Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Morfologia - Verbos — IBFC 2025

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
qg516515
Banca
IBFC
Órgão
TJ-PE
Ano
2025
Nível
Superior
Analise o texto abaixo e responda à questão.


Texto I


    Quando começou a enterrar os seus mortos, quando de algum modo construiu um ritual funeral, o homo sapiens há cem mil anos já tinha consciência de sua finitude, de sua presença provisória no mundo. E este ritual funeral marca um novo estágio na vida da espécie homo, a consciência: nasce o homo sapiens sapiens, aquele que tem consciência do próprio saber, aquele que sabe que sabe. Foi esta consciência da fragilidade da vida, foi este choque que nos fez ver a nós mesmos, que nos fez ter a vida em alta conta: a vida é rara, deve ser cuidada, cultivada, mantida. 

    Foi a necessidade de expansão da vida humana no mundo, foi o seu fortalecimento que nos fez de algum modo pensar: “Preciso me precaver, conhecer as estações, preciso plantar o próprio alimento, cultivar as ervas que curam, preciso fabricar armas, ferramentas, preciso festejar o que ainda tenho e brindar à vida porque a vida é curta e eu quero viver”. 

    Foi a consciência da fragilidade da vida, do quanto tudo é provisório e instável, que impulsionou os humanos em direção à cultura, mas esta relação entre a vida pensada como natureza, e a cultura no sentido de ação, de intervenção humana no mundo, sempre foi uma relação difícil. É esta relação entre o conhecimento, produto da linguagem e da consciência, e a vida, como a totalidade que nos é dada, que interessa a Nietzsche, e do modo como a espécie humana se relaciona com a natureza, o mundo, a exterioridade que a cerca, mas também com a natureza que traz em seu próprio corpo e que a constitui. 

    O que Nietzsche faz é propor um exercício de autognose, ou seja, de autoconhecimento da humanidade, como se a própria espécie se colocasse em questão e pensasse: O que temos feito? Que caminhos trilhamos? O que enfim nos tornamos? É com este objetivo que Nietzsche percorre a história da humanidade procurando não aquilo que aparece, mas aquilo que a cultura esconde: O que de fato move a nossa ação no mundo? Que valores reproduz?


(MOSÉ, Viviane. Nietzsche hoje: sobre os desafios da vida contemporânea. Petrópolis, RJ: Vozes. 2018, p.11)
Na passagem “como se a própria espécie se colocasse em questão e pensasse: O que temos feito? Que caminhos trilhamos?” (4º§), o valor semântico das formas verbais nas perguntas indicam, respectivamente, uma ação:
  1. Apresente; futura em relação ao passado.
  2. Bpontual no presente; pontual no passado.
  3. Cfutura; habitual no presente.
  4. Dem processo; passada concluída.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — em processo; passada concluída.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Semântica das formas verbais "temos feito" e "trilhamos"

Gabarito: letra D. A primeira forma verbal ("temos feito") é o presente composto do indicativo e indica uma ação em processo (continuidade até o presente). A segunda ("trilhamos") é presente simples usado em pergunta retrospectiva e indica uma ação passada concluída. Portanto, a alternativa D é a única que descreve corretamente os valores semânticos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca quer que o candidato confunda o presente composto com presente simples, e o presente simples com valor habitual ou futuro. A chave é reconhecer que "temos feito" carrega ideia de continuidade, enquanto "trilhamos" remete a ações já realizadas (passado).

  1. 1Temos feito (presente composto)Ação em processo
  2. 2Trilhamos (presente simples)Ação passada concluída
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa classifica "temos feito" como presente (simples), mas a forma é composta, e "trilhamos" como futuro em relação ao passado, o que não se sustenta. No texto, as perguntas são retrospetivas, não futuras.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que ambas são ações pontuais: "temos feito" não é pontual, é durativo/iterativo; "trilhamos" é passado concluído, mas não pontual no passado (pode ser uma trajetória inteira). O erro é trocar o aspecto durativo por pontual.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que "temos feito" é futura (não é) e que "trilhamos" é habitual no presente. O contexto não indica habitualidade, e sim uma pergunta sobre caminhos passados (concluídos).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Conforme análise: "temos feito" é presente composto, implicando ação em processo; "trilhamos" é presente histórico/retrospectivo, indicando ação passada concluída. A passagem do texto confirma essa interpretação: ao perguntar "O que temos feito? Que caminhos trilhamos?", Nietzsche reflete sobre o percurso da humanidade até o momento (processo) e as escolhas já feitas (concluídas).

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/qg516515