Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Avança SP 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg414205
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista e Ecocardiografia
Em relação à estenose mitral degenerativa associada à calcificação do anel mitral, é correto afirmar que:
AA VMCB é o tratamento de escolha nesses casos.
BHá fusão comissural característica.
CA cirurgia apresenta baixo risco e bons resultados.
DO valve-in-MAC é procedimento amplamente indicado e seguro.
EO tratamento inicial é clínico, com controle de frequência e diuréticos.
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GabaritoE — O tratamento inicial é clínico, com controle de frequência e diuréticos.
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Estenose mitral degenerativa com calcificação do anel mitral (MAC)
Gabarito: letra E. Na estenose mitral degenerativa associada à calcificação do anel mitral (MAC), o tratamento inicial é clínico, com controle da frequência cardíaca e uso de diuréticos para alívio da congestão — a cirurgia é de alto risco e reservada a casos selecionados, e o valve-in-MAC ainda é procedimento experimental, não amplamente indicado. A alternativa E espelha exatamente essa conduta inicial conservadora.
A estenose mitral degenerativa por calcificação do anel mitral (MAC) é uma entidade distinta da estenose mitral reumática clássica. Enquanto a forma reumática cursa com fusão comissural, espessamento e retração dos folhetos, a forma degenerativa é caracterizada por calcificação extensa do anel mitral que se estende para os folhetos, sem fusão comissural significativa. Essa diferença é crucial: a ausência de fusão comissural torna a valvoplastia por balão ineficaz e contraindica a comissurotomia, pois o mecanismo obstrutivo é a rigidez e a calcificação, não a fusão das comissuras.
O tratamento da estenose mitral degenerativa por MAC segue a lógica das valvopatias degenerativas do idoso: o paciente tipicamente é idoso, com múltiplas comorbidades, e a cirurgia convencional de troca valvar mitral nesse cenário apresenta mortalidade elevada (frequentemente >10%), muito maior que a cirurgia da estenose mitral reumática em pacientes jovens. Por isso, o manejo inicial é clínico: controle da frequência cardíaca (para prolongar o enchimento diastólico e reduzir a pressão atrial esquerda), diuréticos para congestão, e controle de fatores de risco. A intervenção cirúrgica fica reservada para casos sintomáticos graves com anatomia favorável e risco aceitável, avaliados por equipe multidisciplinar.
O valve-in-MAC (implante transcateter de valva mitral em anel mitral calcificado) é uma técnica emergente, ainda em fase de avaliação, com altas taxas de complicações (obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo, embolização, regurgitação paravalvar) e não é considerada procedimento amplamente indicado e seguro. A alternativa D, portanto, está incorreta ao afirmar que é "amplamente indicado e seguro".
A alternativa A (VMCB como tratamento de escolha) também está incorreta: a valvoplastia mitral por balão (VMCB) é o tratamento de escolha para estenose mitral reumática com anatomia favorável (sem calcificação importante, sem fusão comissural extensa), mas na MAC a calcificação extensa contraindica o procedimento, pois o mecanismo não é comissural e há alto risco de ruptura do anel ou embolização de cálcio.
A alternativa B (fusão comissural característica) descreve a estenose mitral reumática, não a degenerativa. A alternativa C (cirurgia de baixo risco e bons resultados) é falsa: a cirurgia na MAC é de alto risco, com mortalidade elevada, justamente por ser população idosa e com calcificação extensa que dificulta o debridamento e a sutura.
Guarde a fronteira entre estenose mitral reumática (fusão comissural, VMCB indicada) e estenose mitral degenerativa por MAC (calcificação, sem fusão, tratamento clínico inicial, cirurgia de alto risco): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Estenose mitral degenerativa (MAC)
1Mecanismo
Calcificação do anel
Sem fusão comissural
2Tratamento inicial
Clínico
Controle de frequência
Diuréticos
3Intervenções
Cirurgia de alto risco
VMCB contraindicada
Valve-in-MAC experimental
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A VMCB (valvoplastia mitral por balão) é o tratamento de escolha para estenose mitral reumática com anatomia favorável, mas na MAC a calcificação extensa contraindica o procedimento. O mecanismo obstrutivo é a rigidez e a calcificação do anel, não a fusão comissural, e a VMCB teria alto risco de ruptura do anel ou embolização de cálcio. A alternativa troca o mecanismo e a indicação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A fusão comissural é característica da estenose mitral reumática, não da degenerativa por MAC. Na MAC, os folhetos podem estar espessados e calcificados, mas sem fusão comissural significativa. A alternativa descreve a doença reumática, confundindo as duas etiologias.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A cirurgia na MAC apresenta alto risco e resultados limitados, não baixo risco e bons resultados. A população é idosa, com comorbidades, e a calcificação extensa do anel dificulta o debridamento e a sutura, aumentando a mortalidade cirúrgica. A alternativa inverte a realidade do procedimento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O valve-in-MAC é procedimento emergente, ainda em avaliação, com altas taxas de complicações (obstrução da via de saída do VE, embolização, regurgitação paravalvar). Não é "amplamente indicado e seguro". A alternativa superestima a segurança e a indicação da técnica.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O tratamento inicial da estenose mitral degenerativa por MAC é clínico: controle da frequência cardíaca (para otimizar o enchimento diastólico) e diuréticos para alívio da congestão. A intervenção fica reservada para casos selecionados, com avaliação multidisciplinar. A alternativa reflete a conduta conservadora inicial, correta para essa população de alto risco.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre estenose mitral reumática e degenerativa por MAC. O candidato que associa "estenose mitral" automaticamente a "fusão comissural e VMCB" erra as alternativas A e B. Lembre: na MAC, o mecanismo é calcificação, não fusão, e o tratamento inicial é clínico.