Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Avança SP 2025
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg414148
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Programa de Infectologia Hospitalar
Segundo o Guia de Vigilância em Saúde, os geohelmintos que causam maior carga de morbidade e para os quais existem técnicas de diagnóstico e medidas de controle comprovadamente viáveis são:
AStrongyloides stercoralis, Enterobius vermicularis e Taenia saginata.
BAscaris lumbricoides, Trichuris trichiura e ancilostomídeos.
CHymenolepis nana, Giardia lamblia e Entamoeba histolytica.
DSchistosoma mansoni, Wuchereria bancrofti e Onchocerca volvulus.
EToxocara canis, Trichinella spiralis e Diphyllobothrium latum.
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GabaritoB — Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura e ancilostomídeos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Geo-helmintíases de maior carga de morbidade
Gabarito: letra B. Segundo o Guia de Vigilância em Saúde, os geo-helmintos que causam maior carga de morbidade e para os quais existem técnicas de diagnóstico e medidas de controle comprovadamente viáveis são Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura e ancilostomídeos (Necator americanus e Ancylostoma duodenale). Essa é a tríade clássica das helmintíases transmitidas pelo solo, com diagnóstico por exame parasitológico de fezes e tratamento com benzimidazóis (albendazol/mebendazol).
Geo-helmintíases são infecções causadas por helmintos (vermes) cujo ciclo de vida depende do solo contaminado com ovos ou larvas — daí o nome "geo" (terra). A transmissão ocorre por ingestão de ovos (Ascaris, Trichuris) ou por penetração ativa de larvas pela pele (ancilostomídeos). Esses parasitas são os mais prevalentes em regiões tropicais e subtropicais, especialmente em áreas com saneamento básico precário, e afetam desproporcionalmente crianças em idade escolar.
A carga de morbidade dessas três infecções é enorme: a ascaridíase pode causar obstrução intestinal e biliar em infecções maciças; a tricuríase está associada a diarreia crônica, anemia e até prolapso retal em crianças com alta carga parasitária; e a ancilostomíase é causa clássica de anemia ferropriva crônica por perda sanguínea intestinal. O impacto no crescimento, no desenvolvimento cognitivo e na resposta imune é bem documentado.
O que torna esses três geo-helmintos alvo prioritário de vigilância é a viabilidade comprovada de diagnóstico e controle: o diagnóstico é simples (exame parasitológico de fezes para pesquisa de ovos), o tratamento é eficaz e barato (albendazol ou mebendazol em dose única), e as medidas de controle (saneamento, higiene, tratamento em massa em escolares) têm eficácia demonstrada. É exatamente esse critério — "maior carga de morbidade" + "técnicas viáveis" — que a questão cobra.
A pegadinha central está em distinguir os geo-helmintos (transmitidos pelo solo) de outros parasitas que também causam doenças importantes, mas que não se enquadram nessa definição: protozoários (Giardia, Entamoeba), helmintos transmitidos por vetores (Schistosoma, Wuchereria, Onchocerca), cestódeos de transmissão alimentar (Taenia, Diphyllobothrium) ou parasitas de ciclo zoonótico (Toxocara, Trichinella). Guarde essa fronteira: geo-helminto = ciclo no solo + transmissão fecal-oral ou percutânea + diagnóstico por exame de fezes.
Geo-helmintos de maior morbidade: Ascaris lumbricoides (Ingestão de ovos, Obstrução intestinal/biliar); Trichuris trichiura (Ingestão de ovos, Diarreia crônica, anemia); Ancilostomídeos (Penetração pela pele, Anemia ferropriva); Controle viável (Diagnóstico: exame de fezes, Tratamento: benzimidazóis)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Inclui Strongyloides stercoralis, que é um geo-helminto, mas Enterobius vermicularis (oxiúro) e Taenia saginata (tênia) não são geo-helmintos. O Enterobius tem transmissão direta pessoa a pessoa (fômites, autoinfecção), sem ciclo no solo; a Taenia é um cestódeo transmitido pela ingestão de carne bovina malcozida (cisticercose), não pelo solo. Além disso, o Strongyloides, embora seja geo-helminto, não está entre os três de maior carga de morbidade com controle viável — seu diagnóstico é mais complexo (pesquisa de larvas, não ovos) e o tratamento (ivermectina) é distinto.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Exatamente a tríade clássica: Ascaris lumbricoides (lombriga), Trichuris trichiura (tricocéfalo) e ancilostomídeos (Ancylostoma duodenale e Necator americanus). São os geo-helmintos de maior prevalência e morbidade no mundo, com diagnóstico por exame de fezes (pesquisa de ovos) e tratamento com benzimidazóis (albendazol 400 mg dose única ou mebendazol). O Guia de Vigilância em Saúde os destaca como prioridade por terem medidas de controle comprovadamente eficazes (tratamento em massa, saneamento, educação em saúde).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Lista Hymenolepis nana (cestódeo), Giardia lamblia e Entamoeba histolytica (protozoários). Nenhum deles é helminto — Giardia e Entamoeba são protozoários, e Hymenolepis, embora seja helminto, é um cestódeo de transmissão fecal-oral direta (não tem ciclo no solo obrigatório). A questão pede especificamente geo-helmintos, o que exclui protozoários e cestódeos de transmissão direta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Traz Schistosoma mansoni (trematódeo transmitido por caramujos — vetor), Wuchereria bancrofti (filária transmitida por mosquitos) e Onchocerca volvulus (filária transmitida por Simuliidae). São helmintos, mas não são geo-helmintos: seu ciclo depende de hospedeiros intermediários (caramujos, mosquitos), não do solo. Além disso, o diagnóstico não é por exame de fezes (no caso das filárias, é por exame de sangue ou biópsia), e as medidas de controle envolvem combate ao vetor, não apenas tratamento em massa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Inclui Toxocara canis (geo-helminto de cães, mas zoonose — o homem é hospedeiro acidental, não há transmissão inter-humana), Trichinella spiralis (transmitida por ingestão de carne crua/malpassada, não pelo solo) e Diphyllobothrium latum (cestódeo transmitido por peixe cru). Nenhum deles se enquadra no critério de geo-helmintos de maior carga de morbidade com controle viável em saúde pública humana.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura parasitas de diferentes categorias para confundir. O candidato que decora nomes de parasitas sem entender o critério de classificação (geo-helminto × protozoário × vetor × zoonose) cai fácil. A chave é: geo-helminto = ciclo no solo + transmissão fecal-oral ou percutânea + diagnóstico por exame de fezes. Strongyloides é geo-helminto, mas não está entre os três de maior morbidade com controle viável — essa é a armadilha da alternativa A.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte um quadro mental: geo-helmintos de importância em saúde pública = Ascaris, Trichuris, ancilostomídeos (e Strongyloides, com ressalvas). Protozoários intestinais = Giardia, Entamoeba. Helmintos transmitidos por vetores = Schistosoma (caramujo), Wuchereria/Onchocerca (mosquito). Cestódeos alimentares = Taenia (carne), Diphyllobothrium (peixe). Zoonoses = Toxocara, Trichinella. Essa classificação resolve 90% das questões sobre parasitoses intestinais.