Questão de Medicina — Medicina Intensiva — Avança SP 2025
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qg426131
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Lorena - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Durante uma parada cardiorrespiratória, a reanimação cardiopulmonar (RCP) deve ser iniciada o mais rápido possível para garantir a manutenção do fluxo sanguíneo e da oxigenação dos tecidos até a chegada do suporte avançado de vida. Nesse contexto, assinale a alternativa correta quanto à técnica e aos cuidados na execução da RCP em adultos:
AAs compressões torácicas devem ser realizadas na metade inferior do esterno, com braços flexionados e ritmo livre, conforme a resistência do tórax do paciente.
BO socorrista deve interromper as compressões a cada 30 segundos para checar o pulso carotídeo, a fim de avaliar se a RCP está sendo eficaz.
CAs compressões torácicas devem ter profundidade de aproximadamente 5 cm, realizadas com os braços estendidos, ombros alinhados às mãos, permitindo reexpansão completa do tórax entre as compressões.
DDurante as ventilações, o socorrista deve aplicar ar continuamente, sem pausas, para evitar perda de tempo entre as compressões torácicas.
ECaso o paciente apresente rigidez torácica, é recomendável interromper as compressões e priorizar apenas as ventilações até a chegada de equipe médica.
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GabaritoC — As compressões torácicas devem ter profundidade de aproximadamente 5 cm, realizadas com os braços estendidos, ombros alinhados às mãos, permitindo reexpansão completa do tórax entre as compressões.
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Reanimação cardiopulmonar (RCP) em adultos: técnica e cuidados
Gabarito: letra C. A alternativa correta descreve com precisão a técnica de compressões torácicas de alta qualidade: profundidade de aproximadamente 5 cm, braços estendidos, ombros alinhados às mãos e reexpansão completa do tórax entre as compressões — exatamente o que preconizam as diretrizes de suporte básico de vida (AHA/SBC). As demais alternativas distorcem elementos essenciais da RCP: local de compressão, ritmo, interrupções para checagem de pulso, padrão ventilatório e conduta diante de rigidez torácica.
A RCP de alta qualidade é o conjunto de manobras que maximiza a perfusão coronariana e cerebral durante a parada cardiorrespiratória (PCR). Seus pilares são: iniciar as compressões em até 10 segundos após confirmar a PCR, comprimir com profundidade adequada (5 a 6 cm no adulto), manter ritmo de 100 a 120 compressões por minuto, permitir o retorno completo do tórax após cada compressão e minimizar interrupções (que não devem ultrapassar 10 segundos). A posição correta das mãos é no centro do tórax, sobre a metade inferior do esterno, com os braços estendidos e os ombros alinhados verticalmente sobre as mãos — isso permite que a força do tronco seja transmitida de forma eficiente e reduz a fadiga do socorrista.
A profundidade de 5 a 6 cm no adulto é o alvo recomendado, pois compressões mais superficiais não geram fluxo sanguíneo adequado, enquanto compressões superiores a 6 cm aumentam o risco de lesões (fraturas de costelas, lesões de órgãos internos). A reexpansão completa do tórax entre as compressões é crucial: permite o retorno venoso e o enchimento cardíaco, otimizando o débito cardíaco na compressão seguinte. Interrupções frequentes ou prolongadas reduzem drasticamente a pressão de perfusão coronariana — após uma pausa, leva-se cerca de 1 minuto de RCP de qualidade para restabelecer a perfusão prévia.
A ventilação na RCP segue a relação de 30 compressões para 2 ventilações (quando não há via aérea avançada), com cada ventilação durando cerca de 1 segundo e produzindo elevação visível do tórax. Ventilações excessivas ou sem pausa são prejudiciais: aumentam a pressão intratorácica, reduzem o retorno venoso e comprometem o débito cardíaco. Após a instalação de via aérea avançada, as compressões tornam-se contínuas, com 1 ventilação a cada 6 segundos (10 ventilações por minuto), sem pausa para ventilar.
A checagem de pulso carotídeo deve ser feita apenas no início da avaliação (em até 10 segundos) e, durante a RCP, as interrupções para checar pulso ou ritmo devem ser mínimas e breves — nunca a cada 30 segundos, pois isso comprometeria gravemente a perfusão. A rigidez torácica (que pode ocorrer em situações como rigidez muscular por hipóxia ou em pacientes com doenças neuromusculares) não é indicação para interromper as compressões; a prioridade é manter a RCP de qualidade, ajustando a técnica se necessário.
A pegadinha central desta questão é a banca misturar elementos corretos e incorretos da técnica de RCP em cada alternativa, testando se o candidato domina os detalhes precisos das diretrizes. O critério decisivo para separar as alternativas é o conhecimento dos parâmetros exatos: local de compressão (metade inferior do esterno), profundidade (5-6 cm), ritmo (100-120/min), posição dos braços (estendidos), reexpansão torácica (completa), relação compressão-ventilação (30:2) e a regra de minimizar interrupções.
1Iniciar em até 10s
2Comprimir 5-6 cm
3Ritmo 100-120/min
4Reexpansão completa do tórax
5Minimizar interrupções (≤10s)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está em "braços flexionados e ritmo livre, conforme a resistência do tórax". A técnica correta exige braços estendidos (cotovelos travados) para transmitir a força do tronco, e o ritmo deve ser fixo, de 100 a 120 compressões por minuto — não "livre" nem adaptado à resistência torácica. O local (metade inferior do esterno) está correto, mas os demais elementos tornam a alternativa falsa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Interromper as compressões a cada 30 segundos para checar pulso é um erro grave. As diretrizes preconizam minimizar as interrupções — a checagem de pulso deve ser feita apenas no início (até 10 segundos) e, durante a RCP, as pausas para verificar ritmo/pulso devem ser as mais breves possíveis, idealmente não ultrapassando 10 segundos. Interrupções frequentes reduzem a pressão de perfusão coronariana e pioram o prognóstico.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve com precisão a técnica de compressões de alta qualidade: profundidade de aproximadamente 5 cm (a faixa recomendada é 5-6 cm), braços estendidos, ombros alinhados às mãos (posição que otimiza a biomecânica) e reexpansão completa do tórax entre as compressões (essencial para o retorno venoso). Todos os elementos estão corretos e alinhados às diretrizes de SBV.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Aplicar ar continuamente, sem pausas, é prejudicial. A ventilação deve ser intermitente, na relação de 30 compressões para 2 ventilações (sem via aérea avançada), com cada ventilação durando cerca de 1 segundo. Ventilações contínuas ou excessivas aumentam a pressão intratorácica, reduzem o retorno venoso e comprometem o débito cardíaco — além de causarem distensão gástrica e risco de broncoaspiração.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A rigidez torácica não é indicação para interromper as compressões. A prioridade absoluta na PCR é manter a RCP de qualidade; interromper as compressões para "priorizar apenas ventilações" deixaria o paciente sem perfusão, comprometendo qualquer chance de sobrevivência. A conduta correta é manter as compressões, ajustando a técnica se necessário, e buscar suporte avançado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura elementos corretos e incorretos da técnica de RCP em cada alternativa. Na alternativa A, o local de compressão está certo, mas "braços flexionados" e "ritmo livre" são erros sutis que podem passar despercebidos. Na B, a checagem de pulso a cada 30 segundos parece "cautelosa", mas contraria a regra de minimizar interrupções. Na D, "aplicar ar continuamente" parece eficiente, mas é exatamente o oposto do recomendado. O candidato que não domina os parâmetros exatos (profundidade 5-6 cm, ritmo 100-120/min, braços estendidos, reexpansão completa, relação 30:2) cai facilmente nessas armadilhas.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de RCP, memorize os parâmetros-chave como uma tabela mental: profundidade (adulto: 5-6 cm; criança: 5 cm; lactente: 4 cm), ritmo (100-120/min), relação compressão-ventilação (30:2 sem via aérea avançada; 1 ventilação a cada 6 segundos com via aérea avançada), e a regra de ouro: minimizar interrupções (nunca >10 segundos). Na prova, desconfie de alternativas que usam termos vagos como "ritmo livre", "conforme a resistência" ou "continuamente" — as diretrizes são precisas e quantificadas.