Questão de Medicina — Epidemiologia — Avança SP 2025
Medicina›Epidemiologia
Código
qg414154
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Programa de Infectologia Hospitalar
Em surto comunitário de exantema febril, a vigilância identifica casos compatíveis com sarampo e precisa orientar isolamento domiciliar conforme a janela de maior risco de transmissão. Assinale a alternativa que descreve corretamente o período de transmissibilidade do sarampo para fins de controle de contatos:
ADo início da febre até 7 dias após o desaparecimento do exantema.
BDe 6 dias antes do exantema até 4 dias após seu aparecimento.
CDo primeiro dia de exantema até 10 dias após a tosse cessar.
DDas primeiras 48 horas de sintomas respiratórios até 3 dias após o exantema.
EApenas nas 24 horas anteriores ao exantema e 24 horas seguintes.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — De 6 dias antes do exantema até 4 dias após seu aparecimento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Período de transmissibilidade do sarampo
Gabarito: letra B. O período de transmissibilidade do sarampo compreende de 4 a 6 dias antes do aparecimento do exantema até 4 dias após o seu início, sendo o período de maior transmissibilidade cerca de 2 dias antes do exantema (período prodrômico). Essa é a janela utilizada para orientar o isolamento domiciliar e o controle de contatos, conforme as diretrizes de vigilância epidemiológica.
O sarampo é uma doença febril exantemática aguda, altamente infecciosa, de etiologia viral (gênero Morbillivirus, família Paramyxoviridae), transmitida por via respiratória, por meio de gotículas ou aerossóis. O vírus é tão contagioso que causa doença em 75 a 90% dos contatos domiciliares suscetíveis. Por isso, o conhecimento exato da janela de transmissibilidade é a base das medidas de controle: é nesse período que o paciente deve ser isolado, que os comunicantes devem ser identificados e que a profilaxia pós-exposição (vacina em até 72 horas ou imunoglobulina em até 6 dias) deve ser administrada.
A transmissão ocorre antes mesmo do surgimento dos sintomas, o que torna o sarampo particularmente difícil de conter. O paciente pode transmitir o vírus entre 4 e 6 dias antes do aparecimento do exantema (e 1 a 2 dias antes dos pródromos) até 4 dias depois do início do exantema. O pico de transmissibilidade ocorre no período prodrômico, cerca de 2 dias antes do exantema, quando o paciente ainda não apresenta a erupção cutânea característica, mas já tem febre, tosse, coriza e conjuntivite — os chamados "três Cs" (cough, coryza, conjunctivitis).
Na prática, a orientação de isolamento domiciliar para pacientes não internados é: evitar trabalho, escola, creches e aglomerações até 4 dias após o início do exantema, além de evitar contato com populações de risco (crianças menores de 5 anos, gestantes e imunossuprimidos). Em instituições de saúde, são indicadas precauções padrão e isolamento respiratório para aerossóis (uso de máscara N95) por 4 dias após o início do exantema. O afastamento de comunicantes suscetíveis (profissionais de saúde não vacinados) deve ocorrer do 5º dia após a primeira exposição ao 21º dia após a última exposição.
A pegadinha central desta questão é a confusão entre o período de transmissibilidade e outros marcos da doença, como o período de incubação (em média 10 a 14 dias, variando de 7 a 21 dias), o período prodrômico (2 a 4 dias) e a duração da tosse (que pode persistir por 1 a 2 semanas). As alternativas distratoras misturam esses períodos, trocando os dias antes e depois do exantema ou usando como referência sintomas que não delimitam a transmissibilidade. Guarde o par "4-6 dias antes até 4 dias depois do exantema" — é exatamente essa a janela que separa a alternativa correta das demais.
7-21 diasIncubação
2-4 diasPródromo
4-6 dias antesInício transmissão
ExantemaPico transmissão
4 dias apósFim transmissão
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a transmissibilidade vai do início da febre até 7 dias após o desaparecimento do exantema. Erro duplo: (1) a transmissão começa antes da febre, no período prodrômico (4 a 6 dias antes do exantema), e não no início da febre; (2) o período de transmissão termina 4 dias após o início do exantema, não 7 dias após o seu desaparecimento. A febre pode persistir por até 4 dias após o início do exantema, mas a transmissibilidade não se estende até o desaparecimento da erupção.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve exatamente o período de transmissibilidade do sarampo: de 6 dias antes do exantema até 4 dias após seu aparecimento. A literatura e os guias de vigilância citam a janela de 4 a 6 dias antes do exantema até 4 dias depois, sendo o período de maior transmissibilidade cerca de 2 dias antes do exantema. A alternativa B está dentro dessa faixa e é a única que reflete corretamente a janela de maior risco de transmissão para fins de isolamento e controle de contatos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a transmissibilidade vai do primeiro dia de exantema até 10 dias após a tosse cessar. Erro: a transmissão começa antes do exantema (4 a 6 dias antes), não no primeiro dia da erupção. Além disso, o término da transmissibilidade é fixado em 4 dias após o início do exantema, e não vinculado à duração da tosse, que pode persistir por 1 a 2 semanas como sintoma residual, sem representar risco de transmissão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a transmissibilidade vai das primeiras 48 horas de sintomas respiratórios até 3 dias após o exantema. Erro: o início da transmissão não é delimitado pelos sintomas respiratórios, mas sim pelo período prodrômico, que antecede o exantema em 4 a 6 dias. Além disso, o término correto é 4 dias após o exantema, não 3. A alternativa subestima tanto o início quanto o fim da janela de transmissibilidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a transmissibilidade ocorre apenas nas 24 horas anteriores e 24 horas seguintes ao exantema. Erro grave: essa janela é muito restrita e não corresponde à realidade epidemiológica do sarampo. A transmissão ocorre por um período muito mais longo — de 4 a 6 dias antes até 4 dias depois do exantema —, e o pico de transmissibilidade ocorre cerca de 2 dias antes do exantema, justamente quando o paciente ainda não apresenta a erupção. Essa alternativa subestima drasticamente o período de risco, o que comprometeria qualquer estratégia de controle de contatos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o período de transmissibilidade e outros marcos da doença. O candidato que memoriza apenas "4 dias após o exantema" pode marcar a alternativa D ou E, que subestimam o início da transmissão. O ponto crítico é lembrar que o sarampo é transmitido antes do exantema, no período prodrômico — por isso a janela começa 4 a 6 dias antes da erupção. Com treino, você fixa esse par de números e elimina as alternativas que começam a transmissão no exantema ou nos sintomas respiratórios 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de transmissibilidade, monte uma linha do tempo mental com os marcos do sarampo: incubação (7-21 dias, média 10-14) → pródromo (2-4 dias: febre, tosse, coriza, conjuntivite) → exantema (início na face, progressão cefalocaudal) → transmissibilidade (4-6 dias antes até 4 dias depois do exantema). A transmissibilidade é o único período que "invade" o pré-exantema — é essa a característica que a banca cobra.