Sobre os fatores de risco para trombose venosa cerebral (TVC) em pacientes com traumatismo cranioencefálico, assinale a alternativa correta:
AO traumatismo craniano é fator protetor contra trombose venosa cerebral.
BA associação entre trauma e TVC é restrita a fraturas de base de crânio.
CO trauma é considerado fator externo desencadeante de TVC.
DApenas infecções associadas ao trauma explicam a trombose venosa.
ETVC pós-trauma ocorre somente após hemorragias subaracnóideas graves.
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GabaritoC — O trauma é considerado fator externo desencadeante de TVC.
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Trombose venosa cerebral (TVC) e traumatismo cranioencefálico
Gabarito: letra C. O trauma é reconhecido como fator externo desencadeante de trombose venosa cerebral (TVC), pois o traumatismo cranioencefálico (TCE) lesa diretamente a parede dos seios venosos durais e libera fator tecidual, ativando a cascata de coagulação — mecanismo que o classifica como fator de risco adquirido, e não protetor. As demais alternativas erram ao restringir a associação a fraturas de base de crânio, a infecções ou a hemorragias subaracnóideas graves, quando o trauma é, por si só, um desencadeante reconhecido.
A trombose venosa cerebral é uma forma de acidente vascular cerebral (AVC) causada pela oclusão de um seio venoso dural ou de uma veia cerebral, levando a congestão venosa, edema e, eventualmente, infarto hemorrágico. Diferentemente do AVC isquêmico arterial, a TVC acomete mais adultos jovens e mulheres, e seus fatores de risco são divididos em adquiridos (como trauma, infecções, neoplasias, uso de anticoncepcionais orais, gestação e puerpério) e hereditários (trombofilias). O traumatismo cranioencefálico é um fator de risco adquirido bem documentado: o impacto pode causar lesão direta da parede do seio venoso (dissecção ou laceração), além de liberar fator tecidual do tecido cerebral lesado, que ativa a via extrínseca da coagulação. Esse mecanismo é análogo ao que ocorre no tromboembolismo venoso (TEV) sistêmico, em que o trauma é listado como fator de risco moderado a alto — como visto nas tabelas de fatores de risco para TVP, que incluem "trauma, principalmente fratura" como risco moderado e "traumatismo" como fator adquirido.
Na prática clínica, a TVC pós-traumática pode ocorrer mesmo em TCEs leves, sem fratura de crânio, e o diagnóstico exige alto índice de suspeição, pois os sintomas (cefaleia, déficits focais, crises convulsivas) podem ser atribuídos ao próprio trauma. A confirmação é feita por angio-TC ou angio-RM dos seios venosos. O tratamento envolve anticoagulação (mesmo na presença de hemorragia, em casos selecionados) e controle da pressão intracraniana.
A pegadinha central desta questão é a tentativa de restringir a associação trauma-TVC a subgrupos específicos (fraturas de base, infecções, hemorragias graves). A banca explora a confusão entre "fator de risco" e "fator protetor", e entre "fator desencadeante" e "condição necessária". O trauma é um fator desencadeante independente — não depende de infecção nem de fratura para causar TVC, embora essas condições possam coexistir e aumentar ainda mais o risco.
Guarde o critério que separa as alternativas: o trauma é um fator de risco externo e desencadeante de TVC, não protetor, não restrito a fraturas, não dependente de infecções e não limitado a hemorragias graves. É exatamente essa abrangência que a alternativa C captura.
TVC pós-trauma (TCE): Mecanismo (Lesão direta da parede do seio venoso, Liberação de fator tecidual → ativa coagulação); Classificação (Fator de risco adquirido, Fator externo desencadeante); Abrangência (Qualquer TCE, mesmo leve, Sem fratura de crânio, Sem infecção associada, Sem hemorragia grave)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o traumatismo craniano é fator protetor contra TVC. É o oposto: o trauma é fator de risco (desencadeante), pois lesa a parede venosa e ativa a coagulação. Não há qualquer mecanismo protetor; pelo contrário, o TCE aumenta a chance de trombose venosa cerebral.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Restringe a associação entre trauma e TVC a fraturas de base de crânio. Embora fraturas que atravessam os seios venosos (como as de base) aumentem o risco, a TVC pode ocorrer em TCEs sem fratura, por lesão direta do seio ou por liberação de fator tecidual. A associação não é restrita a esse subgrupo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O trauma é considerado fator externo desencadeante de TVC. Isso está correto: o traumatismo cranioencefálico é um fator de risco adquirido, que desencadeia a trombose por mecanismos como lesão da parede do seio venoso e ativação da coagulação pelo fator tecidual liberado do tecido cerebral lesado. É a única alternativa que descreve corretamente o papel do trauma.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que apenas infecções associadas ao trauma explicam a trombose venosa. As infecções (como sinusite, mastoidite, meningite) são fatores de risco importantes para TVC, mas não são as únicas vias — o trauma por si só, sem infecção, já é suficiente para desencadear a trombose. A alternativa exclui indevidamente o mecanismo traumático direto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Limita a TVC pós-trauma a hemorragias subaracnóideas graves. A TVC pode ocorrer após qualquer TCE, inclusive leves, sem hemorragia subaracnóidea. A hemorragia é uma possível consequência do trauma, mas não é condição necessária para a trombose venosa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer você acreditar que o trauma só causa TVC em situações específicas (fratura, infecção, hemorragia grave). Na verdade, o trauma é um fator desencadeante independente — qualquer TCE pode levar à TVC, mesmo sem essas complicações. Fique atento a palavras como "apenas", "somente" e "restrita": elas quase sempre sinalizam uma restrição indevida.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre fatores de risco de trombose, lembre-se da tríade de Virchow: estase venosa, lesão endotelial e hipercoagulabilidade. O trauma se encaixa na lesão endotelial (dano à parede do seio venoso) e na hipercoagulabilidade (liberação de fator tecidual). Se a alternativa mencionar um fator que não se encaixa em nenhum dos três mecanismos, desconfie.