia inicial. A resposta humoral (produção de anticorpos) é uma consequência posterior, que ocorre após a queda da carga viral, e não o mecanismo responsável por essa queda. Guarde essa sequência: pico da viremia → expansão de CD8+ → controle da viremia → soroconversão (anticorpos). É exatamente essa ordem que separa a alternativa correta das demais.
1Pico da viremia
2Expansão de CD8+ citotóxicos
3Controle da viremia
4Soroconversão (anticorpos)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A produção de anticorpos neutralizantes IgG contra a gp120 é uma resposta imune humoral que ocorre tardiamente na infecção, geralmente semanas após o pico da viremia. Na fase aguda, os anticorpos produzidos são, em sua maioria, não neutralizantes e não são capazes de controlar a replicação viral. O controle inicial da viremia é mediado pela imunidade celular, não pela humoral. A alternativa erra ao atribuir à resposta humoral o papel de controle inicial, quando na verdade esse papel cabe aos linfócitos T CD8+ citotóxicos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A resposta imune celular citotóxica mediada por linfócitos T CD8+ é, de fato, a principal responsável pelo controle inicial da viremia na infecção aguda pelo HIV. O enunciado descreve exatamente esse fenômeno: durante o pico da viremia, observa-se diminuição rápida dos linfócitos T CD4+ seguida de aumento dos linfócitos T CD8+. Essa expansão de CD8+ específicos contra o HIV promove a lise das células infectadas e a queda da carga viral, antes do aparecimento de anticorpos. A alternativa está correta ao destacar a precedência temporal da resposta celular sobre a humoral.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ativação de macrófagos teciduais com fagocitose direta das partículas virais livres não é o mecanismo principal de controle da viremia na fase aguda. Embora os macrófagos participem da resposta imune inata e possam fagocitar partículas virais, seu papel é secundário e não explica a queda rápida da carga viral observada nessa fase. O controle efetivo é mediado pela imunidade celular adaptativa, especificamente pelos linfócitos T CD8+ citotóxicos. A alternativa confunde o papel da imunidade inata com o da imunidade adaptativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A resposta humoral primária com produção de anticorpos IgM inespecíficos contra o antígeno p24 não é o mecanismo de controle inicial da viremia. Os anticorpos IgM surgem na fase aguda, mas são inespecíficos e não neutralizantes, não sendo capazes de conter a replicação viral. Além disso, a resposta humoral é posterior à resposta celular. A alternativa erra ao atribuir à resposta humoral primária o papel de controle inicial, quando na verdade esse papel cabe aos linfócitos T CD8+ citotóxicos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O sequestro de partículas virais por células dendríticas nos linfonodos periféricos é um mecanismo da resposta imune inata que contribui para a apresentação de antígenos, mas não é o principal responsável pelo controle da viremia. As células dendríticas capturam o vírus e o apresentam aos linfócitos T, iniciando a resposta adaptativa, mas a eliminação efetiva das células infectadas é feita pelos linfócitos T CD8+ citotóxicos. A alternativa confunde o papel das células apresentadoras de antígenos com o dos efetores da resposta imune.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre imunidade humoral e celular. O candidato pode associar "controle de viremia" a "anticorpos", mas na infecção aguda pelo HIV a resposta celular citotóxica (CD8+) é o mecanismo que efetivamente controla a viremia, antes da soroconversão. A resposta humoral é tardia e inicialmente ineficaz. Lembre-se: a queda da carga viral precede o aparecimento de anticorpos.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre a fisiopatologia da infecção aguda pelo HIV, memorize a sequência temporal: pico da viremia → expansão de CD8+ → controle da viremia → soroconversão (anticorpos). Essa cronologia é a chave para distinguir a resposta celular da humoral. Na prova, se a alternativa mencionar anticorpos como mecanismo de controle inicial, desconfie — o controle inicial é sempre celular.