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Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2025

MedicinaNeurologia
Código
qg420029
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Lorena - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Neurologista
Sobre os fatores de risco associados à trombose venosa cerebral (TVC) em pacientes com traumatismo craniano, assinale a alternativa correta:
  1. AA ocorrência de TVC no contexto de trauma craniano está sempre associada à presença de fratura óssea parietal.
  2. BO traumatismo craniano é um fator de risco exclusivo para TVC em pacientes com histórico de hemofilia.
  3. CAs alterações do estado de consciência após trauma excluem a possibilidade de trombose venosa cerebral.
  4. DO traumatismo craniano pode ser causa direta de TVC, mesmo na ausência de fratura evidente, infecção ou neoplasia.
  5. EA TVC pós-traumática é restrita ao sexo masculino e à faixa etária pediátrica, com prognóstico reservado.
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GabaritoD — O traumatismo craniano pode ser causa direta de TVC, mesmo na ausência de fratura evidente, infecção ou neoplasia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trombose venosa cerebral (TVC) e traumatismo craniano

Gabarito: letra D. O traumatismo craniano pode ser causa direta de trombose venosa cerebral (TVC), mesmo na ausência de fratura evidente, infecção ou neoplasia. O trauma, especialmente o fechado, leva à liberação de fator tecidual e à estase venosa, mecanismos que favorecem a trombose dos seios venosos cerebrais, independentemente de outras causas clássicas.

A trombose venosa cerebral é uma condição potencialmente grave, caracterizada pela obstrução do fluxo sanguíneo nos seios venosos e veias corticais do cérebro. Ela se manifesta comumente com cefaleia (em até 89% dos casos), que pode ser o único sintoma, além de crises convulsivas (até 40% dos pacientes), sinais de hipertensão intracraniana e encefalopatia. O diagnóstico é feito por ressonância magnética com venografia ou, na indisponibilidade, por TC com venografia, e o tratamento é baseado em anticoagulação, com pacientes graves necessitando de UTI.

Os fatores de risco para TVC são múltiplos e incluem trombofilias, gestação e puerpério, uso de anticoncepcionais orais, neoplasias, infecções e, como destaca a questão, o traumatismo craniano. O trauma craniano, particularmente o fechado, é um fator de risco reconhecido para trombose venosa, pois o dano tecidual e a liberação maciça de fator tecidual ativam a cascata de coagulação. Além disso, a imobilização e a estase do fluxo sanguíneo, comuns em pacientes traumatizados, contribuem para o risco trombótico. É importante destacar que a TVC pós-traumática pode ocorrer mesmo sem fratura de crânio evidente, infecção ou neoplasia, pois o próprio trauma é um fator de risco independente.

A distinção crucial que a questão explora é entre a TVC como consequência direta do trauma e a TVC associada a outras causas. Enquanto a alternativa D reconhece o trauma como causa direta, as demais alternativas impõem condições restritivas (fratura, hemofilia, exclusão por alteração de consciência, restrição a sexo/idade) que não correspondem à realidade clínica. O trauma craniano é um fator de risco bem estabelecido para TEV em geral, e a TVC é uma manifestação específica desse risco no sistema venoso cerebral.

Na prática clínica, um paciente com TCE que desenvolve cefaleia persistente, crises convulsivas ou rebaixamento do nível de consciência sem explicação deve ser investigado para TVC, independentemente da presença de fratura ou outras causas clássicas. O diagnóstico precoce é fundamental, pois o tratamento com anticoagulação pode prevenir complicações graves como infarto venoso hemorrágico e hipertensão intracraniana.

Guarde a fronteira entre o trauma como causa direta e as condições restritivas que as alternativas incorretas impõem: é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a TVC no contexto de trauma craniano está sempre associada à presença de fratura óssea parietal. Isso é falso: o trauma craniano pode causar TVC mesmo sem fratura evidente, como reconhece a alternativa D. A fratura é um achado possível, mas não é condição necessária para a trombose venosa cerebral pós-traumática. O mecanismo envolve a liberação de fator tecidual e a estase venosa, que podem ocorrer independentemente de fratura óssea.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o traumatismo craniano é fator de risco exclusivo para TVC em pacientes com hemofilia. Isso é duplamente errado: primeiro, o trauma é um fator de risco para TVC em qualquer paciente, não apenas em hemofílicos; segundo, a hemofilia é uma coagulopatia que, na verdade, tende a aumentar o risco de sangramento, não de trombose. A TVC pós-traumática ocorre em pacientes sem coagulopatias, e a hemofilia não é um pré-requisito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que as alterações do estado de consciência após trauma excluem a possibilidade de TVC. Isso é incorreto: a TVC pode cursar com rebaixamento do nível de consciência, encefalopatia e confusão mental. Na verdade, a alteração do estado de consciência em um paciente com TCE pode ser um sinal de TVC, e não um fator que a exclui. A TVC deve ser considerada no diagnóstico diferencial de piora neurológica após trauma.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que o traumatismo craniano pode ser causa direta de TVC, mesmo na ausência de fratura evidente, infecção ou neoplasia. Isso está correto: o trauma craniano, especialmente o fechado, leva à liberação de fator tecidual e à estase venosa, mecanismos que favorecem a trombose dos seios venosos cerebrais. A TVC pós-traumática é uma entidade reconhecida, que pode ocorrer independentemente de outras causas clássicas como fratura, infecção ou neoplasia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a TVC pós-traumática é restrita ao sexo masculino e à faixa etária pediátrica, com prognóstico reservado. Isso é falso: a TVC pós-traumática pode ocorrer em qualquer sexo e faixa etária. Além disso, o prognóstico não é necessariamente reservado; com diagnóstico e tratamento adequados, muitos pacientes evoluem bem. A restrição a sexo e idade não tem fundamento clínico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de associar a TVC a causas clássicas (fratura, infecção, neoplasia) e a restringir a populações específicas. O candidato que não conhece o trauma como fator de risco independente tende a marcar alternativas que impõem condições restritivas. Lembre-se: o trauma craniano é causa direta de TVC, sem necessidade de outras condições.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre TVC, memorize os fatores de risco principais: trombofilias, gestação/puerpério, anticoncepcionais, neoplasias, infecções e trauma. Quando a alternativa impuser condições restritivas ("sempre", "exclusivo", "restrito"), desconfie — a regra geral é que o trauma é um fator de risco independente.

Gabarito: letra D

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