Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Avança SP 2026
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg649203
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Pediátrica e Cirurgia Torácica
A infecção da corrente sanguínea associada ao Cateter Venoso Central (ICSRC) é uma das principais complicações em UTI. No caso de suspeita de ICSRC por Staphylococcus aureus, de acordo com as diretrizes da Infectious Diseases Society of America (IDSA), a conduta mandatória, além da antibioticoterapia sistêmica, é:
ATroca do cateter por guia metálica (over-thewire).
BRetirada imediata do cateter venoso.
CRealização de selo de antibiótico (antibiotic lock) e manutenção do cateter.
DRetirada do cateter apenas se as hemoculturas periféricas forem positivas.
EManutenção do cateter e início de infusão de heparina local.
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GabaritoB — Retirada imediata do cateter venoso.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Infecção de corrente sanguínea associada a cateter venoso central (ICSRC) por Staphylococcus aureus
Gabarito: letra B. Na suspeita de ICSRC por Staphylococcus aureus, a conduta mandatória, além da antibioticoterapia sistêmica, é a retirada imediata do cateter venoso, conforme as diretrizes da Infectious Diseases Society of America (IDSA). Isso porque o S. aureus é um micro-organismo de difícil tratamento, associado a maior risco de complicações metastáticas e falha terapêutica, o que contraindica a manutenção do dispositivo.
A infecção de corrente sanguínea associada ao cateter venoso central (ICSRC) é uma das principais complicações em pacientes críticos internados em UTI. O manejo dessa condição se baseia em dois pilares fundamentais: a antibioticoterapia sistêmica e o tratamento do cateter. A decisão sobre manter ou remover o cateter é crucial e depende de vários fatores, incluindo o micro-organismo isolado, a presença de instabilidade hemodinâmica, sinais flogísticos locais, infecções metastáticas e a disponibilidade de novos sítios de acesso vascular.
As diretrizes da IDSA estabelecem indicações claras para a remoção imediata do cateter. Entre elas, destacam-se: instabilidade hemodinâmica persistente ou choque séptico; infecções a distância, como endocardite, artrite séptica e osteomielite; sinais flogísticos locais no orifício externo do cateter, como saída de secreção purulenta e calor local; e infecção por micro-organismos de difícil tratamento, como S. aureus, Candida spp., dentre outros. No caso específico do S. aureus, a retirada do cateter é mandatória, independentemente da presença de outros critérios, devido à virulência desse agente e ao risco de complicações graves.
A lógica por trás dessa recomendação é que o S. aureus tem alta capacidade de aderir ao cateter e formar biofilme, o que dificulta a erradicação da infecção apenas com antibióticos sistêmicos. Além disso, a bacteremia por S. aureus está associada a maior risco de endocardite e outras infecções metastáticas, o que torna a remoção do cateter uma medida essencial para o controle do foco infeccioso. A manutenção do cateter com antibiotic lock therapy pode ser considerada em situações específicas, como em pacientes com múltiplas falências de acesso vascular, mas não é a conduta recomendada quando o agente é o S. aureus.
É importante destacar que a decisão de retirar o cateter deve levar em conta a disponibilidade de novos sítios para acesso. Em pacientes com múltiplas falências de acesso, a retirada deve ser feita com cautela, mas ainda assim é a conduta preferencial na infecção por S. aureus. A antibioticoterapia empírica inicial deve cobrir Gram-positivos e Gram-negativos, habitualmente com vancomicina associada à ceftazidima, com ajustes posteriores conforme a vancomicinemia e as sessões de diálise subsequentes.
A pegadinha desta questão está em confundir a conduta para S. aureus com a conduta para outros micro-organismos ou com situações em que a manutenção do cateter pode ser aceitável. A banca explora a diferença entre a retirada imediata (mandatória para S. aureus) e a troca do cateter por guia metálica ou o uso de antibiotic lock (opções que podem ser consideradas em outros contextos, mas não para S. aureus).
Guarde o critério decisivo: infecção por S. aureus é indicação formal de retirada imediata do cateter, independentemente de outros fatores. É exatamente nesse ponto que as alternativas se dividem.
ICSRC — remoção imediata do cateter
1Indicações (IDSA)
Instabilidade hemodinâmica
Infecções metastáticas
Sinais flogísticos locais
Micro-organismos de difícil tratamento
Staphylococcus aureus
Candida spp.
2S. aureus
Retirada mandatória
Contraindica antibiotic lock
Contraindica troca por guia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A troca do cateter por guia metálica (over-the-wire) é uma técnica que pode ser utilizada em algumas situações de suspeita de infecção, mas não é a conduta mandatória quando o agente é S. aureus. A troca por guia metálica é contraindicada em infecções por micro-organismos de difícil tratamento, como S. aureus e Candida spp., pois não elimina o foco infeccioso e pode perpetuar a bacteremia. A conduta correta é a retirada imediata do cateter, não a troca.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A retirada imediata do cateter venoso é a conduta mandatória na suspeita de ICSRC por S. aureus, conforme as diretrizes da IDSA. O S. aureus é um micro-organismo de difícil tratamento, com alta capacidade de formar biofilme no cateter e causar infecções metastáticas, como endocardite. Portanto, a remoção do cateter é essencial para o controle do foco infeccioso e para o sucesso do tratamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A realização de selo de antibiótico (antibiotic lock) e manutenção do cateter é uma estratégia que pode ser considerada em algumas situações, como em pacientes com múltiplas falências de acesso vascular e infecção por micro-organismos menos virulentos. No entanto, não é a conduta recomendada para infecção por S. aureus, pois o risco de falha clínica é maior e a bacteremia por esse agente está associada a complicações graves. A retirada imediata do cateter é a conduta mandatória.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A retirada do cateter apenas se as hemoculturas periféricas forem positivas não é a conduta correta. Na suspeita de ICSRC por S. aureus, a retirada do cateter é mandatória independentemente do resultado das hemoculturas periféricas. A presença de S. aureus em hemoculturas, mesmo que apenas do cateter, já indica a necessidade de remoção do dispositivo, devido à virulência do agente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A manutenção do cateter e início de infusão de heparina local não é uma conduta recomendada para o tratamento de ICSRC. A heparina é utilizada para prevenção de trombose, não para tratamento de infecção. Além disso, a manutenção do cateter em caso de infecção por S. aureus é contraindicada, pois o cateter é o foco infeccioso e deve ser removido imediatamente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir a conduta para S. aureus com a conduta para outros micro-organismos ou com situações em que a manutenção do cateter pode ser aceitável. Lembre-se: infecção por S. aureus é indicação formal de retirada imediata do cateter, independentemente de outros fatores. Não caia na tentação de escolher a troca por guia metálica ou o antibiotic lock, que são opções para outros contextos.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre ICSRC, memorize as indicações de remoção imediata do cateter: instabilidade hemodinâmica, infecções metastáticas, sinais flogísticos locais e infecção por micro-organismos de difícil tratamento (S. aureus, Candida spp.). Se a alternativa mencionar S. aureus, a resposta quase sempre será a retirada imediata do cateter.