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Questão de Português — Emprego do hífen — Quadrix 2025

PortuguêsEmprego do hífen
Código
qg605924
Banca
Quadrix
Órgão
CRO-SP
Ano
2025
Nível
Médio
        O impacto de uma dieta cariogênica sobre as condições dentárias foi registrado em Casa Grande & Senzala, obra‑prima do sociólogo Gilberto Freyre (1933). Nela, Freyre refere‑se às condições de nutrição no Brasil colonial: “Má nos engenhos e péssima nas cidades, tal era a alimentação da sociedade brasileira nos séculos XVI, XVII e XVIII. Nas cidades, era péssima e escassa.”.
        A monocultura da cana‑de‑açúcar, feita em grande escala na Bahia, no Maranhão e em Pernambuco, concorreu para uma alimentação deficiente e que predispunha a doenças. Segundo o autor, nem carne de vaca nem de carneiro nem mesmo de galinha. Nem frutas nem legumes; que legumes eram raros na terra, e frutos quase que só chegavam à mesa já bichados ou então tirados verdes para escaparem à gana dos passarinhos, dos tapurus e dos insetos. A carne que se encontrava era magra, de gado vindo de longe, dos sertões, sem pastos que o refizessem da penosa viagem, porque as grandes lavouras de cana‑de‑açúcar ou de tabaco não se deixavam manchar de pastos para os bois descidos dos sertões e destinados ao corte. Bois e vacas que não fossem os de serviço eram como se fossem animais danados para os latifundiários. Os colonos mandavam vir de fora muitos alimentos, quase sempre em conserva e de pouco valor nutritivo.
        Referindo‑se a Salvador (BA), capital do Brasil colonial, de 1549 a 1763, a cidade dos vice‑reis, habitada por muito ricaço português e da terra, cheia de fidalgos e de frades, Freyre afirma que se notabilizou pela péssima e deficiente alimentação. Tudo faltava: carne fresca de boi, aves, leite, legumes, frutas, e o que aparecia era da pior qualidade ou quase em estado de putrefação. Fartura mesmo só a de doce, geleias e pastéis fabricados pelas freiras nos conventos: era com que se arredondava a gordura dos frades e das sinhás‑donas.
        Freyre, ao comentar o tema, relata que o médico sueco Gustavo Beyer ficou impressionado com o que viu, ao adentrar o interior do Brasil. Viajando nos arredores de Itu, conforme o médico, era impossível não se notar que toda a gente da classe baixa tinha os dentes incisivos perdidos pelo uso constante da cana‑de‑açúcar que, sem cessar, chupa e conserva na boca em pedaços de algumas polegadas. Quer em casa, quer fora dela, não a larga. A classe superior gosta igualmente de doce. E, para que não paire qualquer dúvida sobre o significado da cana‑de‑açúcar no cotidiano alimentar do período, os animais de carga também participam da mesma inclinação. Encontram‑se eles tal qual seus condutores, mastigando cana.

Internet: <www.sicelo.com.br> (com adaptações).
No que se refere à estruturação linguístico‑gramatical do texto, julgue o item seguinte.Conforme o acordo ortográfico vigente, o termo “cana‑de‑açúcar” tanto pode ser grafado com hífen quanto sem hífen, pois se trata de palavra consagrada pelo uso.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego do hífen em "cana-de-açúcar" — obrigatório, não facultativo

Gabarito: ERRADO. A afirmação de que "cana-de-açúcar" pode ser grafado com ou sem hífen por ser palavra consagrada pelo uso está incorreta conforme o Acordo Ortográfico vigente. A regra é exatamente o contrário: por ser uma exceção consagrada, o hífen é obrigatório — não facultativo. A banca inverteu a lógica da norma.

O comando pede um julgamento sobre a estruturação linguístico-gramatical do texto, especificamente sobre o emprego do hífen. Isso não é uma questão de interpretação de conteúdo, mas de aplicação de norma ortográfica — o que exige conhecimento da regra, não do texto em si. O texto apenas apresenta a palavra "cana-de-açúcar" no primeiro parágrafo, mas a resposta depende da regra do Acordo Ortográfico.

A regra geral para palavras compostas é: não se usa hífen em locuções (substantivas, adjetivas, etc.) que possuem elementos de ligação, como preposições. Exemplos: "mão de obra", "fim de semana", "sala de jantar". Porém, o próprio Acordo abre exceção para algumas locuções já consagradas pelo uso, que mantêm o hífen. É exatamente o caso de "cana-de-açúcar", que figura na lista de exceções ao lado de "água-de-colônia", "arco-da-velha", "cor-de-rosa", "pé-de-meia", entre outras.

Portanto, a palavra "cana-de-açúcar" não pode ser grafada sem hífen. A consagração pelo uso não torna o hífen facultativo — pelo contrário, é justamente por ser consagrada que a exceção se aplica e o hífen se torna obrigatório. A afirmação do item está, assim, totalmente invertida.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "consagrada pelo uso" e "facultativo". O candidato pode pensar: "se é consagrada, tanto faz". Mas a norma diz o oposto: a consagração é o que exige o hífen, não o que o dispensa.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre hífen, identifique se a palavra é composta por justaposição (sem elemento de ligação, ex.: guarda-chuva) ou se é locução com preposição (ex.: mão de obra). Se for locução, pergunte: está na lista de exceções consagradas? Se sim, hífen obrigatório.

Hífen em locuções (Base XIX)
  • 1Regra geral
    • Sem hífen
    • Ex.: mão de obra, fim de semana
  • 2Exceção: consagradas pelo uso
    • Hífen obrigatório
    • Ex.: cana-de-açúcar, cor-de-rosa, pé-de-meia
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Item — ❌ ERRADO

A afirmativa diz que "cana-de-açúcar" pode ser grafada com ou sem hífen, pois se trata de palavra consagrada pelo uso. Isso é falso.

A regra do Acordo Ortográfico (Base XIX) estabelece que não se emprega o hífen nas locuções, mas ressalva: "salvo algumas exceções já consagradas pelo uso (como é o caso de água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa)". "Cana-de-açúcar" é uma dessas exceções — está consagrada com hífen e assim deve permanecer.

A consagração pelo uso, portanto, não abre a possibilidade de grafia sem hífen; ela fixa a grafia com hífen. O item inverte a relação: trata como facultativo o que é obrigatório.

Conclusão: a única grafia correta é "cana-de-açúcar", com hífen. A afirmativa está errada.

Gabarito: ERRADO.

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