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Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2025

MedicinaNeurologia
Código
qg420039
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Lorena - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Neurologista
Em relação ao Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVCH) hipertensivo, assinale a alternativa que descreve corretamente um achado típico de imagem ou anatomopatológico:
  1. AFormação de trombo rico em plaquetas na artéria cerebral média.
  2. BLesão isquêmica cortico-subcortical no território da artéria cerebral anterior.
  3. CDilatação venosa no território dos seios durais superiores.
  4. DHematoma parenquimatoso profundo com ruptura de microaneurismas de Charcot-Bouchard.
  5. EInfarto lacunar secundário a lipohialinose de pequenas artérias perfurantes.
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GabaritoD — Hematoma parenquimatoso profundo com ruptura de microaneurismas de Charcot-Bouchard.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico Hipertensivo: fisiopatologia e achados de imagem

Gabarito: letra D. O AVCH hipertensivo é causado pela ruptura de pequenas artérias perfurantes, que sofrem alterações degenerativas crônicas pela hipertensão (lipo-hialinose), podendo formar os microaneurismas de Charcot-Bouchard; o sangramento resultante é tipicamente um hematoma parenquimatoso profundo, nos núcleos da base, tálamo, ponte ou cerebelo. As demais alternativas descrevem mecanismos de AVC isquêmico (trombo, infarto lacunar) ou de outras etiologias (trombose venosa), não do AVCH hipertensivo.

O Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVCH) hipertensivo é uma emergência neurológica caracterizada por sangramento intraparenquimatoso espontâneo, não traumático, diretamente relacionado à hipertensão arterial sistêmica (HAS) crônica. A HAS é o principal fator de risco para o AVCH, sendo responsável por cerca de 70 a 90% dos casos. A compreensão da fisiopatologia é essencial para reconhecer os achados típicos de imagem e anatomopatológicos.

A hipertensão crônica lesa as artérias perfurantes de pequeno calibre (100 a 500 mícrons), que irrigam as estruturas profundas do cérebro. Esses vasos originam-se diretamente de artérias de maior calibre, como a artéria cerebral média, sem a gradual diminuição de calibre observada em outros territórios, ficando mais expostos aos efeitos deletérios da pressão elevada. A exposição crônica à HAS leva a alterações patológicas denominadas por Fisher de lipo-hialinose (ou lipo-hialinólise), que engloba dois processos: a aterosclerose dos ramos perfurantes maiores e a arterioloesclerose dos ramos menores. O saldo final é a diminuição do calibre e da complacência vascular, favorecendo tanto a oclusão (AVC isquêmico lacunar) quanto a ruptura (hemorragia intraparenquimatosa). Os conhecidos microaneurismas de Charcot-Bouchard são dilatações focais dessas pequenas artérias, encontrados na minoria dos casos estudados em necropsia, mas classicamente associados à ruptura que origina o hematoma hipertensivo.

Os sangramentos relacionados à hipertensão ocorrem em locais típicos, que correspondem aos territórios dessas artérias perfurantes: núcleos da base (35 a 45% dos casos), substância branca profunda (25%), tálamo (20%), cerebelo (15%) e tronco encefálico, principalmente na ponte (5%). Na tomografia computadorizada (TC) de crânio, o achado característico é um hematoma parenquimatoso profundo, hiperdenso, em uma dessas topografias, frequentemente com efeito de massa e possível extensão ventricular. A identificação da topografia típica é um dos primeiros passos na análise da TC, conforme descrito na literatura: "Na análise inicial da TC, deve-se avaliar se o sangramento ocorreu em topografia típica do AVCh relacionado a HAS".

A distinção fundamental que esta questão explora é entre os mecanismos do AVC isquêmico e do AVC hemorrágico. Enquanto o AVCH hipertensivo é causado pela ruptura de um vaso (com formação de hematoma), o AVC isquêmico é causado pela oclusão de um vaso, seja por um trombo (formação de trombo rico em plaquetas na artéria cerebral média), seja por uma lipohialinose que leva à oclusão de pequenas artérias perfurantes (infarto lacunar). A trombose venosa cerebral, por sua vez, é uma etiologia distinta de AVCH, mas não relacionada à hipertensão, e se manifesta com dilatação venosa e infartos venosos, frequentemente com transformação hemorrágica.

A pegadinha da banca está em apresentar alternativas que descrevem corretamente outros tipos de AVC ou outras etiologias de hemorragia, mas que não correspondem ao AVCH hipertensivo. O candidato que não domina a fisiopatologia pode confundir o infarto lacunar (que também envolve as artérias perfurantes) com o AVCH hipertensivo, ou a trombose venosa (que também pode causar sangramento) com a hemorragia hipertensiva. A chave é lembrar que o AVCH hipertensivo é um hematoma profundo por ruptura, não uma lesão isquêmica ou venosa.

Guarde a fronteira entre os mecanismos: ruptura de vaso (hemorragia) versus oclusão de vaso (isquemia). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

1Mecanismo
Ruptura de artéria perfurante
Lipo-hialinose (HAS crônica)
Microaneurismas de Charcot-Bouchard
2Topografia típica
Núcleos da base
Tálamo
Ponte
Cerebelo
3Achado de imagem
Hematoma parenquimatoso profundo
Hiperdenso na TC
4Distinção-chave
Ruptura de vaso → hemorragia
Oclusão de vaso → isquemia
AVCH hipertensivo
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AVCH hipertensivo: Mecanismo (Ruptura de artéria perfurante, Lipo-hialinose (HAS crônica), Microaneurismas de Charcot-Bouchard); Topografia típica (Núcleos da base, Tálamo, Ponte, Cerebelo); Achado de imagem (Hematoma parenquimatoso profundo, Hiperdenso na TC); Distinção-chave (Ruptura de vaso → hemorragia, Oclusão de vaso → isquemia)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A formação de trombo rico em plaquetas na artéria cerebral média é o mecanismo típico do AVC isquêmico, não do hemorrágico. A oclusão de uma artéria cerebral por um trombo leva à isquemia e infarto no território correspondente, não à formação de um hematoma parenquimatoso. No AVCH hipertensivo, o evento é a ruptura de uma pequena artéria perfurante, não a oclusão de uma artéria de grande calibre.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A lesão isquêmica cortico-subcortical no território da artéria cerebral anterior descreve um infarto isquêmico em um território cortical, não um hematoma hemorrágico. O AVCH hipertensivo, por sua vez, ocorre tipicamente em regiões profundas (núcleos da base, tálamo, ponte, cerebelo), irrigadas por artérias perfurantes, e não no território cortical da artéria cerebral anterior.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A dilatação venosa no território dos seios durais superiores sugere trombose venosa cerebral, uma etiologia distinta de AVCH, mas não relacionada à hipertensão arterial. A trombose venosa pode causar infartos venosos com transformação hemorrágica, mas o mecanismo é a oclusão venosa, não a ruptura de uma artéria perfurante por hipertensão. Além disso, a topografia (seios durais) não corresponde aos locais típicos do AVCH hipertensivo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O hematoma parenquimatoso profundo com ruptura de microaneurismas de Charcot-Bouchard é o achado típico do AVCH hipertensivo. A hipertensão crônica causa lipo-hialinose nas pequenas artérias perfurantes, que podem formar os microaneurismas de Charcot-Bouchard; a ruptura desses vasos fragilizados origina o hematoma em locais profundos como núcleos da base, tálamo, ponte e cerebelo. A alternativa descreve corretamente tanto o mecanismo (ruptura de microaneurismas) quanto a localização (parenquimatoso profundo).

Alternativa E — ❌ Incorreta

O infarto lacunar secundário a lipohialinose de pequenas artérias perfurantes descreve o mecanismo do AVC isquêmico lacunar, não do hemorrágico. A lipohialinose pode levar tanto à oclusão (infarto lacunar) quanto à ruptura (hemorragia), mas a alternativa descreve especificamente a consequência isquêmica (infarto), não a hemorrágica. No AVCH hipertensivo, o achado é o hematoma, não o infarto.

Gabarito: letra D

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