Transferências voluntárias da União: convênios e irregularidades
Gabarito: letra D. As três irregularidades narradas (desvio de finalidade, direcionamento fraudulento de licitação e superfaturamento) são graves e não configuram meras falhas administrativas. Diante de indícios de dano ao erário, o controle interno municipal deve instaurar Tomada de Contas Especial e comunicar imediatamente o Tribunal de Contas da União (TCU). É o que decorre do Decreto nº 6.170/2007 (que rege as transferências voluntárias da União) e do dever de controle interno previsto no art. 74 da Constituição Federal, combinado com a Lei Orgânica do TCU (Lei nº 8.443/1992).
A questão testa a capacidade de enquadrar corretamente as condutas descritas e de identificar a providência cabível, distinguindo entre falhas sanáveis e ilícitos que exigem apuração formal e comunicação ao tribunal de contas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a utilização de recursos do convênio em outra área (despesas correntes da saúde) seria válida por interesse público. Erro: os recursos de convênio são vinculados ao objeto pactuado no plano de trabalho; sua aplicação em finalidade diversa configura desvio de finalidade, vedado pelo Decreto nº 6.170/2007 (art. 1º, §2º). O controle interno não pode se limitar a recomendar revisão futura do edital – diante de indício de desvio, deve adotar medidas mais severas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Considera as irregularidades como “meras falhas de execução” e propõe apenas orientação e regularização documental. Erro: o desvio de finalidade, o direcionamento fraudulento da licitação e a divergência de 40% entre o avanço físico declarado e o real são indícios graves de improbidade e dano ao erário, não falhas sanáveis. Exige-se instauração de Tomada de Contas Especial e comunicação ao TCU.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sustenta que o uso dos recursos para despesas correntes seria permitido com autorização do gestor local e que a divergência de medições seria mera falha operacional. Erro: não há autorização que valide desvio de finalidade – os recursos são carimbados para o objeto do convênio. A diferença de 40% entre medição e execução real, sem documentação comprobatória, é indício de superfaturamento e não se resolve com simples retificação.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Identifica corretamente as três irregularidades: desvio de finalidade (uso em despesa não prevista), direcionamento fraudulento (edital sob medida para empresa de parente) e superfaturamento (discrepância entre avanço físico declarado e real). A consequência jurídica adequada é a instauração de Tomada de Contas Especial pelo controle interno e a comunicação imediata ao TCU, conforme exige a Lei nº 8.443/1992 (arts. 8º e 47) e o Decreto nº 6.170/2007 (arts. 12 e 13).