Sobre a análise do líquor em pacientes com patologias neurológicas, qual dos achados abaixo é compatível com infecção bacteriana aguda do sistema nervoso central?
APressão de abertura normal, pleocitose linfocitária e hipoglicorraquia discreta.
BHiperglicorraquia com hiperproteinorraquia e citologia normal.
CHipoglicorraquia acentuada, pleocitose com predomínio de polimorfonucleares e hiperproteinorraquia.
DGlicose normal, celularidade aumentada com predomínio de linfócitos e aumento leve de proteínas.
EAusência de células, proteínas e glicose normais com pressão elevada.
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GabaritoC — Hipoglicorraquia acentuada, pleocitose com predomínio de polimorfonucleares e hiperproteinorraquia.
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Análise do líquor na meningite bacteriana aguda
Gabarito: letra C. A meningite bacteriana aguda cursa com hipoglicorraquia acentuada, pleocitose com predomínio de polimorfonucleares (neutrófilos) e hiperproteinorraquia, além de pressão de abertura elevada — o padrão clássico descrito na literatura médica. As demais alternativas descrevem padrões liquóricos de outras etiologias, como meningite viral, tuberculose ou até mesmo liquor normal.
A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é um dos pilares do diagnóstico das infecções do sistema nervoso central. Quando há suspeita de meningite, a punção lombar com exame do liquor permite diferenciar, com razoável acurácia, as principais etiologias: bacteriana, viral, fúngica e tuberculosa. Essa diferenciação é crucial porque o tratamento empírico imediato — antibiótico ou antiviral — depende dela, e o atraso terapêutico na meningite bacteriana aumenta drasticamente a morbimortalidade.
O padrão liquórico da meningite bacteriana aguda é bem característico e reflete a resposta inflamatória intensa desencadeada pelas bactérias no espaço subaracnóideo. Os neutrófilos (polimorfonucleares) são as células predominantes, frequentemente em contagens acima de 1.000/mm³. A glicose é consumida pelos neutrófilos e bactérias, resultando em hipoglicorraquia acentuada (geralmente abaixo de 40 mg/dL ou relação glicose LCR/soro < 0,4). As proteínas estão elevadas, frequentemente acima de 200 mg/dL, devido ao aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica e à liberação de proteínas intracelulares. A pressão de abertura costuma estar elevada, refletindo o processo inflamatório e o edema cerebral.
Para fixar o contraste, veja a tabela comparativa dos padrões liquóricos:
Característica
Bacteriana aguda
Viral
Tuberculosa
Celularidade
Aumentada (> 1.000/mm³)
Aumentada (10–500/mm³)
Aumentada (100–500/mm³)
Predomínio celular
Polimorfonucleares (neutrófilos)
Linfócitos
Linfomonocitário
Glicose
Muito baixa (< 40 mg/dL)
Normal ou levemente baixa
Normal ou pouco diminuída
Proteínas
Muito elevadas (> 200 mg/dL)
Leve a moderadamente elevadas
Elevadas
Pressão de abertura
Elevada
Normal ou levemente elevada
Aumentada
A pegadinha central desta questão é a troca do padrão celular: a banca descreve pleocitose linfocitária (típica de meningite viral ou tuberculose) em alternativas que, no restante, poderiam lembrar uma infecção bacteriana. O candidato que não domina a tríade clássica — hipoglicorraquia + neutrófilos + hiperproteinorraquia — pode se confundir. Guarde a fronteira: bactéria = neutrófilo; vírus = linfócito. É exatamente nesse critério que as alternativas se dividem.
Padrão liquórico: Bacteriana aguda (Hipoglicorraquia acentuada, Neutrófilos (PMN), Hiperproteinorraquia); Viral (Glicose normal ou levemente baixa, Linfócitos, Proteínas levemente elevadas); Tuberculosa (Glicose normal ou pouco diminuída, Linfomonocitário, Proteínas elevadas)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Descreve pressão de abertura normal, pleocitose linfocitária e hipoglicorraquia discreta. A pleocitose linfocitária é o padrão típico da meningite viral (e também da tuberculosa), não da bacteriana aguda. Além disso, na meningite bacteriana a pressão de abertura costuma estar elevada, e a hipoglicorraquia é acentuada, não discreta. A alternativa mistura características de diferentes etiologias, mas o erro mais evidente é o predomínio linfocitário.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Apresenta hiperglicorraquia com hiperproteinorraquia e citologia normal. A hiperglicorraquia (glicose elevada no liquor) não faz parte do padrão de nenhuma meningite infecciosa — na bacteriana, a glicose está diminuída. A citologia normal também afasta o diagnóstico, pois a meningite bacteriana cursa com pleocitose intensa. Esse padrão não corresponde a nenhuma etiologia comum de infecção do SNC.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a descrição clássica da meningite bacteriana aguda: hipoglicorraquia acentuada (glicose muito baixa), pleocitose com predomínio de polimorfonucleares (neutrófilos) e hiperproteinorraquia (proteínas elevadas). A tríade reflete a resposta inflamatória neutrofílica intensa, o consumo de glicose pelas bactérias e neutrófilos, e o aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica. A pressão de abertura também costuma estar elevada, embora não mencionada na alternativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Descreve glicose normal, celularidade aumentada com predomínio de linfócitos e aumento leve de proteínas. O predomínio linfocitário com glicose normal é o padrão típico da meningite viral (ou de meningites assépticas). Na bacteriana, a glicose está diminuída e o predomínio é de neutrófilos, não linfócitos. O aumento leve de proteínas também contrasta com a hiperproteinorraquia acentuada da infecção bacteriana.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Descreve ausência de células, proteínas e glicose normais com pressão elevada. A ausência de células (pleocitose) é incompatível com meningite bacteriana, que cursa com pleocitose intensa. Pressão elevada com liquor acelular pode ocorrer em outras condições, como hipertensão intracraniana idiopática, mas não em infecção bacteriana aguda. A alternativa não corresponde a nenhum padrão de meningite infecciosa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar o predomínio celular para confundir: na bacteriana são polimorfonucleares (neutrófilos); na viral e na tuberculosa, linfócitos. Se a alternativa trouxer "linfocitária", desconfie imediatamente — a menos que o restante aponte claramente para outra etiologia. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪.
Gabarito: letra C — a única que descreve corretamente o padrão liquórico da infecção bacteriana aguda do SNC: hipoglicorraquia acentuada, pleocitose neutrofílica e hiperproteinorraquia.