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Questão de Português — Interpretação de Textos — FEPESE 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg458854
Banca
FEPESE
Órgão
Prefeitura de Chapecó - SC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor - Língua Portuguesa
Texto 2

Leia o texto abaixo para responder à questão.


Não traiam o Machado.


Rio de Janeiro - Mais uma vez Machado de Assis no vestibular. Dois capítulos de “Dom Casmurro”, na prova de Português aí em São Paulo. Ao menos assim Machado vai sendo conhecido, ou imposto, entre a meninada. Se entendi bem as questões propostas e as resoluções que saíram no “Fovest 92”, a prova não apenas opta pela versão do ciúme, como nela insiste de maneira tão enfática que nem admite sombra de controvérsia.

A hipótese aí encampada, de que Capitu não traiu Bentinho, um Bentinho paranoicamente ciumento qual Otelo, está fundamentada em “O enigma de Capitu”. Apareceu de fato no ensaio de interpretação de Eugênio Gomes, publicado em 1967. Muitas vozes discordaram da hipótese gratuita e absurda, que terá sido levantada como simples quebra-cabeça, um joguinho enigmático para descansar o espírito numa hora de folga e tédio.

Quem fica tiririca, e com toda razão, com essa história mal contada, e tão mal contada que desmente o próprio Machado, é o Dalton Trevisan, machadiano de mão cheia e olho agudíssimo. Pois nessa prova do vestibular, o drama do Bentinho se apresenta como “centrado no ciúme doentio e na suposta traição de sua esposa”. Suposta? De onde os senhores professores tiraram este despropósito e o passam aos imberbes e indefesos vestibulandos? “Dom Casmurro” saiu em 1900. Machado morreu em 1908. Nenhum crítico nesses oito anos jamais ousou negar o adultério de Capitu.

Leiam a carta do Graça Aranha, amigo pessoal do Machado: “Casada, teve por amante o maior amigo do marido”. Voltem ao artigo do Medeiros e Albuquerque. Dar o Bentinho como “o nosso Otelo” é pura fantasia. Bestialógico mesmo. Um disparate indigno de pisar no vestíbulo da universidade. Refinadíssimo escritor, mestre do subentendido, virtuose da meia palavra, do “understatement”, Machado jamais desabaria numa grosseira cena de alcova, como num flagrante policial de adultério. (…)

Machado merece respeito!


Otto Lara Resende - Folha de S. Paulo, - 08/01/1992 – texto editado
Do trecho retirado do Texto 2, são propostas substituições no emprego da conjunção.Se Machado quisesse escolher uma alternativa, ele o teria feito, e sem perda de elegância.Assinale a alternativa que mantem o significado original da construção.
  1. ACaso Machado quisesse escolher uma alternativa (…)
  2. BUma vez que Machado quisesse escolher uma alternativa (…)
  3. CMesmo que Machado quisesse escolher uma alternativa (…)
  4. DAinda que Machado quisesse escolher uma alternativa (…)
  5. EÀ medida que Machado quisesse escolher uma alternativa (…)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Caso Machado quisesse escolher uma alternativa (…)

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Conjunção "se" e sua equivalência condicional

Gabarito: letra A. A única alternativa que preserva o sentido condicional original da conjunção "se" é "Caso", pois ambas expressam condição. As demais alteram a relação lógica para concessiva, causal ou proporcional.

Análise

A frase original apresenta uma estrutura condicional: "Se Machado quisesse escolher uma alternativa, ele o teria feito...". A conjunção "se" introduz uma hipótese necessária para que a consequência ocorra. A tarefa é substituir "se" por outra conjunção que mantenha essa mesma relação de condição.

1Condicionais
Se
Caso
Uma vez que (ambíguo)
2Concessivas
Mesmo que
Ainda que
3Causais
Uma vez que (uso comum)
4Proporcionais
À medida que
Conjunções
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Conjunções: Condicionais (Se, Caso, Uma vez que (ambíguo)); Concessivas (Mesmo que, Ainda que); Causais (Uma vez que (uso comum)); Proporcionais (À medida que)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conjunção "Caso" é classicamente condicional, equivalente a "se". A substituição mantém o sentido original: uma hipótese que, se realizada, levaria à consequência. Exemplo: "Caso chova, não sairemos" = "Se chover, não sairemos". Portanto, a alternativa A preserva a relação de condição.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Uma vez que" possui dois empregos principais: causal (com verbo no indicativo, equivalente a "porque") e condicional (com verbo no subjuntivo, menos frequente e mais formal). No contexto, como o verbo está no subjuntivo ("quisesse"), a leitura condicional é possível, mas o sentido causal também pode ser inferido, gerando ambiguidade. A banca considerou que não mantém o significado original de forma inequívoca, pois o uso mais comum de "uma vez que" é causal. Erro: troca de sentido (causal x condicional).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Mesmo que" é conjunção concessiva, indicando oposição ou ressalva: expressa uma ideia contrária à expectativa. Exemplo: "Mesmo que chova, sairei" (a chuva não impede a saída). Na frase original, a ideia é de condição, não de concessão. Erro: troca de relação lógica (condicional por concessiva).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Ainda que" é sinônimo de "mesmo que", também concessivo. Mantém o mesmo erro da alternativa C. Erro: troca de relação lógica (condicional por concessiva).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"À medida que" expressa proporção: uma ação ocorre em paralelo a outra, com ideia de simultaneidade e progressão. Exemplo: "À medida que estudamos, aprendemos". Não há relação de condição. Erro: troca de relação lógica (condicional por proporcional).

Conclusão

A única alternativa que substitui a conjunção "se" sem alterar o sentido condicional original é "Caso" (letra A). As demais introduzem relações semânticas diferentes (causal/ambígua, concessiva, proporcional), o que as torna inadequadas.

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