Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Avança SP 2025
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg414136
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Programa de Infectologia Hospitalar
Um médico é acionado para avaliar um técnico de enfermagem que sofreu uma exposição percutânea a sangue de um paciente com HIV conhecido, com carga viral indetectável. O acidente ocorreu há 6 horas. Defina a conduta médica imediata quanto à profilaxia para HIV:
AIniciar imediatamente a terapia antirretroviral com um esquema de três drogas.
BAgendar sorologia para HIV no dia seguinte e aguardar resultados.
CPrescrever esquema de duas drogas por 10 dias, com reavaliação.
DAdministrar dose única de imunoglobulina hiperimune para HIV.
EOrientar apenas sobre medidas de prevenção secundária sem medicamentos.
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GabaritoA — Iniciar imediatamente a terapia antirretroviral com um esquema de três drogas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Profilaxia pós-exposição (PEP) ao HIV em exposição ocupacional
Gabarito: letra A. Em exposição percutânea a sangue de paciente com HIV, mesmo com carga viral indetectável, a conduta imediata é iniciar a terapia antirretroviral com esquema de três drogas (TDF + 3TC + DTG), o mais precoce possível, idealmente até 2 horas e no máximo 72 horas após a exposição. A carga viral indetectável reduz drasticamente o risco, mas não o elimina por completo, e a PEP continua indicada nesse cenário, conforme os protocolos do Ministério da Saúde.
A profilaxia pós-exposição (PEP) é uma medida de prevenção de urgência que consiste no uso de medicamentos antirretrovirais após uma situação de potencial exposição ao HIV, com o objetivo de impedir a infecção. O fundamento é impedir a replicação viral precoce e o estabelecimento da infecção nos linfócitos e macrófagos. Para ser eficaz, deve ser iniciada o quanto antes — o ideal é nas primeiras 2 horas — e o limite máximo aceito é de 72 horas após a exposição. O esquema recomendado atualmente é a combinação de três drogas: tenofovir (TDF), lamivudina (3TC) e dolutegravir (DTG), mantido por 28 dias consecutivos.
A avaliação para indicar a PEP segue quatro perguntas essenciais: (1) o material biológico é de risco (sangue, sêmen, fluidos vaginais, líquidos de serosas, líquido amniótico, líquor)? (2) o tipo de exposição é de risco (percutânea, mucosa, pele não íntegra, mordedura com sangue)? (3) o tempo desde a exposição é menor que 72 horas? (4) a pessoa exposta é não reagente para HIV no momento do atendimento? Se todas as respostas forem SIM, a PEP está indicada. No caso do enunciado, a exposição percutânea a sangue é claramente de risco, o acidente ocorreu há 6 horas (dentro do prazo) e o profissional é presumidamente não reagente — logo, a PEP é obrigatória.
Um ponto crucial é o conceito de indetectável = intransmissível (I = I): pessoas vivendo com HIV em tratamento regular e com carga viral indetectável há pelo menos 6 meses não transmitem o vírus por via sexual. No entanto, para exposição ocupacional, a recomendação atual do Ministério da Saúde é manter a indicação da PEP mesmo quando a fonte tem carga viral indetectável, pois o risco, embora mínimo, não é zero — há relatos raros de transmissão, e a segurança do profissional deve ser priorizada. A decisão deve ser compartilhada com o profissional exposto, mas a conduta padrão é iniciar a PEP.
A banca explora exatamente essa sutileza: o candidato pode pensar que, com carga viral indetectável, não há necessidade de profilaxia. Mas o protocolo brasileiro é claro: a PEP está indicada em exposição de risco, independentemente da carga viral da fonte, desde que dentro de 72 horas. Guarde isso: exposição de risco + tempo < 72h + pessoa exposta não reagente = PEP indicada, mesmo com fonte indetectável.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta imediata é iniciar a terapia antirretroviral com esquema de três drogas. O protocolo do Ministério da Saúde recomenda TDF + 3TC + DTG, iniciado o mais rápido possível (idealmente até 2 horas, máximo 72 horas), por 28 dias. A exposição percutânea a sangue é de alto risco, e o fato de a carga viral ser indetectável não contraindica a PEP — o risco é mínimo, mas a profilaxia ainda é recomendada. A alternativa espelha exatamente a conduta correta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Agendar sorologia para o dia seguinte e aguardar resultados é conduta inadequada. A PEP é uma urgência: cada hora de atraso reduz a eficácia. O teste de HIV na pessoa exposta deve ser feito no momento do atendimento (para confirmar que é não reagente), mas não se deve aguardar resultados para iniciar a profilaxia. A sorologia de seguimento é feita depois, para monitorar, não para decidir o início.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Prescrever esquema de duas drogas por 10 dias está errado em dois pontos: o esquema atual é de três drogas (TDF + 3TC + DTG), e a duração é de 28 dias, não 10. O esquema de duas drogas era usado em protocolos antigos, mas foi substituído. A reavaliação em 10 dias não substitui o ciclo completo de 4 semanas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Não existe imunoglobulina hiperimune para HIV. Diferentemente de outras infecções (como hepatite B, em que se usa imunoglobulina específica), para o HIV a prevenção é exclusivamente medicamentosa, com antirretrovirais. A alternativa inventa uma intervenção que não faz parte do arsenal terapêutico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Orientar apenas medidas de prevenção secundária, sem medicamentos, é conduta negligente. A exposição percutânea a sangue é de risco, e a PEP está indicada. Não se pode deixar de prescrever os antirretrovirais nesse cenário. Medidas de prevenção secundária (como evitar novas exposições) são complementares, não substitutas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato acreditar que carga viral indetectável elimina a necessidade de PEP. Mas o protocolo brasileiro mantém a indicação da PEP em exposição ocupacional de risco, mesmo com fonte indetectável. O risco é mínimo, mas não zero — e a conduta padrão é iniciar a profilaxia. Não caia nessa: exposição de risco + tempo < 72h = PEP indicada, independentemente da carga viral da fonte.
NÃO CAIA NESSA!
Para questões de PEP, memorize os quatro passos: (1) material de risco? (2) exposição de risco? (3) menos de 72 horas? (4) pessoa exposta não reagente? Se todos SIM, PEP indicada. E lembre: esquema com três drogas (TDF + 3TC + DTG) por 28 dias. Esses são os números que a banca adora trocar.