Em relação aos exames de imagem utilizados na investigação da Doença de Alzheimer, assinale a alternativa correta:
AA ressonância magnética de encéfalo pode evidenciar atrofia dos hipocampos, sendo útil no diagnóstico da Doença de Alzheimer.
BA radiografia de crânio é o exame indicado para avaliação da atrofia cortical e identificação de alterações hipocampais.
CA angiotomografia cerebral é preferida por demonstrar melhor o metabolismo da glicose em regiões frontotemporais.
DO eletroencefalograma permite identificar com precisão os padrões típicos de degeneração da substância branca.
EA ultrassonografia transcraniana apresenta maior sensibilidade que a ressonância para alterações temporais mediais.
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GabaritoA — A ressonância magnética de encéfalo pode evidenciar atrofia dos hipocampos, sendo útil no diagnóstico da Doença de Alzheimer.
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Exames de imagem na investigação da Doença de Alzheimer
Gabarito: letra A. A ressonância magnética (RM) de encéfalo é o exame de imagem estrutural de escolha na investigação da Doença de Alzheimer (DA), pois permite evidenciar a atrofia dos hipocampos, um dos achados característicos e precoces da doença, sendo útil como biomarcador de neurodegeneração. As demais alternativas erram ao atribuir a exames inadequados (radiografia, angiotomografia, eletroencefalograma e ultrassonografia) funções que não desempenham na propedêutica da DA.
A Doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência neurodegenerativa, caracterizada histopatologicamente pelo acúmulo de placas amiloides e emaranhados neurofibrilares, que levam à perda neuronal progressiva. O diagnóstico é fundamentalmente clínico, mas os exames de imagem têm papel crucial em duas frentes: (1) excluir causas secundárias e potencialmente reversíveis de demência (como tumores, hematomas subdurais, hidrocefalia de pressão normal e infartos), e (2) identificar padrões de atrofia cerebral que sejam sugestivos da doença, como a atrofia mesial temporal, particularmente dos hipocampos, que pode ser visualizada na RM.
A RM é superior à tomografia computadorizada (TC) na avaliação das estruturas da fossa posterior e na detecção de alterações sutis da substância branca, além de não expor o paciente à radiação ionizante. Na DA, a atrofia hipocampal é um marcador de neurodegeneração que se correlaciona com o declínio cognitivo e pode ser quantificada por métodos visuais ou volumétricos. A atrofia mesial temporal é um achado tão relevante que faz parte dos critérios diagnósticos da DA, sendo considerada um biomarcador de lesão neuronal.
É importante distinguir os exames de imagem estrutural dos funcionais. Enquanto a RM e a TC avaliam a anatomia, exames como a tomografia por emissão de pósitrons (PET) e a tomografia computadorizada por emissão de fóton único (SPECT) avaliam aspectos funcionais, como o metabolismo da glicose (PET-FDG) ou a perfusão cerebral. Na DA, o PET-FDG pode mostrar hipometabolismo nas regiões temporoparietais, mas não é um exame de primeira linha na investigação inicial, sendo reservado para casos selecionados. O PET com ligantes amiloides (como o florbetapir) pode detectar a deposição de placas amiloides, mas também tem uso restrito na prática clínica.
A pegadinha central desta questão é a associação correta entre o exame e a sua aplicação na DA. A banca explora a confusão entre exames estruturais (RM, TC), funcionais (PET, SPECT) e outros métodos diagnósticos (EEG, ultrassonografia), atribuindo a cada um funções que não lhes cabem. O candidato precisa saber que a atrofia hipocampal é um achado de imagem estrutural, visível na RM, e não em exames como radiografia, angiotomografia, EEG ou ultrassonografia.
Guarde a fronteira entre o que cada exame mostra: a RM evidencia atrofia estrutural (hipocampos); a radiografia de crânio não avalia partes moles; a angiotomografia avalia vasos; o EEG avalia atividade elétrica; e a ultrassonografia transcraniana avalia fluxo sanguíneo e desvio de estruturas da linha média. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Exames de imagem na DA: Estruturais (RM (atrofia hipocampal), TC (exclui causas secundárias)); Funcionais (PET-FDG (hipometabolismo temporoparietal), PET amiloide (placas)); Não indicados (Radiografia (só osso), Angiotomografia (vasos), EEG (atividade elétrica), US transcraniana (fluxo/linha média))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ressonância magnética de encéfalo é o exame de imagem estrutural mais sensível para avaliar a atrofia dos hipocampos, que é um dos achados mais característicos e precoces da Doença de Alzheimer. A atrofia mesial temporal, com predomínio hipocampal, é um biomarcador de neurodegeneração reconhecido nos critérios diagnósticos da doença, sendo útil tanto para o diagnóstico quanto para o acompanhamento da progressão. A RM permite ainda excluir outras causas de demência, como lesões vasculares, tumores e hidrocefalia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A radiografia de crânio é um exame que avalia apenas as estruturas ósseas do crânio, sendo incapaz de demonstrar atrofia cortical ou alterações hipocampais, que são alterações de partes moles. A radiografia de crânio tem indicações limitadas na neurologia, como na avaliação de fraturas ou de calcificações intracranianas, mas não tem papel na investigação de demências. O exame adequado para avaliar atrofia cortical e hipocampal é a ressonância magnética, não a radiografia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A angiotomografia cerebral é um exame que avalia os vasos sanguíneos intracranianos, sendo útil na investigação de estenoses, oclusões e aneurismas, mas não demonstra o metabolismo da glicose. O exame que avalia o metabolismo da glicose cerebral é a tomografia por emissão de pósitrons (PET), especialmente o PET-FDG, que mostra hipometabolismo nas regiões temporoparietais na Doença de Alzheimer. A alternativa confunde a angiotomografia (exame vascular) com o PET (exame funcional).
Alternativa D — ❌ Incorreta
O eletroencefalograma (EEG) é um exame que registra a atividade elétrica cerebral, sendo útil na investigação de epilepsia, encefalopatias e na suspeita de doença de Creutzfeldt-Jakob, mas não identifica padrões de degeneração da substância branca. A degeneração da substância branca é avaliada por exames de imagem, como a ressonância magnética, que pode mostrar hiperintensidades na substância branca em sequências ponderadas em T2 e FLAIR. O EEG não tem resolução espacial para avaliar alterações estruturais da substância branca.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A ultrassonografia transcraniana é um exame que avalia o fluxo sanguíneo cerebral e o desvio de estruturas da linha média, sendo útil em situações de emergência, como no trauma cranioencefálico, mas não tem sensibilidade para avaliar alterações temporais mediais, como a atrofia hipocampal. A ressonância magnética é muito superior à ultrassonografia para avaliar as estruturas mesiais temporais, sendo o exame de escolha para essa finalidade. A alternativa inverte a relação de sensibilidade entre os dois métodos.