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Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg605990
Banca
Quadrix
Órgão
CRO-SP
Ano
2025
Nível
Superior
        A cárie dentária acompanha a humanidade desde tempos imemoriais. Resulta da colonização da superfície do esmalte do dente por microrganismos (bactérias) que, ao metabolizar carboidratos fermentáveis, como a sacarose, por exemplo, produzem ácidos. Essa acidez localizada, provocada pela disponibilidade de açúcar, leva à dissolução do fosfato de cálcio das camadas superficiais da estrutura de esmalte dentário, liberando fosfato e cálcio para o meio bucal. A partir de determinado momento, essa perda mineral atinge tal grau que se observa a formação de uma cavidade cuja evolução, em casos extremos, corresponde à destruição de toda a coroa dentária. A relação açúcar‑cárie está bem documentada e não há dúvida quanto ao papel central do açúcar no processo cariogênico.
        No final do período Paleolítico (por volta de 10 mil anos a.C.), quando o homem começou a produzir e processar seu próprio alimento, com o cozimento e o surgimento do pão em sua forma primitiva, a cárie dentária passou a ser encontrada em 60 a 70% dos crânios recuperados daquele período. Entretanto, isso ocorria em pequeno número e era mais frequente em adultos do que em crianças e adolescentes. Com pequenas e pouco significativas mudanças (cerca de 10%) nesse padrão, desde a Idade do Ferro (4 mil a.C.) até o final da Idade Média (1453), a cárie atingia, principalmente, as pequenas depressões ou sulcos encontrados na superfície dos dentes, especialmente nos molares e pré‑molares.
        No início do século XX, a cárie dentária era um problema de saúde pública, na maior parte do planeta. As populações conviviam com infecção, dor, sofrimento e mutilação. A descoberta do efeito preventivo do flúor o transformou, ao longo do século, no principal agente utilizado no enfrentamento da doença em todo o mundo. Em vários países, e também no Brasil, produtos fluorados têm sido apontados como os principais responsáveis pelo declínio observado na prevalência da cárie. No Brasil, estudos pioneiros realizados nos anos 1950 e 1960 corroboraram a eficácia preventiva da fluoretação das águas. No período de 1986 a 1996, com 42% da população recebendo água fluoretada, a queda na prevalência da cárie entre crianças de doze anos de idade foi de 53%. Além da água fluoretada, os dentifrícios também são, no presente, amplamente empregados como veículos para utilização do flúor em saúde pública, com perspectivas da continuidade do uso de produtos fluorados nas próximas décadas do atual século.

Internet: <www.scielo.com.br> (com adaptações).
No que se refere às ideias do texto, julgue o item seguinte.Conforme o texto, a cárie, desde o período Paleolítico, é uma das condições dentais mais comuns entre crianças e adolescentes.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cárie no Paleolítico: frequência em adultos, não em crianças

Gabarito: E (Errado). A afirmativa contradiz o texto: ele diz que, no Paleolítico, a cárie "era mais frequente em adultos do que em crianças e adolescentes", exatamente o oposto do que o item afirma. A passagem que decide está no 2º parágrafo.

O comando pede que você julgue se a afirmação está de acordo com as ideias do texto. Isso é uma questão de compreensão (recorrência): a resposta está explícita no texto, não exige inferência. Basta localizar a passagem que trata do período Paleolítico e comparar com o que o item diz.

O texto, no 2º parágrafo, afirma:

"a cárie dentária passou a ser encontrada em 60 a 70% dos crânios recuperados daquele período. Entretanto, isso ocorria em pequeno número e era mais frequente em adultos do que em crianças e adolescentes."

A expressão "mais frequente em adultos" é a chave. O item diz que a cárie é "uma das condições dentais mais comuns entre crianças e adolescentes" — exatamente o contrário. O texto não diz que era comum entre crianças; diz que era mais comum em adultos. Portanto, a afirmativa é falsa.

A banca usa a técnica clássica de inverter uma informação: pega um dado verdadeiro (a cárie existia no Paleolítico) e troca o público-alvo (adultos → crianças). Quem lê rápido pode não perceber a inversão e marcar "Certo".

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte o sujeito da afirmação: o texto fala em "adultos", o item fala em "crianças e adolescentes". Fique atento a trocas de termos que mudam o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de certo/errado, sublinhe os termos absolutos ("sempre", "nunca", "todos") e os comparativos ("mais", "menos", "tão"). Aqui, "mais frequente em adultos" é um comparativo que o item ignorou.

Item — ❌ Errado

A afirmativa está errada porque contradiz o texto. O texto afirma que, no Paleolítico, a cárie "era mais frequente em adultos do que em crianças e adolescentes". O item afirma o oposto: que é "uma das condições dentais mais comuns entre crianças e adolescentes". Não há nenhuma passagem que sustente essa ideia; pelo contrário, o texto a nega explicitamente.

Conclusão: como a banca pediu para julgar a afirmação, e ela é falsa frente ao texto, o gabarito é E (Errado). A regra de ouro: em compreensão, a resposta mora no texto — se a afirmativa não encontra apoio, ou contradiz, é errada.

Gabarito: E (Errado)

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