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Questão de Direito Administrativo — Improbidade administrativa - Lei nº 8.429 de 1992 e Lei nº 14.230 de 2021 — FUNDATEC 2025

Direito AdministrativoImprobidade administrativa - Lei nº 8.429 de 1992 e Lei nº 14.230 de 2021
Código
qg485634
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Imbé - RS
Ano
2025
Nível
Superior
Pedro foi condenado pela prática de ato de improbidade administrativa, pois liberou recursos de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular. Considerando as disposições da Lei de Improbidade Administrativa e a situação hipotética, assinale a alternativa correta.
  1. AA conduta de Pedro não se enquadra como algum ato de improbidade administrativa descrito pela referida Lei, de sorte que a condenação é nula.
  2. BEventual pedido de indisponibilidade de bens de Pedro não poderá ser feito sem a sua prévia oitiva.
  3. CCaso a conduta de Pedro seja caracterizada como de menor ofensa aos bens jurídicos tutelados pela Lei de Improbidade Administrativa, ainda assim deverá ser aplicada a pena de perda da função pública.
  4. DCaso Pedro tenha adquirido, por herança, uma casa e esta seja considerada um bem de família, poderá ser decretada a indisponibilidade da casa.
  5. ENão haverá remessa necessária da sentença prolatada contra Pedro.
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GabaritoE — Não haverá remessa necessária da sentença prolatada contra Pedro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Improbidade Administrativa – Remessa Necessária e Tipificação

Gabarito: letra E. As sentenças proferidas em ações de improbidade administrativa não estão sujeitas ao reexame necessário (remessa necessária), pois o art. 496 do Código de Processo Civil prevê essa exigência apenas para as sentenças contrárias aos entes públicos ali listados, e o réu condenado em improbidade é pessoa física ou jurídica de direito privado, não se enquadrando na hipótese. A conduta de Pedro – liberar recursos de parcerias sem observância das normas – constitui ato de improbidade que causa prejuízo ao erário, tipificado no art. 10, XX e XXI, da Lei 8.429/1992.

A questão exige conhecimento da Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/1992, com alterações da Lei 14.230/2021) e do Código de Processo Civil, além de jurisprudência consolidada do STJ sobre remessa necessária e bem de família.

Art. 10Lei-8429

Art. 10 – Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão dolosa, que enseje, efetiva e comprovadamente, perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta Lei, e notadamente: [...] XX – liberar recursos de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular;

XXI – liberar recursos de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular. (NR)

Art. 496CPC

Art. 496 – Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença:

I – proferida contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito público; [...]

Alternativa

Descrição

Fundamento Legal

Correta?

A

A conduta de Pedro não se enquadra como ato de improbidade administrativa

Art. 10, XX e XXI, da Lei 8.429/1992 tipifica a conduta

❌ Incorreta

B

Pedido de indisponibilidade de bens exige prévia oitiva de Pedro

Medida cautelar pode ser concedida sem oitiva prévia (art. 7º, §1º, LIA)

❌ Incorreta

C

Conduta de menor ofensa exige perda da função pública

A pena de perda da função pública não é automática; depende da gravidade (art. 12, §1º, LIA)

❌ Incorreta

D

Bem de família adquirido por herança pode ser indisponibilizado

O bem de família é impenhorável, salvo exceções legais (Lei 8.009/1990); a indisponibilidade em improbidade não o atinge

❌ Incorreta

E

Não há remessa necessária da sentença contra Pedro

Art. 496 do CPC não se aplica a réus pessoas físicas ou privadas em ações de improbidade

✅ Correta

Ato de improbidade (art. 10)
  • 1Lesão ao erário
    • Ação ou omissão dolosa
    • Perda patrimonial efetiva
  • 2Liberação irregular de parcerias
    • Sem observância das normas (XX)
    • Influir na aplicação irregular (XXI)
  • 3Remessa necessária (art. 496 CPC)
    • Improbidade não se sujeita
      • Réu é pessoa física/privada
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A conduta de Pedro está expressamente tipificada no art. 10, XX e XXI, da LIA como ato de improbidade que causa prejuízo ao erário. Portanto, a condenação é plenamente válida. A afirmação de que a conduta não se enquadra é manifestamente contrária ao texto legal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A Lei de Improbidade Administrativa não exige prévia oitiva do requerido para a decretação de medidas cautelares, como a indisponibilidade de bens. O art. 16 da LIA prevê o sequestro de bens mediante representação ao juízo, sem contraditório prévio. O STJ firma que a medida pode ser concedida liminarmente, desde que haja indícios suficientes (REsp 1.366.721/BA).

Alternativa C — ❌ Incorreta

As sanções por ato de improbidade devem ser aplicadas com proporcionalidade. O art. 12 da LIA estabelece as penas conforme a gravidade do ato, e o juiz pode deixar de aplicar a perda da função pública quando a conduta for de menor ofensa (princípios da razoabilidade e proporcionalidade). A alternativa afirma que a perda da função pública “deverá ser aplicada” mesmo em caso de menor ofensa, o que é incorreto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O bem de família é impenhorável nos termos da Lei 8.009/1990, e essa proteção se estende às ações de improbidade administrativa. O STJ (REsp 1.360.760/SP) já decidiu que não cabe indisponibilidade sobre bem de família, salvo se comprovado que foi adquirido com produto do ato ilícito. No caso, a casa foi adquirida por herança, sem vínculo com a improbidade, logo a indisponibilidade não pode ser decretada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A remessa necessária (reexame necessário) está prevista no art. 496 do CPC apenas para sentenças contrárias aos entes públicos ali listados (União, Estados, etc.). Em ação de improbidade, o réu é o agente público condenado, que não é ente público, portanto a sentença não se submete ao duplo grau obrigatório. O STJ pacificou esse entendimento (AgRg no REsp 1.415.156/SP). Assim, não haverá remessa necessária. Gabarito: letra E.

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