Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Avança SP 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg414211
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista e Ecocardiografia
Um paciente portador de doença pulmonar obstrutiva crônica comparece ao hospital com queixa de dispneia. O eletrocardiograma apresenta onda P apiculada em DII, onda P com poro inicial positiva ampla em V1 e sobrecarga de ventrículo direito com desvio de eixo para direita. Qual a associação fisiopatológica dessas alterações:
AAumento da contractilidade ventricular direita sem necessidade de marca-passo.
BRedução da pressão venosa sistêmica provocando isquemia ventricular.
CHipoxemia crônica gerando apenas taquicardia sinusal compensatória.
DAumento do débito cardíaco induzindo bloqueio de ramo esquerdo.
EObstrução das vias aéreas causando aumento da resistência vascular pulmonar e sobrecarga direita.
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GabaritoE — Obstrução das vias aéreas causando aumento da resistência vascular pulmonar e sobrecarga direita.
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Eletrocardiograma na DPOC: sobrecarga atrial e ventricular direita
Gabarito: letra E. A associação fisiopatológica correta é a obstrução das vias aéreas na DPOC, que leva a hipoxemia crônica e aumento da resistência vascular pulmonar, resultando em hipertensão pulmonar e sobrecarga das câmaras direitas — exatamente o que o ECG demonstra com onda P apiculada em DII (P pulmonale), porção inicial positiva ampla em V1 e desvio do eixo QRS para a direita. As demais alternativas descrevem mecanismos fisiopatológicos incorretos ou sem relação com o quadro eletrocardiográfico apresentado.
A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é caracterizada por obstrução persistente e progressiva do fluxo aéreo, levando a hipoxemia crônica. Essa hipoxemia crônica causa vasoconstrição arteriolar pulmonar, que aumenta a resistência vascular pulmonar e, consequentemente, a pressão na artéria pulmonar — quadro denominado hipertensão pulmonar. O ventrículo direito, que normalmente trabalha contra uma baixa resistência, precisa gerar pressões maiores para vencer essa resistência aumentada, resultando em hipertrofia e dilatação — a chamada sobrecarga ventricular direita. Essa sobrecarga se manifesta no ECG de várias formas: desvio do eixo QRS para a direita, ondas R altas em V1 e ondas S profundas em V5-V6. Além disso, o aumento da pressão no átrio direito (secundário à falência ventricular direita) causa sobrecarga atrial direita, que se manifesta como onda P apiculada e ampla em DII (P pulmonale) e porção inicial positiva ampla em V1.
O eletrocardiograma é uma ferramenta valiosa na avaliação de pacientes com DPOC, pois permite identificar sinais de sobrecarga das câmaras direitas, que indicam o desenvolvimento de cor pulmonale — a complicação cardiovascular mais importante da DPOC. O reconhecimento desses padrões eletrocardiográficos é essencial para o diagnóstico precoce e o manejo adequado desses pacientes.
A questão explora a compreensão da fisiopatologia da DPOC e sua repercussão cardiovascular, exigindo que o candidato correlacione os achados eletrocardiográficos com o mecanismo subjacente. A alternativa correta (E) descreve precisamente essa cadeia de eventos: obstrução das vias aéreas → aumento da resistência vascular pulmonar → sobrecarga direita. As demais alternativas apresentam mecanismos fisiopatológicos incorretos ou incompletos, que não explicam os achados eletrocardiográficos descritos.
1Obstrução das vias aéreas
2Hipoxemia crônica
3Vasoconstrição pulmonar
4↑ Resistência vascular pulmonar
5Hipertensão pulmonar
6Sobrecarga de câmaras direitas
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que há aumento da contratilidade ventricular direita sem necessidade de marca-passo. Na DPOC, o que ocorre é sobrecarga ventricular direita (hipertrofia e dilatação), não um aumento da contratilidade. Além disso, a necessidade de marca-passo não está relacionada a esse quadro — marca-passo é indicado para bradiarritmias ou bloqueios atrioventriculares, não para sobrecarga ventricular. A alternativa confunde o conceito de sobrecarga com aumento de contratilidade e introduz um elemento (marca-passo) sem relação com a fisiopatologia da DPOC.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que há redução da pressão venosa sistêmica provocando isquemia ventricular. Na DPOC, a pressão venosa sistêmica tende a aumentar (não reduzir) devido à insuficiência cardíaca direita que pode se desenvolver. Além disso, não há isquemia ventricular como consequência direta da DPOC — a isquemia miocárdica está relacionada a doença arterial coronariana, não à sobrecarga direita. A alternativa inverte o sentido da alteração pressórica e introduz um mecanismo de isquemia que não se aplica ao quadro.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a hipoxemia crônica gera apenas taquicardia sinusal compensatória. Embora a hipoxemia possa causar taquicardia sinusal, essa é apenas uma manifestação inicial e não a única consequência. A hipoxemia crônica na DPOC leva a vasoconstrição pulmonar, hipertensão pulmonar e sobrecarga das câmaras direitas, que são as alterações evidenciadas no ECG. A alternativa minimiza o impacto da hipoxemia crônica, ignorando as repercussões cardiovasculares mais importantes.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o aumento do débito cardíaco induz bloqueio de ramo esquerdo. Na DPOC, o débito cardíaco não está aumentado — na verdade, pode estar normal ou reduzido em fases avançadas. Além disso, o bloqueio de ramo esquerdo não é uma consequência da sobrecarga direita; o bloqueio de ramo direito é mais comum nesse contexto, devido à dilatação do ventrículo direito. A alternativa confunde o tipo de bloqueio de ramo e atribui um mecanismo (aumento do débito cardíaco) que não ocorre na DPOC.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente a fisiopatologia: a obstrução das vias aéreas na DPOC leva a hipoxemia crônica, que causa vasoconstrição arteriolar pulmonar e aumento da resistência vascular pulmonar. Esse aumento de resistência eleva a pressão na artéria pulmonar, sobrecarregando o ventrículo direito (sobrecarga ventricular direita) e, posteriormente, o átrio direito (sobrecarga atrial direita). Essas sobrecargas se manifestam no ECG como onda P apiculada em DII (P pulmonale), porção inicial positiva ampla em V1 e desvio do eixo QRS para a direita — exatamente os achados descritos no enunciado.