Em relação às manifestações clínicas das lesões cerebelares associadas à ataxia, assinale a alternativa correta:
AA presença de disartria e tremor postural com predomínio distal sugere lesão do trato corticoespinhal.
BA hipotonia e a dismetria são achados comuns em pacientes com alterações cerebelares.
CA perda de força muscular, sem alterações de coordenação, é o achado mais frequente nas síndromes ataxiformes.
DA ausência de resposta pupilar à luz é indicativa precoce de ataxia cerebelar.
EO reflexo plantar em extensão está presente em todos os quadros ataxiformes cerebelares agudos.
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GabaritoB — A hipotonia e a dismetria são achados comuns em pacientes com alterações cerebelares.
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Ataxia cerebelar: manifestações clínicas
Gabarito: letra B. A hipotonia e a dismetria são, de fato, achados clássicos e comuns nas lesões cerebelares: o cerebelo é o órgão central da coordenação motora, e sua disfunção compromete a execução precisa dos movimentos (dismetria) e o tônus muscular (hipotonia). As demais alternativas descrevem sinais de outros sistemas — trato corticoespinhal, motricidade piramidal, reflexos pupilares e reflexo plantar — que não são a expressão típica da síndrome cerebelar.
A ataxia é a incapacidade de coordenar movimentos voluntários, e quando tem origem cerebelar reflete a perda da função de "ajuste fino" que o cerebelo exerce sobre a motricidade. Diferente da fraqueza muscular (que é um problema de força, típico de lesão do neurônio motor superior ou inferior), a ataxia é um problema de qualidade do movimento: a força está preservada, mas o movimento é desajeitado, impreciso e mal calibrado. Por isso, o exame neurológico de um paciente com lesão cerebelar revela um conjunto de sinais que formam a tríade clássica: hipotonia, dismetria e disdiadococinesia, frequentemente acompanhados de tremor de intenção, marcha atáxica (base alargada) e disartria escandida.
A dismetria é a dificuldade de dosar a amplitude e a direção do movimento — o paciente "passa do ponto" (hipermetria) ou "fica aquém" (hipometria) ao tentar tocar um alvo, como no teste índex-nariz. A hipotonia, por sua vez, é a redução do tônus muscular, que se manifesta como flacidez e resistência diminuída à movimentação passiva. Ambos são consequência direta da perda da modulação cerebelar sobre os circuitos motores. Vale notar que a ataxia cerebelar não melhora com o fechar dos olhos — diferentemente da ataxia sensorial, que piora sem o controle visual e se associa ao sinal de Romberg positivo. Essa distinção é um dos pilares do exame neurológico e aparece com frequência em provas.
A banca explora justamente a confusão entre os sinais cerebelares e os sinais de outros sistemas neurológicos. O candidato que não domina a semiologia pode associar disartria e tremor a lesão piramidal, ou acreditar que a perda de força é o achado central da ataxia — quando, na verdade, a força está preservada e o que falta é a coordenação. Guarde o critério: cerebelo = coordenação e tônus; trato corticoespinhal = força e reflexos; via pupilar e reflexo plantar = integridade de tronco e vias motoras descendentes. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Manifestação Clínica
Sistema/Origem Típica
Presente na Ataxia Cerebelar?
Hipotonia e dismetria
Cerebelo
Sim (achados clássicos)
Disartria e tremor de intenção
Cerebelo
Sim
Perda de força muscular
Neurônio motor (superior/inferior)
Não (força preservada)
Ausência de resposta pupilar à luz
Tronco encefálico (via pupilar)
Não
Reflexo plantar em extensão (Babinski)
Trato corticoespinhal
Não (em síndrome cerebelar pura)
Síndrome cerebelar
1Sinais clássicos
Hipotonia
Dismetria
Disdiadococinesia
Tremor de intenção
Marcha atáxica
Disartria escandida
2Força preservada
Déficit é de coordenação
Não de potência muscular
3Distinção de outros sistemas
Trato corticoespinhal: força e reflexos
Tronco encefálico: reflexo pupilar
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A disartria e o tremor postural com predomínio distal não indicam lesão do trato corticoespinhal. A disartria cerebelar (escandida, explosiva) e o tremor de intenção (que piora na aproximação do alvo) são manifestações típicas de disfunção cerebelar. O trato corticoespinhal, quando lesado, produz fraqueza, espasticidade, hiperreflexia e sinal de Babinski — não tremor de intenção nem disartria cerebelar. A alternativa troca o sistema responsável: atribui ao trato piramidal um sintoma que é cerebelar.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hipotonia e a dismetria são, de fato, achados comuns e característicos das lesões cerebelares. A hipotonia reflete a perda da influência facilitadora do cerebelo sobre o tônus muscular, e a dismetria é a expressão da dificuldade de modular a amplitude do movimento. Ambos integram a síndrome cerebelar clássica, ao lado da disdiadococinesia, do tremor de intenção e da marcha atáxica. A alternativa está correta porque descreve com precisão os sinais semiológicos esperados em um paciente com alteração cerebelar.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A perda de força muscular não é o achado mais frequente nas síndromes ataxiformes. Pelo contrário: na ataxia cerebelar a força está preservada — o déficit é de coordenação, não de potência muscular. A fraqueza é típica de lesões do neurônio motor superior ou inferior (como na doença do neurônio motor ou na lesão medular), não da síndrome cerebelar. A alternativa inverte o conceito central da ataxia: ela é um distúrbio de coordenação, e não de força.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A ausência de resposta pupilar à luz é um sinal de disfunção do tronco encefálico (especificamente da via aferente do reflexo pupilar, que envolve o nervo óptico e o mesencéfalo) — não é indicativa de ataxia cerebelar. A ataxia cerebelar não compromete o reflexo pupilar; quando há alteração pupilar, o problema está em outra localização neurológica, como em lesões compressivas do tronco ou em intoxicações. A alternativa atribui ao cerebelo um sinal que pertence à semiologia do tronco encefálico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O reflexo plantar em extensão (sinal de Babinski) não está presente em todos os quadros ataxiformes cerebelares agudos. O Babinski é um sinal de lesão do trato corticoespinhal (neurônio motor superior) e não faz parte da síndrome cerebelar pura. Embora algumas ataxias hereditárias, como a ataxia de Friedreich, possam evoluir com comprometimento piramidal e apresentar Babinski em fases avançadas, isso não é regra para todos os quadros atáxicos agudos. A alternativa generaliza indevidamente um sinal que não é a expressão típica da disfunção cerebelar.
Gabarito: letra B — a hipotonia e a dismetria são os achados comuns e característicos das lesões cerebelares, enquanto as demais alternativas descrevem sinais de outros sistemas neurológicos.