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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Avança SP 2025

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qg414157
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Programa de Infectologia Hospitalar
Um paciente de 45 anos comparece à unidade básica de saúde com queixa de manchas hipocrômicas na pele há 6 meses. Ao exame físico, são identificadas 4 lesões cutâneas com alteração de sensibilidade térmica e tátil, distribuídas em tronco e membros. A baciloscopia de esfregaço intradérmico realizada apresenta resultado negativo. Considerando a classificação operacional preconizada pelo Ministério da Saúde no Guia de Vigilância em Saúde, esse caso deve ser classificado como:
  1. AHanseníase indeterminada sem indicação terapêutica imediata.
  2. BHanseníase paucibacilar com tratamento por 6 meses.
  3. CHanseníase multibacilar com tratamento por 12 meses.
  4. DHanseníase tuberculoide com tratamento por 9 meses.
  5. EHanseníase dimorfa com necessidade de biópsia cutânea.
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GabaritoB — Hanseníase paucibacilar com tratamento por 6 meses.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hanseníase: classificação operacional e tratamento

Gabarito: letra B. O caso descrito — 4 lesões cutâneas com alteração de sensibilidade térmica e tátil e baciloscopia negativa — enquadra-se na classificação operacional de hanseníase paucibacilar (PB), cujo tratamento preconizado pelo Ministério da Saúde é a poliquimioterapia única (PQT-U) por 6 meses. A classificação operacional, conforme o Guia de Vigilância em Saúde, baseia-se no número de lesões cutâneas (até 5 = PB; 6 ou mais = MB) e/ou na baciloscopia (positiva = MB), independentemente da forma clínica da classificação de Ridley e Jopling.

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que tem predileção por pele e nervos periféricos. O diagnóstico é essencialmente clínico e epidemiológico, baseado nos sinais cardinais: (1) lesão(ões) e/ou área(s) da pele com alteração de sensibilidade térmica e/ou dolorosa e/ou tátil; (2) espessamento de nervo periférico com alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas; (3) presença do bacilo confirmada na baciloscopia ou biópsia. A baciloscopia negativa não afasta o diagnóstico — ela tem baixa sensibilidade e é negativa justamente nos casos paucibacilares, como o do enunciado.

A classificação operacional é uma ferramenta prática para definir o tratamento, e não deve ser confundida com a classificação clínica de Ridley e Jopling (indeterminada, tuberculoide, dimorfa e virchowiana). Enquanto a classificação clínica descreve o espectro imunológico da doença, a operacional agrupa os casos em paucibacilar (PB) e multibacilar (MB) com base em critérios objetivos: número de lesões cutâneas e resultado da baciloscopia. O paciente do enunciado tem 4 lesões (≤ 5) e baciloscopia negativa, o que o classifica como PB, com tratamento por 6 meses.

A distinção entre as classificações é crucial na prática clínica e cai com frequência em provas. A tabela abaixo resume os critérios:

Critério

Paucibacilar (PB)

Multibacilar (MB)

Nº de lesões cutâneas

Até 5

6 ou mais

Baciloscopia

Negativa

Positiva

Tratamento (PQT-U)

6 meses

12 meses

Esquema

Rifampicina + dapsona + clofazimina

Rifampicina + dapsona + clofazimina

A pegadinha da questão está em misturar a classificação operacional com a classificação clínica (tuberculoide, dimorfa, indeterminada) e com os tempos de tratamento. O candidato que confunde os critérios pode marcar a alternativa C (multibacilar com 12 meses) por associar a baciloscopia negativa a uma forma mais grave, ou a alternativa D (tuberculoide com 9 meses) por misturar a classificação de Ridley e Jopling com um tempo de tratamento que não existe. A chave é lembrar que a classificação operacional é o que define o tratamento, e ela se baseia em critérios simples e objetivos.

Guarde a fronteira entre classificação operacional (PB/MB — define tratamento) e classificação clínica (indeterminada/tuberculoide/dimorfa/virchowiana — descreve o espectro): é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Classificação operacional da hanseníase
  • 1Paucibacilar (PB)
    • Até 5 lesões cutâneas
    • Baciloscopia negativa
    • Tratamento: 6 meses
  • 2Multibacilar (MB)
    • 6 ou mais lesões
    • Baciloscopia positiva
    • Tratamento: 12 meses
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A hanseníase indeterminada é uma forma clínica da classificação de Ridley e Jopling, caracterizada por manchas hipocrômicas com alteração de sensibilidade, mas não é uma classificação operacional e não define o tratamento. Além disso, a afirmativa de que não há indicação terapêutica imediata é falsa: todo caso de hanseníase diagnosticado deve ser tratado imediatamente com PQT-U, independentemente da forma clínica. O erro está em usar a classificação clínica para decidir o tratamento e em negar a necessidade de terapia.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O paciente tem 4 lesões cutâneas (≤ 5) e baciloscopia negativa, o que o classifica como paucibacilar (PB) pela classificação operacional do Ministério da Saúde. O tratamento preconizado é a PQT-U por 6 meses, conforme o Guia de Vigilância em Saúde e o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase. A alternativa espelha exatamente os critérios objetivos da classificação operacional e o tempo de tratamento correspondente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A classificação como multibacilar (MB) exigiria 6 ou mais lesões cutâneas ou baciloscopia positiva. O paciente tem apenas 4 lesões e baciloscopia negativa, portanto não preenche os critérios para MB. O tratamento de 12 meses é correto para MB, mas não se aplica a este caso. A alternativa troca a classificação operacional, induzindo o candidato a associar a baciloscopia negativa a uma forma mais grave, o que é um erro conceitual.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A hanseníase tuberculoide é uma forma clínica da classificação de Ridley e Jopling, caracterizada por lesão única ou em pequeno número, com forte resposta imune celular e baciloscopia negativa. Embora o caso do enunciado possa se assemelhar clinicamente à forma tuberculoide, a classificação operacional é que define o tratamento, e não a forma clínica. Além disso, não existe tratamento de 9 meses para hanseníase: o tempo é de 6 meses para PB e 12 meses para MB. A alternativa mistura a classificação clínica com um tempo de tratamento inexistente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hanseníase dimorfa é uma forma clínica da classificação de Ridley e Jopling, que pode apresentar características intermediárias entre os polos tuberculoide e virchowiano. A necessidade de biópsia cutânea não é um critério de classificação operacional, e sim um recurso diagnóstico para casos de dúvida. O paciente do enunciado tem critérios clínicos claros para o diagnóstico (lesões com alteração de sensibilidade) e classificação operacional definida (PB), não havendo indicação de biópsia para classificação. A alternativa confunde a classificação clínica com a operacional e sugere um procedimento desnecessário.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura a classificação operacional (PB/MB — define o tratamento) com a classificação clínica de Ridley e Jopling (indeterminada, tuberculoide, dimorfa, virchowiana — descreve o espectro). O candidato que confunde os dois sistemas pode marcar a alternativa D (tuberculoide com 9 meses) ou a C (multibacilar com 12 meses). Lembre-se: a classificação operacional é objetiva — até 5 lesões e baciloscopia negativa = PB, tratamento por 6 meses. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para questões de hanseníase, decore a tabela de classificação operacional: PB = até 5 lesões e baciloscopia negativa → 6 meses de PQT-U; MB = 6 ou mais lesões ou baciloscopia positiva → 12 meses de PQT-U. A classificação clínica (Ridley e Jopling) é um conteúdo separado, que descreve o espectro imunológico, mas não define o tratamento. Na prova, identifique primeiro se a questão pede classificação operacional ou clínica — isso já elimina metade das alternativas.

Gabarito: letra B

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