Definição de caso de aids em adultos para vigilância epidemiológica
Gabarito: letra B. Para fins de vigilância epidemiológica da aids em adultos (≥ 13 anos), a definição de caso exige evidência laboratorial de infecção pelo HIV associada a contagem de linfócitos T CD4+ < 350 células/mm³ OU presença de doença definidora de aids — critério do Ministério da Saúde (Guia de Vigilância em Saúde). A alternativa B reproduz exatamente esse binômio: imunodeficiência (CD4 < 350) ou doença definidora.
A definição de caso de aids para vigilância epidemiológica é um conceito operacional, distinto do diagnóstico de infecção pelo HIV. Enquanto o diagnóstico de HIV se baseia em testes laboratoriais (imunológicos ou moleculares), a definição de caso de aids exige, além da confirmação da infecção, um critério de imunodeficiência ou a presença de doenças definidoras. No Brasil, o Ministério da Saúde adota, para adultos, o critério de CD4 < 350 células/mm³ como marcador de imunodeficiência significativa, independentemente da presença de sintomas. Esse valor é mais sensível que o antigo critério de CD4 < 200, permitindo captar casos mais precocemente e alinhando-se à recomendação de iniciar terapia antirretroviral (TARV) independentemente da contagem de CD4.
A doença definidora de aids é um conjunto de condições clínicas que, na presença de infecção pelo HIV, caracterizam o estágio avançado da doença — por exemplo, pneumocistose, toxoplasmose cerebral, sarcoma de Kaposi, candidíase esofágica, tuberculose extrapulmonar, entre outras. A presença de qualquer uma dessas condições, mesmo com CD4 acima de 350, configura aids para fins de vigilância. Assim, o critério é alternativo: basta um dos dois (CD4 < 350 OU doença definidora).
Na prática, um paciente com HIV e CD4 de 300 células/mm³, assintomático, já é caso de aids para vigilância; da mesma forma, um paciente com CD4 de 400 e sarcoma de Kaposi também é caso. Essa lógica binária é o que a alternativa B captura. As demais alternativas erram ao exigir combinações indevidas, valores incorretos ou sintomas inespecíficos.
A pegadinha clássica da banca é confundir o critério de vigilância (CD4 < 350) com o critério de imunodeficiência grave (CD4 < 200, usado para definir risco de infecções oportunistas e indicar profilaxias) ou com o critério de início de TARV (que hoje é universal, independente de CD4). Guarde a fronteira: vigilância epidemiológica usa 350; profilaxia para pneumocistose usa 200; TARV não depende de CD4. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Apresentar resultado de exame laboratorial confirmatório para infecção pelo HIV é o critério para diagnóstico da infecção pelo HIV, não para definição de caso de aids. A infecção pelo HIV pode existir sem aids; a aids é o estágio avançado, caracterizado por imunodeficiência ou doença definidora. A alternativa confunde o diagnóstico da infecção com a definição de caso de aids.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reproduz o critério oficial: contagem de linfócitos T CD4+ < 350 células/mm³ ou evidência de doença definidora de aids, sempre associada à confirmação laboratorial da infecção pelo HIV. É o binômio imunológico-clínico adotado pelo Ministério da Saúde para vigilância em adultos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra ao condicionar a doença definidora a CD4 < 200. A doença definidora, por si só, já configura aids, independentemente da contagem de CD4. O valor de 200 é usado como critério de imunodeficiência grave para profilaxias de infecções oportunistas, não para definição de caso de aids. A alternativa inverte a lógica: a doença definidora é critério autônomo, não dependente do CD4.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Exige CD4 < 500 E carga viral detectável. O valor de 500 não é critério de aids; é o limiar acima do qual, em pacientes assintomáticos em TARV com carga viral indetectável, o monitoramento de CD4 pode ser suspenso. Além disso, a carga viral detectável é usada para monitorar eficácia da TARV, não para definir aids. A alternativa combina dois parâmetros com finalidades distintas e valores incorretos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Descreve a síndrome retroviral aguda (febre, linfadenopatia, exantema), que ocorre na infecção aguda pelo HIV, mas não define aids. A sorologia positiva confirma a infecção, não o estágio de aids. A alternativa confunde a manifestação clínica da primoinfecção com a definição de caso de aids.
Gabarito: letra B