Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Avança SP 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg414223
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista e Ecocardiografia
Durante a análise de um eletrocardiograma de um paciente com quadro de dor torácica, o médico identifica onda T apiculada assimétrica positiva em derivações V1 a V6. Considerando as alterações eletrocardiográficas nas síndromes coronarianas agudas, essa alteração sugere isquemia em localização miocárdica:
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Eletrocardiograma nas síndromes coronarianas agudas: isquemia, lesão e necrose
Gabarito: letra B. A onda T apiculada assimétrica positiva em V1 a V6 é o achado eletrocardiográfico clássico da isquemia subendocárdica — ou seja, a isquemia atinge a camada mais interna do miocárdio, poupando o epicárdio. A banca explora exatamente a correlação entre a morfologia da onda T e a camada miocárdica acometida, conforme a tabela de alterações do ECG nas síndromes coronarianas agudas.
A onda T representa a repolarização ventricular. Em condições normais, a repolarização ocorre do epicárdio para o endocárdio, o que gera uma onda T positiva nas derivações que "enxergam" a parede ventricular. Quando há isquemia, essa sequência de repolarização se altera, e a morfologia da onda T muda de acordo com a camada miocárdica mais afetada.
Na isquemia subendocárdica, a camada interna do miocárdio (subendocárdio) sofre com a redução do fluxo sanguíneo, mas a camada externa (subepicárdio) ainda recebe sangue. Isso faz com que a repolarização se torne mais lenta no subendocárdio, invertendo o sentido da repolarização. O resultado é uma onda T positiva, apiculada e assimétrica, como descrito no enunciado. Essa é a assinatura eletrocardiográfica da isquemia subendocárdica.
Já na isquemia subepicárdica, a camada externa do miocárdio é a mais afetada. A repolarização se torna mais lenta no subepicárdio, o que faz com que a onda T se inverta (fique negativa) nas derivações que sobrepõem a área isquêmica. Portanto, a onda T invertida é o marcador de isquemia subepicárdica, enquanto a onda T apiculada assimétrica positiva é o marcador de isquemia subendocárdica.
É fundamental distinguir os três padrões eletrocardiográficos das síndromes coronarianas agudas, pois cada um corresponde a um estágio fisiopatológico diferente:
Alteração
Localização
Achado no ECG
Isquemia
Subendocárdica
Onda T positiva apiculada assimétrica (V1 a V6)
Isquemia
Subepicárdica
Onda T invertida (V1 a V6)
Corrente de lesão
Subendocárdica
Infradesnivelamento do segmento ST (DII, DIII, V3 a V6)
Corrente de lesão
Subepicárdica
Supradesnivelamento do segmento ST (DII, DIII, V3 a V6)
Necrose
Transmural
Onda Q patológica (amplitude > 1/3 do QRS, duração > 40 ms)
A corrente de lesão é um estágio mais grave que a isquemia, em que a célula miocárdica está em sofrimento agudo, mas ainda não morreu. Ela se manifesta por alterações no segmento ST: supradesnivelamento (lesão subepicárdica) ou infradesnivelamento (lesão subendocárdica). A necrose é a morte celular irreversível, que se manifesta por ondas Q patológicas. A onda T apiculada assimétrica positiva é um marcador de isquemia, não de lesão ou necrose.
A pegadinha desta questão está em associar a onda T apiculada assimétrica positiva à isquemia subepicárdica, quando na verdade ela é o marcador de isquemia subendocárdica. O candidato que confunde as localizações acaba marcando a alternativa A, que descreve a isquemia subepicárdica com corrente de lesão — um erro duplo, pois a onda T apiculada não é sinal de corrente de lesão, e a isquemia subepicárdica se manifesta com onda T invertida.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca as localizações da isquemia: a onda T apiculada assimétrica positiva é o marcador de isquemia subendocárdica, não subepicárdica. A isquemia subepicárdica se manifesta com onda T invertida. Além disso, a onda T apiculada não é sinal de corrente de lesão — a corrente de lesão se manifesta por alterações no segmento ST (supra ou infra).
Alterações ECG nas SCA
1Isquemia
Subendocárdica
Onda T apiculada assimétrica positiva
Subepicárdica
Onda T invertida
2Corrente de lesão
Subendocárdica
Infra de ST
Subepicárdica
Supra de ST
3Necrose
Transmural
Onda Q patológica
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a onda T apiculada assimétrica positiva sugere isquemia subepicárdica com corrente de lesão. Há dois erros: (1) a isquemia subepicárdica se manifesta com onda T invertida, não apiculada positiva; (2) a corrente de lesão se manifesta por alterações no segmento ST (supra ou infra), não por alterações na onda T. A onda T apiculada assimétrica positiva é o marcador de isquemia subendocárdica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A onda T apiculada assimétrica positiva em V1 a V6 é o achado eletrocardiográfico clássico da isquemia subendocárdica. A isquemia subendocárdica afeta a camada mais interna do miocárdio, alterando a sequência de repolarização e gerando essa morfologia característica da onda T. É o estágio inicial da síndrome coronariana aguda, antes da corrente de lesão e da necrose.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a onda T apiculada assimétrica positiva sugere isquemia transmural com necrose instalada. A necrose se manifesta por ondas Q patológicas, não por alterações na onda T. Além disso, a isquemia transmural (que atinge toda a espessura do miocárdio) se manifesta com supradesnivelamento do segmento ST, não com onda T apiculada assimétrica positiva.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a onda T apiculada assimétrica positiva sugere isquemia subepicárdica com zona de necrose. Há dois erros: (1) a isquemia subepicárdica se manifesta com onda T invertida, não apiculada positiva; (2) a zona de necrose se manifesta por ondas Q patológicas, não por alterações na onda T. A onda T apiculada assimétrica positiva é o marcador de isquemia subendocárdica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a onda T apiculada assimétrica positiva sugere acometimento pericárdico sem acometimento miocárdico. A pericardite aguda se manifesta com supradesnivelamento do segmento ST com concavidade superior preservada, não com onda T apiculada assimétrica positiva. Além disso, a onda T apiculada assimétrica positiva é um marcador de isquemia miocárdica, não de acometimento pericárdico.
A regra de ouro para a prova: onda T apiculada assimétrica positiva = isquemia subendocárdica; onda T invertida = isquemia subepicárdica; supra de ST = lesão subepicárdica; infra de ST = lesão subendocárdica; onda Q patológica = necrose.