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Questão de Português — Sintaxe — IBFC 2025

PortuguêsSintaxe
Código
qg516514
Banca
IBFC
Órgão
TJ-PE
Ano
2025
Nível
Superior
Analise o texto abaixo e responda à questão.


Texto I


    Quando começou a enterrar os seus mortos, quando de algum modo construiu um ritual funeral, o homo sapiens há cem mil anos já tinha consciência de sua finitude, de sua presença provisória no mundo. E este ritual funeral marca um novo estágio na vida da espécie homo, a consciência: nasce o homo sapiens sapiens, aquele que tem consciência do próprio saber, aquele que sabe que sabe. Foi esta consciência da fragilidade da vida, foi este choque que nos fez ver a nós mesmos, que nos fez ter a vida em alta conta: a vida é rara, deve ser cuidada, cultivada, mantida. 

    Foi a necessidade de expansão da vida humana no mundo, foi o seu fortalecimento que nos fez de algum modo pensar: “Preciso me precaver, conhecer as estações, preciso plantar o próprio alimento, cultivar as ervas que curam, preciso fabricar armas, ferramentas, preciso festejar o que ainda tenho e brindar à vida porque a vida é curta e eu quero viver”. 

    Foi a consciência da fragilidade da vida, do quanto tudo é provisório e instável, que impulsionou os humanos em direção à cultura, mas esta relação entre a vida pensada como natureza, e a cultura no sentido de ação, de intervenção humana no mundo, sempre foi uma relação difícil. É esta relação entre o conhecimento, produto da linguagem e da consciência, e a vida, como a totalidade que nos é dada, que interessa a Nietzsche, e do modo como a espécie humana se relaciona com a natureza, o mundo, a exterioridade que a cerca, mas também com a natureza que traz em seu próprio corpo e que a constitui. 

    O que Nietzsche faz é propor um exercício de autognose, ou seja, de autoconhecimento da humanidade, como se a própria espécie se colocasse em questão e pensasse: O que temos feito? Que caminhos trilhamos? O que enfim nos tornamos? É com este objetivo que Nietzsche percorre a história da humanidade procurando não aquilo que aparece, mas aquilo que a cultura esconde: O que de fato move a nossa ação no mundo? Que valores reproduz?


(MOSÉ, Viviane. Nietzsche hoje: sobre os desafios da vida contemporânea. Petrópolis, RJ: Vozes. 2018, p.11)
Observando o sentido do fragmento: “Quando começou a enterrar os seus mortos, quando de algum modo construiu um ritual funeral.” (1º§), assinale a alternativa em que a reformulação para a voz passiva analítica está correta.
  1. AQuando foram começados a ser enterrados os seus mortos, quando de algum modo foi construído um ritual funeral.
  2. BQuando os seus mortos começaram a ser enterrados, quando de algum modo um ritual funeral foi construído.
  3. CQuando começou-se a enterrar os seus mortos, quando se construiu um ritual funeral.
  4. DQuando seus mortos foram sendo enterrados, quando um ritual funeral tivesse sido construído.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Quando os seus mortos começaram a ser enterrados, quando de algum modo um ritual funeral foi construído.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Voz Passiva Analítica — Transformação de Fragmento

Gabarito: letra B. A alternativa B converte corretamente as duas orações do fragmento original para a voz passiva analítica, mantendo o sujeito paciente na posição correta e preservando o sentido original.

Método de resolução

O fragmento original apresenta duas orações:

  • “Quando começou a enterrar os seus mortos” — locução verbal (começou + enterrar) cujo objeto direto é “os seus mortos”.

  • “quando de algum modo construiu um ritual funeral” — verbo transitivo direto “construiu” + objeto direto “um ritual funeral”.

Na transposição para a voz passiva analítica (verbo SER + particípio do verbo principal), o objeto direto torna-se sujeito paciente, e o sujeito da ativa (oculto) transforma-se em agente da passiva (omitido por ser genérico). A locução verbal é convertida em locução passiva: o verbo auxiliar (“começou”) mantém-se e o infinitivo (“enterrar”) vai para ser + particípio (“ser enterrados”). Não se deve passivar o auxiliar (“começou”) isoladamente, pois isso geraria uma estrutura inadequada.

  1. 1Identificar objeto direto
  2. 2Objeto → sujeito paciente
  3. 3Verbo → SER + particípio
  4. 4Locução: auxiliar + ser + particípio
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Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

“Quando foram começados a ser enterrados os seus mortos, quando de algum modo foi construído um ritual funeral.”

Erro: Passivou indevidamente o verbo “começou”, criando a construção “foram começados a ser enterrados”, que é artificial e não corresponde à estrutura do original. O correto é “começaram a ser enterrados”.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Quando os seus mortos começaram a ser enterrados, quando de algum modo um ritual funeral foi construído.”

A primeira oração coloca “os seus mortos” como sujeito paciente da locução “começaram a ser enterrados”; a segunda oração faz “um ritual funeral” sujeito paciente de “foi construído”. Ambas respeitam a estrutura da passiva analítica e mantêm o sentido temporal e causal do original.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Quando começou-se a enterrar os seus mortos, quando se construiu um ritual funeral.”

Erro: A alternativa empregou a voz passiva sintética (com pronome apassivador “se”), não a passiva analítica solicitada no enunciado. Além disso, a redação com “começou-se a enterrar” é ambígua e não corresponde ao pedido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Quando seus mortos foram sendo enterrados, quando um ritual funeral tivesse sido construído.”

Erro 1: “Foram sendo enterrados” é locução com gerúndio (voz passiva progressiva), não a passiva analítica padrão (ser + particípio). Erro 2: “Tivesse sido construído” altera o tempo verbal do original (pretérito perfeito do indicativo “construiu” para pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo), modificando o sentido.

Conclusão

A única alternativa que atende ao comando (voz passiva analítica) e reproduz fielmente o sentido do fragmento é a letra B.

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

Gabarito: letra B

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