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Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2025

MedicinaNeurologia
Código
qg420038
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Lorena - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Neurologista
Sobre a análise do líquor em pacientes com patologias neurológicas, qual dos achados abaixo é compatível com infecção bacteriana aguda do sistema nervoso central?
  1. APressão de abertura normal, pleocitose linfocitária e hipoglicorraquia discreta.
  2. BHiperglicorraquia com hiperproteinorraquia e citologia normal.
  3. CHipoglicorraquia acentuada, pleocitose com predomínio de polimorfonucleares e hiperproteinorraquia.
  4. DGlicose normal, celularidade aumentada com predomínio de linfócitos e aumento leve de proteínas.
  5. EAusência de células, proteínas e glicose normais com pressão elevada.
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GabaritoC — Hipoglicorraquia acentuada, pleocitose com predomínio de polimorfonucleares e hiperproteinorraquia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise do líquor na meningite bacteriana aguda

Gabarito: letra C. A meningite bacteriana aguda cursa com hipoglicorraquia acentuada, pleocitose com predomínio de polimorfonucleares (neutrófilos) e hiperproteinorraquia, além de pressão de abertura elevada — o padrão clássico descrito na literatura médica. As demais alternativas descrevem padrões liquóricos de outras etiologias, como meningite viral, tuberculose ou até mesmo liquor normal.

A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é um dos pilares do diagnóstico das infecções do sistema nervoso central. Quando há suspeita de meningite, a punção lombar com exame do liquor permite diferenciar, com razoável acurácia, as principais etiologias: bacteriana, viral, fúngica e tuberculosa. Essa diferenciação é crucial porque o tratamento empírico imediato — antibiótico ou antiviral — depende dela, e o atraso terapêutico na meningite bacteriana aumenta drasticamente a morbimortalidade.

O padrão liquórico da meningite bacteriana aguda é bem característico e reflete a resposta inflamatória intensa desencadeada pelas bactérias no espaço subaracnóideo. Os neutrófilos (polimorfonucleares) são as células predominantes, frequentemente em contagens acima de 1.000/mm³. A glicose é consumida pelos neutrófilos e bactérias, resultando em hipoglicorraquia acentuada (geralmente abaixo de 40 mg/dL ou relação glicose LCR/soro < 0,4). As proteínas estão elevadas, frequentemente acima de 200 mg/dL, devido ao aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica e à liberação de proteínas intracelulares. A pressão de abertura costuma estar elevada, refletindo o processo inflamatório e o edema cerebral.

Para fixar o contraste, veja a tabela comparativa dos padrões liquóricos:

Característica

Bacteriana aguda

Viral

Tuberculosa

Celularidade

Aumentada (> 1.000/mm³)

Aumentada (10–500/mm³)

Aumentada (100–500/mm³)

Predomínio celular

Polimorfonucleares (neutrófilos)

Linfócitos

Linfomonocitário

Glicose

Muito baixa (< 40 mg/dL)

Normal ou levemente baixa

Normal ou pouco diminuída

Proteínas

Muito elevadas (> 200 mg/dL)

Leve a moderadamente elevadas

Elevadas

Pressão de abertura

Elevada

Normal ou levemente elevada

Aumentada

A pegadinha central desta questão é a troca do padrão celular: a banca descreve pleocitose linfocitária (típica de meningite viral ou tuberculose) em alternativas que, no restante, poderiam lembrar uma infecção bacteriana. O candidato que não domina a tríade clássica — hipoglicorraquia + neutrófilos + hiperproteinorraquia — pode se confundir. Guarde a fronteira: bactéria = neutrófilo; vírus = linfócito. É exatamente nesse critério que as alternativas se dividem.

1Bacteriana aguda
Hipoglicorraquia acentuada
Neutrófilos (PMN)
Hiperproteinorraquia
2Viral
Glicose normal ou levemente baixa
Linfócitos
Proteínas levemente elevadas
3Tuberculosa
Glicose normal ou pouco diminuída
Linfomonocitário
Proteínas elevadas
Padrão liquórico
LEVELsoulevel.com.br
Padrão liquórico: Bacteriana aguda (Hipoglicorraquia acentuada, Neutrófilos (PMN), Hiperproteinorraquia); Viral (Glicose normal ou levemente baixa, Linfócitos, Proteínas levemente elevadas); Tuberculosa (Glicose normal ou pouco diminuída, Linfomonocitário, Proteínas elevadas)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Descreve pressão de abertura normal, pleocitose linfocitária e hipoglicorraquia discreta. A pleocitose linfocitária é o padrão típico da meningite viral (e também da tuberculosa), não da bacteriana aguda. Além disso, na meningite bacteriana a pressão de abertura costuma estar elevada, e a hipoglicorraquia é acentuada, não discreta. A alternativa mistura características de diferentes etiologias, mas o erro mais evidente é o predomínio linfocitário.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Apresenta hiperglicorraquia com hiperproteinorraquia e citologia normal. A hiperglicorraquia (glicose elevada no liquor) não faz parte do padrão de nenhuma meningite infecciosa — na bacteriana, a glicose está diminuída. A citologia normal também afasta o diagnóstico, pois a meningite bacteriana cursa com pleocitose intensa. Esse padrão não corresponde a nenhuma etiologia comum de infecção do SNC.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a descrição clássica da meningite bacteriana aguda: hipoglicorraquia acentuada (glicose muito baixa), pleocitose com predomínio de polimorfonucleares (neutrófilos) e hiperproteinorraquia (proteínas elevadas). A tríade reflete a resposta inflamatória neutrofílica intensa, o consumo de glicose pelas bactérias e neutrófilos, e o aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica. A pressão de abertura também costuma estar elevada, embora não mencionada na alternativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Descreve glicose normal, celularidade aumentada com predomínio de linfócitos e aumento leve de proteínas. O predomínio linfocitário com glicose normal é o padrão típico da meningite viral (ou de meningites assépticas). Na bacteriana, a glicose está diminuída e o predomínio é de neutrófilos, não linfócitos. O aumento leve de proteínas também contrasta com a hiperproteinorraquia acentuada da infecção bacteriana.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Descreve ausência de células, proteínas e glicose normais com pressão elevada. A ausência de células (pleocitose) é incompatível com meningite bacteriana, que cursa com pleocitose intensa. Pressão elevada com liquor acelular pode ocorrer em outras condições, como hipertensão intracraniana idiopática, mas não em infecção bacteriana aguda. A alternativa não corresponde a nenhum padrão de meningite infecciosa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora trocar o predomínio celular para confundir: na bacteriana são polimorfonucleares (neutrófilos); na viral e na tuberculosa, linfócitos. Se a alternativa trouxer "linfocitária", desconfie imediatamente — a menos que o restante aponte claramente para outra etiologia. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪.

Gabarito: letra C — a única que descreve corretamente o padrão liquórico da infecção bacteriana aguda do SNC: hipoglicorraquia acentuada, pleocitose neutrofílica e hiperproteinorraquia.

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