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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — Quadrix 2025

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
qg605979
Banca
Quadrix
Órgão
CRO-SP
Ano
2025
Nível
Superior
        A cárie dentária acompanha a humanidade desde tempos imemoriais. Resulta da colonização da superfície do esmalte do dente por microrganismos (bactérias) que, ao metabolizar carboidratos fermentáveis, como a sacarose, por exemplo, produzem ácidos. Essa acidez localizada, provocada pela disponibilidade de açúcar, leva à dissolução do fosfato de cálcio das camadas superficiais da estrutura de esmalte dentário, liberando fosfato e cálcio para o meio bucal. A partir de determinado momento, essa perda mineral atinge tal grau que se observa a formação de uma cavidade cuja evolução, em casos extremos, corresponde à destruição de toda a coroa dentária. A relação açúcar‑cárie está bem documentada e não há dúvida quanto ao papel central do açúcar no processo cariogênico.
        No final do período Paleolítico (por volta de 10 mil anos a.C.), quando o homem começou a produzir e processar seu próprio alimento, com o cozimento e o surgimento do pão em sua forma primitiva, a cárie dentária passou a ser encontrada em 60 a 70% dos crânios recuperados daquele período. Entretanto, isso ocorria em pequeno número e era mais frequente em adultos do que em crianças e adolescentes. Com pequenas e pouco significativas mudanças (cerca de 10%) nesse padrão, desde a Idade do Ferro (4 mil a.C.) até o final da Idade Média (1453), a cárie atingia, principalmente, as pequenas depressões ou sulcos encontrados na superfície dos dentes, especialmente nos molares e pré‑molares.
        No início do século XX, a cárie dentária era um problema de saúde pública, na maior parte do planeta. As populações conviviam com infecção, dor, sofrimento e mutilação. A descoberta do efeito preventivo do flúor o transformou, ao longo do século, no principal agente utilizado no enfrentamento da doença em todo o mundo. Em vários países, e também no Brasil, produtos fluorados têm sido apontados como os principais responsáveis pelo declínio observado na prevalência da cárie. No Brasil, estudos pioneiros realizados nos anos 1950 e 1960 corroboraram a eficácia preventiva da fluoretação das águas. No período de 1986 a 1996, com 42% da população recebendo água fluoretada, a queda na prevalência da cárie entre crianças de doze anos de idade foi de 53%. Além da água fluoretada, os dentifrícios também são, no presente, amplamente empregados como veículos para utilização do flúor em saúde pública, com perspectivas da continuidade do uso de produtos fluorados nas próximas décadas do atual século.

Internet: <www.scielo.com.br> (com adaptações).
Quanto à estruturação linguística e gramatical do texto, julgue o item a seguir.No segmento “Com pequenas e pouco significativas mudanças”, o termo “pouco” poderia ser suprimido sem que isso produzisse alterações gramaticais ou incoerência textual.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Efeito de sentido da supressão do advérbio "pouco"

Gabarito: E (Errado). O termo "pouco" não pode ser suprimido sem alteração de sentido, pois ele intensifica a negação contida em "significativas", indicando que as mudanças eram quase nenhumas. Sua retirada produziria uma incoerência textual, já que o texto afirma que houve "pequenas e pouco significativas mudanças" e, em seguida, quantifica essa estabilidade em "cerca de 10%". A supressão tornaria a afirmação contraditória com o dado numérico apresentado.

O comando

A questão pede um julgamento sobre a possibilidade de supressão de um termo sem que isso acarrete "alterações gramaticais ou incoerência textual". Isso exige analisar dois aspectos: (1) se a estrutura sintática permanece correta após a retirada e (2) se o sentido do texto se mantém coerente. O foco não é apenas gramática, mas semântica e coerência.

O texto e o trecho em questão

No segundo parágrafo, o autor descreve a evolução da cárie desde o Paleolítico até a Idade Média, destacando a estabilidade do padrão da doença:

"Com pequenas e pouco significativas mudanças (cerca de 10%) nesse padrão, desde a Idade do Ferro (4 mil a.C.) até o final da Idade Média (1453), a cárie atingia, principalmente, as pequenas depressões ou sulcos encontrados na superfície dos dentes, especialmente nos molares e pré‑molares."

A expressão "pouco significativas" é crucial: ela atenua o adjetivo "significativas", indicando que as mudanças foram mínimas, quase irrelevantes. O parêntese "cerca de 10%" confirma essa leitura: uma variação de apenas 10% é, de fato, "pouco significativa".

A técnica: o que muda com a supressão?

  • Sem "pouco": "pequenas e significativas mudanças" — o adjetivo "significativas" passa a ter sentido pleno, indicando mudanças importantes, relevantes. Isso contradiz o dado de 10%, que sugere o oposto.

  • Com "pouco": "pouco significativas" = "quase não significativas", reforçando a ideia de estabilidade.

Portanto, a supressão altera o sentido e gera incoerência, pois o texto passaria a afirmar que houve mudanças relevantes, quando o próprio texto diz que foram de apenas 10%.

Análise da assertiva

1Gramática
Frase continua correta
2Semântica
Sem "pouco": "significativas" = mudanças relevantes
Com "pouco": "pouco significativas" = quase nenhuma
3Coerência com o texto
Dado: "cerca de 10%"
Sem "pouco" contradiz o dado
Com "pouco" reforça estabilidade
Supressão de "pouco"
LEVELsoulevel.com.br
Supressão de "pouco": Gramática (Frase continua correta); Semântica (Sem "pouco": "significativas" = mudanças relevantes, Com "pouco": "pouco significativas" = quase nenhuma); Coerência com o texto (Dado: "cerca de 10%", Sem "pouco" contradiz o dado, Com "pouco" reforça estabilidade)

Assertiva — ❌ Errada

A afirmação de que "pouco" poderia ser suprimido sem alterações gramaticais ou incoerência textual é falsa. Embora a gramática permita a supressão (a frase continuaria sintaticamente correta), a coerência seria quebrada, pois o sentido de "pouco significativas" é essencial para a argumentação do autor. A banca explora exatamente essa armadilha: o candidato pode pensar que, por ser um advérbio, "pouco" é dispensável, mas ele carrega carga semântica fundamental.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você acreditar que a supressão de um advérbio não altera o sentido. Mas "pouco" modifica o adjetivo "significativas", criando uma gradação que é essencial para a coerência com o dado "cerca de 10%".

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar a supressão de um termo, pergunte-se: "o que esse termo acrescenta ao sentido?" Se ele restringe, atenua ou intensifica uma ideia, sua retirada sempre altera o sentido, mesmo que a gramática permita.

Conclusão: a supressão de "pouco" não é inócua: ela inverte o sentido de "significativas" e contradiz o dado de 10%, gerando incoerência. Portanto, a assertiva está errada.

Gabarito: E (Errado).

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