O papel da Defensoria Pública como instrumento de efetivação do acesso à justiça dos
vulneráveis
Por César Augusto Luiz Leonardo e Aline Buzete Gardinal
(Disponível em: https://www.portaldeperiodicos.idp.edu.br/direitopublico/article/view/3527 – texto adaptado
especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que indica corretamente a função sintática da oração subordinativa sublinhada no trecho a seguir:
“partindo-se da compreensão de que não cabia ao Estado sua intervenção ou preservação”.
ASujeito.
BComplemento nominal.
CAdjunto adnominal.
DObjeto direto.
EObjeto indireto.
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GabaritoB — Complemento nominal.
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Função sintática da oração subordinada substantiva completiva nominal
Gabarito: letra B. A oração sublinhada “de que não cabia ao Estado sua intervenção ou preservação” exerce a função de complemento nominal, pois completa o sentido do substantivo abstrato “compreensão”, que exige um complemento preposicionado. A passagem que ancora a análise é:
“partindo-se da compreensão de que não cabia ao Estado sua intervenção ou preservação”
A preposição “de” é o índice da função sintática: ela liga a oração ao nome “compreensão”, formando uma oração subordinada substantiva completiva nominal.
Como resolver
Primeiro, identifique o termo que antecede a oração sublinhada. No trecho, temos o substantivo “compreensão” (núcleo do objeto indireto do verbo “partir-se”). Esse substantivo é abstrato e pede um complemento para ter sentido completo: compreensão de quê? — de que não cabia ao Estado sua intervenção ou preservação.
A oração introduzida por “de que” funciona como um substantivo (por isso é subordinada substantiva) e completa o sentido de um nome (não de um verbo). Quando o complemento se liga a um nome por preposição, ele é complemento nominal.
Oração subordinada substantiva
1Completa sentido de um NOME
Substantivo abstrato
Adjetivo
Advérbio
Exige preposição
→ Complemento nominal
2Completa sentido de um VERBO
Com preposição
→ Objeto indireto
Sem preposição
→ Objeto direto
3Caracteriza o nome (não exigido)
→ Adjunto adnominal
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Sujeito. A oração não pratica nem sofre a ação expressa pelo verbo da oração principal. O sujeito de “partindo-se” é indeterminado (partícula “se” + verbo transitivo indireto = índice de indeterminação do sujeito), e a oração sublinhada não exerce papel de sujeito em lugar algum. Para ser sujeito, a oração deveria responder à pergunta “o que?” antes do verbo, como em “É necessário que você estude” — não é o caso.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como explicado, a oração completa o sentido do substantivo “compreensão”, que exige a preposição “de”. Isso é a definição exata de complemento nominal: termo que integra o sentido de um nome (substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio) por meio de preposição. A oração é, portanto, uma completiva nominal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Adjunto adnominal. O adjunto adnominal tem função adjetiva — caracteriza o substantivo sem ser exigido por ele (ex.: “a compreensão do aluno”). No trecho, a oração é exigida pelo nome “compreensão” (não se diz apenas “a compreensão” sem completar o sentido). Além disso, o adjunto adnominal não é introduzido por preposição obrigatória exigida pelo nome; aqui a preposição “de” é regida pelo substantivo, o que caracteriza complemento nominal, não adjunto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Objeto direto. Objeto direto completa o sentido de um verbo transitivo direto, sem preposição. No trecho, a oração não se liga a verbo algum — liga-se ao substantivo “compreensão”. Portanto, não pode ser objeto direto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Objeto indireto. Objeto indireto completa o sentido de um verbo transitivo indireto, com preposição. A oração sublinhada não complementa verbo; complementa o nome “compreensão”. Logo, não é objeto indireto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre complemento nominal e objeto indireto — ambos são preposicionados. A diferença está no núcleo a que se ligam: se o termo completa um verbo, é objeto indireto; se completa um nome, é complemento nominal. Aqui, o núcleo é o substantivo “compreensão”.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar, pergunte: “o termo completa o sentido de um verbo ou de um nome?”. Se for nome, é complemento nominal; se for verbo, é objeto (direto ou indireto).