Questão de Direito Penal — Crimes contra a administração pública — IBFC 2025
Direito Penal›Crimes contra a administração pública
Código
qg516209
Banca
IBFC
Órgão
TJ-PE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Oficial de Justiça
Tadeu é Oficial de Justiça, encontra-se jogando futebol em seu horário de folga, quando, ao ver que sofreria um drible humilhante de seu amigo Tomás, desfere neste um forte chute. Tomás, então, dirige-se a Tadeu, chamando-o de “oficialzinho de meia pataca”. Neste caso, o crime que poderia ser estabelecido a Tomás seria __. Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.
Adesacato, ainda que o funcionário público não se encontrava no exercício de sua atividade funcional, posto que presente o nexo causal da ofensa
Binjúria, com a pena agravada, pois o funcionário público não se encontrava no exercício de sua atividade funcional, mas presente o nexo causal da ofensa
Cdifamação, com a pena agravada, pois o funcionário público não se encontrava no exercício de sua atividade funcional, mas presente o nexo causal da ofensa
Dnenhum, pois o fato é atípico, posto que o funcionário público não se encontrava no exercício de sua atividade funcional
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GabaritoA — desacato, ainda que o funcionário público não se encontrava no exercício de sua atividade funcional, posto que presente o nexo causal da ofensa
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Desacato e crimes contra a honra: a exigência do exercício da função
Gabarito: letra A. O crime de desacato (art. 331 do CP) exige que a ofensa seja dirigida a funcionário público no exercício da função ou em razão dela — não se exige que ele esteja em horário de trabalho ou dentro da repartição, bastando o nexo causal entre a ofensa e a função exercida. No caso, Tadeu, Oficial de Justiça, foi chamado de “oficialzinho de meia pataca” por Tomás em razão da sua função (a expressão ridiculariza o cargo), ainda que estivesse em horário de folga jogando futebol — por isso configura desacato, e não injúria ou difamação.
O desacato é crime contra a Administração Pública (Título XI, Capítulo II, do CP), praticado por particular contra funcionário público. O bem jurídico tutelado é o prestígio e o regular funcionamento da Administração, e não a honra subjetiva do agente público. Por isso, o tipo penal não exige que o funcionário esteja no exercício efetivo de suas atribuições no momento da ofensa — basta que a ofensa seja em razão da função, ou seja, que exista um vínculo (nexo) entre a agressão verbal e a condição de funcionário público da vítima.
A distinção essencial é entre desacato e injúria qualificada (art. 141, II, do CP). Ambos protegem a honra, mas o desacato protege a Administração Pública, enquanto a injúria qualificada protege a honra subjetiva do funcionário. A jurisprudência e a doutrina majoritárias entendem que, quando a ofensa é dirigida ao funcionário em razão da função, o crime é de desacato, mesmo que ele não esteja trabalhando. Já a injúria qualificada (com pena aumentada) aplica-se quando a ofensa atinge o funcionário fora do exercício da função e sem nexo com ela — por exemplo, ofender um policial à paisana numa discussão de trânsito, sem qualquer relação com a atividade policial.
A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que lê “horário de folga” e conclui que não há desacato cai na pegadinha. O que importa é o nexo causal entre a ofensa e a função — e a expressão “oficialzinho de meia pataca” ridiculariza justamente o cargo de Oficial de Justiça, evidenciando que a ofensa foi em razão da função.
Desacato (art. 331)
1Exige ofensa em razão da função
Basta nexo causal
Não exige horário de trabalho
Não exige estar na repartição
2Protege a Administração Pública
3Distinção: injúria qualificada (art. 141, II)
Ofensa fora da função e sem nexo
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque o desacato se configura ainda que o funcionário público não se encontre no exercício de sua atividade funcional, desde que presente o nexo causal entre a ofensa e a função. No caso, Tadeu foi chamado de “oficialzinho de meia pataca” — expressão que ridiculariza o cargo de Oficial de Justiça —, o que demonstra que a ofensa foi em razão da função, e não uma simples ofensa pessoal. O art. 331 do CP exige que o desacato ocorra “no exercício da função ou em razão dela”, e a doutrina e a jurisprudência entendem que o funcionário não precisa estar em horário de trabalho ou dentro da repartição, bastando o nexo com a função.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao classificar a conduta como injúria com pena agravada. A injúria qualificada (art. 141, II, do CP) aplica-se quando a ofensa atinge o funcionário público fora do exercício da função e sem nexo com ela. No caso, a ofensa foi em razão da função (ridicularizou o cargo), o que atrai o desacato, e não a injúria. A banca troca o crime de desacato pela injúria qualificada, confundindo a proteção da Administração Pública com a proteção da honra subjetiva.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao classificar a conduta como difamação com pena agravada. A difamação (art. 139 do CP) consiste em imputar fato ofensivo à reputação da vítima, o que não ocorreu — Tomás não imputou nenhum fato a Tadeu, apenas o xingou com uma expressão depreciativa. Além disso, a ofensa foi em razão da função, o que configura desacato, e não crime contra a honra. A banca troca o desacato pela difamação, que é crime contra a honra objetiva, inaplicável ao caso.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que o fato é atípico porque o funcionário não estava no exercício da função. Como visto, o desacato não exige que o funcionário esteja em horário de trabalho ou dentro da repartição — basta que a ofensa seja em razão da função, o que ocorreu no caso. A expressão “oficialzinho de meia pataca” ridiculariza o cargo, evidenciando o nexo com a função. Portanto, o fato é típico e configura desacato.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a leitura literal de “horário de folga” para induzir o candidato a achar que não há desacato. Mas o desacato não exige que o funcionário esteja trabalhando — exige apenas que a ofensa seja em razão da função. A expressão “oficialzinho de meia pataca” ridiculariza o cargo, e é isso que configura o crime. Fique atento: o que importa é o nexo causal entre a ofensa e a função, não o local ou horário.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar desacato de injúria qualificada, pergunte-se: a ofensa foi dirigida ao funcionário por causa da função que ele exerce? Se sim, é desacato. Se a ofensa é pessoal, sem relação com a função, é injúria qualificada. Memorize: desacato = ofensa em razão da função; injúria qualificada = ofensa fora da função e sem nexo.