Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — Avança SP 2025
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
qg426128
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Lorena - SP
Ano
2025
Nível
Superior
A insuficiência renal pode provocar alterações significativas no equilíbrio ácido-básico do organismo, resultando em quadros de acidose metabólica com anion-gap aumentado. Considerando as informações sobre a etiologia e o tratamento desse distúrbio, assinale a alternativa correta:
AA obstrução aguda da função excretora renal causa alcalose metabólica devido à eliminação excessiva de bicarbonato.
BA insuficiência renal pode levar a uma acidose metabólica por um quadro agudo (falência renal aguda) ou crônico, que se manifestará com uremia.
CA perda aguda da função renal aumenta a concentração sérica de bicarbonato, reduzindo o risco de acidose.
DO tratamento deve ser feito com infusão rápida e abundante de bicarbonato, sem risco de complicações relacionadas ao volume extracelular.
EEm casos de acidose leve, a hemodiálise é contraindicada, pois pode piorar a retenção de ácidos endógenos.
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GabaritoB — A insuficiência renal pode levar a uma acidose metabólica por um quadro agudo (falência renal aguda) ou crônico, que se manifestará com uremia.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Acidose metabólica na insuficiência renal: etiologia e tratamento
Gabarito: letra B. A insuficiência renal — aguda ou crônica — é causa clássica de acidose metabólica com ânion-gap aumentado, manifestando-se clinicamente com uremia quando há acúmulo de escórias nitrogenadas. As demais alternativas invertem o distúrbio (falam em alcalose), erram o efeito sobre o bicarbonato ou propõem condutas inadequadas e perigosas.
A acidose metabólica é um distúrbio do equilíbrio ácido-básico caracterizado pela redução do pH sanguíneo e do bicarbonato sérico (HCO₃⁻), secundário ao acúmulo de ácidos ou à perda de bases. No rim, a função de excretar ácidos e regenerar bicarbonato é essencial para a homeostase; quando há disfunção renal, essa capacidade fica comprometida, levando à acidose. A classificação mais útil na prática clínica divide a acidose metabólica pelo ânion-gap (AG), que é a diferença entre os cátions e ânions mensuráveis no plasma (AG = Na⁺ − [Cl⁻ + HCO₃⁻]). Quando o AG está aumentado, há acúmulo de ácidos não mensuráveis (lactato, cetoácidos, toxinas, ácidos urêmicos); quando está normal, há perda de bicarbonato (diarreia, acidose tubular renal) ou hipercloremia.
A insuficiência renal — tanto a aguda (falência renal aguda) quanto a crônica — é uma das quatro grandes causas de acidose metabólica com ânion-gap aumentado, ao lado da acidose láctica, da cetoacidose e da ingestão de toxinas. No paciente urêmico, o acúmulo de ácidos orgânicos (fosfatos, sulfatos, ácidos orgânicos) e a incapacidade de excretar hidrogênio e regenerar bicarbonato geram a acidose. A uremia, por sua vez, é a síndrome clínica decorrente do acúmulo de substâncias do metabolismo nitrogenado (ureia, creatinina) pela eliminação insuficiente, manifestando-se com anorexia, náuseas, vômitos, astenia, prurido e, em casos graves, encefalopatia, pericardite e sangramentos.
O tratamento da acidose metabólica, em quase todas as situações, é direcionado ao controle da causa de base. O uso de bicarbonato de sódio endovenoso é reservado a situações específicas (pH < 7,15 ou < 6,9 na cetoacidose diabética) e não é isento de riscos: pode causar sobrecarga volêmica, hipernatremia, alcalose metabólica de rebote e até piora da acidose intracelular, pois o bicarbonato infundido tampona o H⁺ gerando CO₂, que precisa ser eliminado pela ventilação. Em pacientes com disfunção renal e oligúria/anúria, a reposição de bicarbonato é pouco tolerada, e a hemodiálise torna-se a opção mais eficaz para o controle acidobásico, pois corrige o bicarbonato sérico e remove ácidos endógenos — embora não trate a causa da acidose.
A pegadinha central desta questão é a inversão do distúrbio: a banca tenta fazer o candidato acreditar que a obstrução renal causa alcalose ou que aumenta o bicarbonato, quando na verdade o que ocorre é acidose com queda do HCO₃⁻. Além disso, explora o erro comum de considerar a infusão rápida e abundante de bicarbonato como conduta segura, ignorando os riscos de hipervolemia e hipernatremia, especialmente no paciente renal.
Guarde a tríade que decide a questão: (1) insuficiência renal → acidose metabólica com AG aumentado; (2) uremia é a manifestação clínica do acúmulo de escórias; (3) tratamento com bicarbonato é arriscado e a diálise é a opção eficaz no paciente renal. É exatamente nesses três pontos que as alternativas se dividem.
Acidose metabólica com AG aumentado
1Causas
Acidose láctica
Cetoacidose
Ingestão de toxinas
Insuficiência renal (aguda ou crônica)
2Manifestação clínica
Uremia (acúmulo de escórias nitrogenadas)
3Tratamento
Bicarbonato de sódio
Risco de hipervolemia
Risco de hipernatremia
Alcalose de rebote
Hemodiálise
Corrige bicarbonato
Remove ácidos endógenos
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a obstrução aguda da função excretora renal causa alcalose metabólica por eliminação excessiva de bicarbonato. Há dupla inversão: a obstrução renal aguda compromete a excreção de ácidos e a regeneração de bicarbonato, levando a acidose metabólica, não alcalose. Além disso, na disfunção renal não há eliminação excessiva de bicarbonato — ao contrário, há queda na produção e retenção de ácidos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A insuficiência renal — aguda (falência renal aguda) ou crônica — é causa de acidose metabólica com ânion-gap aumentado, e a uremia é a manifestação clínica do acúmulo de escórias nitrogenadas. O texto de apoio confirma: "Existem quatro principais causas [de acidose com AG aumentado]: 1. Acidose láctica. 2. Cetoacidose. 3. Ingestão de toxinas. 4. Insuficiência renal aguda ou crônica" e "A uremia é uma síndrome clínica decorrente do acúmulo de substâncias do metabolismo nitrogenado pela eliminação insuficiente na disfunção renal". A alternativa espelha exatamente essa relação fisiopatológica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a perda aguda da função renal aumenta a concentração sérica de bicarbonato, reduzindo o risco de acidose. É o oposto: na disfunção renal há queda nos níveis de bicarbonato e pH, gerando acidose metabólica. O texto de apoio é explícito: "na disfunção renal, normalmente há queda nos níveis de bicarbonato e pH, gerando acidose metabólica". A perda da função renal aumenta o risco de acidose, não o reduz.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Propõe tratamento com infusão rápida e abundante de bicarbonato, "sem risco de complicações". É perigosa e incorreta: a infusão de bicarbonato pode causar sobrecarga volêmica, hipernatremia, alcalose metabólica de rebote e piora da acidose intracelular. No paciente com disfunção renal, oligúria e hipervolemia, essa reposição é pouco tolerada, e a diálise é a opção mais eficaz. O texto de apoio alerta: "a reposição endovenosa de álcalis (bicarbonato de sódio) é um tratamento clínico eficaz para controle do pH, porém associado a efeitos adversos como hipervolemia e hipernatremia, geralmente pouco tolerados em pacientes com disfunção renal".
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que, em acidose leve, a hemodiálise é contraindicada por piorar a retenção de ácidos endógenos. É o inverso: a hemodiálise é indicada justamente para remover ácidos endógenos e corrigir o bicarbonato sérico no paciente renal, sendo opção eficaz no controle acidobásico. O texto de apoio afirma: "a hemodiálise corrige o nível sérico de bicarbonato, mas não a causa da acidose" — ou seja, ela é benéfica, não contraindicada, e não piora a retenção de ácidos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte o distúrbio ácido-básico (alcalose no lugar de acidose) e o efeito sobre o bicarbonato (aumento no lugar de queda), além de apresentar a infusão agressiva de bicarbonato como conduta segura. O candidato que decora a regra geral — "insuficiência renal causa acidose" — mas não associa a uremia e os riscos do bicarbonato no paciente renal cai nas alternativas A, C e D. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte o mapa mental da acidose metabólica com AG aumentado: (1) acidose láctica, (2) cetoacidose, (3) toxinas, (4) insuficiência renal. Associe cada causa ao seu marcador: lactato, cetoácidos, toxina específica, ureia/creatinina. E lembre: no rim doente, bicarbonato em excesso = hipervolemia + hipernatremia; diálise é a arma para corrigir o pH.