Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025
- Código
- qg605991
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRO-SP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: E (Errado). A afirmação de que o esmalte dentário é a camada externa dos dentes e funciona como barreira contra agentes externos não pode ser depreendida do texto — ela extrapola o que está escrito. O texto apenas descreve o esmalte como a superfície que sofre a ação das bactérias e dos ácidos, sem defini-lo como camada externa nem atribuir-lhe função de barreira. A passagem que sustenta isso é a do primeiro parágrafo: "Resulta da colonização da superfície do esmalte do dente por microrganismos... Essa acidez localizada... leva à dissolução do fosfato de cálcio das camadas superficiais da estrutura de esmalte dentário".
O verbo "depreende-se" indica que a banca quer uma inferência — ou seja, uma conclusão que o leitor tira a partir de pistas deixadas no texto, e não uma informação literal. Mas inferência não é invenção: ela precisa estar ancorada em um pressuposto do próprio texto. Se o texto não fornece a pista, qualquer conclusão é extrapolação — e extrapolar é errar, ainda que a afirmação soe verdadeira no mundo real.
O texto trata da cárie dentária e do papel do açúcar nesse processo. No primeiro parágrafo, ele menciona o esmalte apenas como o local onde as bactérias agem:
"Resulta da colonização da superfície do esmalte do dente por microrganismos (bactérias) que, ao metabolizar carboidratos fermentáveis, como a sacarose, por exemplo, produzem ácidos."
E continua:
"Essa acidez localizada, provocada pela disponibilidade de açúcar, leva à dissolução do fosfato de cálcio das camadas superficiais da estrutura de esmalte dentário, liberando fosfato e cálcio para o meio bucal."
Nenhuma dessas passagens define o esmalte como "camada externa" nem diz que ele "funciona como barreira contra agentes externos". O texto fala em "superfície do esmalte" e "camadas superficiais", mas isso não equivale a afirmar que o esmalte é a camada mais externa do dente — até porque o texto não menciona outras camadas (como dentina ou polpa) para estabelecer essa hierarquia. A função de "barreira" também não aparece: o esmalte é apresentado como alvo da ação bacteriana, não como proteção.
A linha que separa o certo do errado é exatamente esta: inferência legítima se apoia em pista deixada pelo texto (pressuposto); extrapolação acrescenta informação de fora. Aqui, a banca apela para o conhecimento de mundo do candidato — todo mundo sabe que o esmalte é a camada externa e protege o dente. Mas o texto não diz isso, e a questão pede o que se depreende do texto, não o que se sabe da odontologia. Portanto, a afirmação é extrapolação e o item é errado.
A banca explora a tentação de usar conhecimento prévio (esmalte = camada externa, barreira) para "completar" o texto. A armadilha é clássica: extrapolação com um fato verdadeiro, porém ausente do texto.
Ao ler "depreende-se", pergunte: "qual pista o texto me dá?" Se a resposta for "nenhuma", a alternativa é extrapolação — marque errado, mesmo que soe verdadeiro.
A assertiva afirma que "o esmalte dentário é a camada externa dos dentes, que funciona como uma barreira contra agentes externos, como cáries e desgastes". O texto não contém nenhuma dessas informações. Ele menciona o esmalte apenas como superfície colonizada por bactérias e como estrutura que sofre dissolução de fosfato de cálcio. Não há definição de "camada externa", não há função de "barreira", e não há referência a "cáries e desgastes" como agentes externos. A afirmação extrapola o texto, acrescentando conhecimento de mundo que o autor não externou. Portanto, o item é errado.
Conclusão: a resposta correta é E (Errado), pois a afirmação não pode ser depreendida do texto — ela exige acrescentar informação de fora, o que configura extrapolação. Lembre-se: em questões de inferência, a resposta mora no texto; se não há pista, não há inferência.
Gabarito: letra E
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