Questão de Medicina — Epidemiologia — Avança SP 2025
Medicina›Epidemiologia
Código
qg414144
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Programa de Infectologia Hospitalar
Um homem de 35 anos é notificado com diagnóstico de tuberculose pulmonar confirmada por teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB) positivo. A investigação epidemiológica identifica 8 contatos domiciliares, sendo 2 crianças menores de 5 anos, 1 pessoa vivendo com HIV com contagem de CD4 inferior a 200 células/μL e 5 adultos imunocompetentes. Segundo as recomendações de vigilância epidemiológica, qual é a ação prioritária quanto aos contatos identificados?
AExaminar todos os contatos com baciloscopia de escarro, independente de sintomas apresentados.
BMonitorar os contatos por 12 meses, sem necessidade de investigação inicial se assintomáticos.
CPriorizar crianças menores de 5 anos e PVHA para investigação de tuberculose ativa e infecção latente.
DNotificar apenas os contatos que apresentarem sintomas respiratórios compatíveis.
EDispensar a investigação de contatos, pois o paciente já foi iniciado no tratamento.
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GabaritoC — Priorizar crianças menores de 5 anos e PVHA para investigação de tuberculose ativa e infecção latente.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Investigação de contatos de tuberculose: priorização de grupos vulneráveis
Gabarito: letra C. A ação prioritária na investigação de contatos de um caso de tuberculose pulmonar é priorizar os grupos de maior risco de adoecimento, como crianças menores de 5 anos e pessoas vivendo com HIV (PVHIV), para investigação de tuberculose ativa e infecção latente (ILTB). Essa priorização está alinhada às recomendações do Ministério da Saúde, que destacam a necessidade de examinar todos os contatos, mas com atenção especial a esses grupos vulneráveis.
A investigação de contatos é uma das principais estratégias de controle da tuberculose, pois permite identificar precocemente novos casos (quebrando a cadeia de transmissão) e tratar a infecção latente, prevenindo o adoecimento futuro. O conceito de "contato" abrange toda pessoa que convive no mesmo ambiente com o caso-índice no momento do diagnóstico, seja em casa, no trabalho, na escola ou em instituições.
A recomendação central é que todos os contatos sejam examinados, independentemente da forma clínica do caso-índice. No entanto, a priorização é fundamental: crianças menores de 5 anos, PVHIV, gestantes e pessoas com condições de risco para adoecimento por TB devem ser avaliadas com maior urgência. Isso ocorre porque esses grupos têm maior probabilidade de desenvolver a forma ativa da doença após a infecção, e a progressão pode ser mais rápida e grave.
Na prática, a avaliação de um contato envolve anamnese, exame físico e exames complementares. Para contatos sintomáticos respiratórios, a investigação de TB ativa é imediata, com exame de escarro (baciloscopia ou TRM-TB) e radiografia de tórax. Para contatos assintomáticos, a investigação de ILTB é feita por meio da prova tuberculínica (PT) e/ou radiografia de tórax, com indicação de tratamento da ILTB quando necessário. Um ponto crucial é que PVHIV assintomáticas devem realizar o tratamento da ILTB independentemente do resultado da PT, especialmente se a contagem de CD4 for baixa.
A banca explora a confusão entre "examinar todos" e "priorizar grupos de risco". A alternativa correta não exclui a investigação dos demais contatos, mas destaca a prioridade para os mais vulneráveis. As alternativas incorretas ou restringem a investigação a um único exame, ou a um grupo específico, ou ainda a dispensam completamente, contrariando as diretrizes de vigilância.
Guarde o critério decisivo: a investigação de contatos é universal, mas a priorização recai sobre crianças < 5 anos, PVHIV, gestantes e imunocomprometidos. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A baciloscopia de escarro é um exame importante, mas não é o único nem o primeiro passo para todos os contatos. A investigação inicial deve incluir anamnese, exame físico e, conforme o caso, PT e radiografia de tórax. A baciloscopia é indicada para contatos sintomáticos respiratórios, não para todos indiscriminadamente. Além disso, crianças pequenas muitas vezes não produzem escarro, o que torna essa conduta inadequada para elas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Monitorar por 12 meses sem investigação inicial contraria a recomendação de que todos os contatos sejam examinados no momento da identificação. A investigação inicial é essencial para detectar TB ativa e ILTB precocemente. O monitoramento por 12 meses pode ser parte do seguimento, mas não substitui a avaliação inicial, especialmente em grupos de risco como crianças e PVHIV.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa reflete exatamente a priorização recomendada. Crianças menores de 5 anos e PVHIV são os grupos com maior risco de adoecimento após a infecção, e a investigação de TB ativa e ILTB deve ser priorizada para eles. A recomendação do Ministério da Saúde é clara: "Recomenda-se que todos os contatos de indivíduos com TB pulmonar ou laríngea sejam examinados, independentemente da forma clínica, sobretudo crianças com idade < 5 anos, PVHIVs, indivíduos que apresentam alguma condição de risco para adoecimento por TB e gestantes". A priorização não exclui os demais contatos, mas garante que os mais vulneráveis sejam avaliados com urgência.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Notificar apenas os contatos sintomáticos é uma conduta incompleta e perigosa. A investigação deve incluir também os contatos assintomáticos, pois a ILTB é assintomática por definição, e o tratamento dessa condição é fundamental para prevenir o adoecimento futuro. Além disso, a notificação é um procedimento de vigilância que se aplica aos casos de TB ativa, não aos contatos em si.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Dispensar a investigação de contatos é um erro grave. O início do tratamento do caso-índice não elimina a necessidade de investigar os contatos, que podem já estar infectados ou doentes. A investigação de contatos é uma medida de saúde pública essencial para o controle da tuberculose, independentemente do status de tratamento do caso-índice.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato com a ideia de que "examinar todos" significa fazer o mesmo exame para todos (alternativa A) ou que a priorização exclui os demais contatos. A pegadinha está em não perceber que a priorização é uma estratégia de organização, não uma exclusão. O correto é examinar todos, mas com prioridade para os grupos de risco.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de investigação de contatos, lembre-se da regra: todos são examinados, mas a prioridade é para crianças < 5 anos, PVHIV, gestantes e imunocomprometidos. Essa hierarquia é o ponto central que a banca costuma cobrar.