Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Avança SP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg649219
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Pediátrica e Cirurgia Torácica
Paciente de 28 anos, grande queimado com 45% de Superfície Corporal Queimada (SCQ) por chama direta, apresentava no terceiro dia de internação em centro de tratamento de queimados sinais de aprofundamento de queimadura inicialmente classificada como segundo grau superficial em dorso e membros superiores. Ao exame, identificou-se áreas com perda total da derme, coloração esbranquiçada ou acastanhada, aspecto seco e coriáceo, ausência de dor à digitopressão e ausência de retorno capilar. A classificação dessa queimadura que exige excisão cirúrgica e enxertia cutânea é queimadura de:
APrimeiro grau epidérmica.
BSegundo grau superficial.
CSegundo grau profunda.
DTerceiro grau.
ESegundo grau intermediária.
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GabaritoD — Terceiro grau.
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Queimaduras: classificação pela profundidade e conduta cirúrgica
Gabarito: letra D. O quadro descrito — perda total da derme, coloração esbranquiçada ou acastanhada, aspecto seco e coriáceo, ausência de dor à digitopressão e ausência de retorno capilar — é a apresentação clássica da queimadura de terceiro grau (espessura total), que não reepiteliza espontaneamente e exige excisão cirúrgica com enxertia de pele. A distinção decisiva está na profundidade: enquanto as queimaduras de segundo grau (parciais) preservam parte da derme e podem cicatrizar, a de terceiro grau destrói todas as camadas da pele, incluindo as terminações nervosas — por isso é indolor.
A classificação das queimaduras quanto à profundidade é o alicerce da conduta terapêutica. Ela divide as lesões em três grandes grupos: primeiro grau (espessura superficial), que atinge apenas a epiderme; segundo grau (espessura parcial), que acomete epiderme e parte da derme, subdividindo-se em superficial e profunda; e terceiro grau (espessura total), que destrói epiderme, derme e estruturas mais profundas. Essa divisão não é acadêmica: ela determina se a lesão cicatriza por reepitelização espontânea ou se exige intervenção cirúrgica com enxertia.
O ponto central para resolver a questão é entender o que cada grau significa na prática clínica. A queimadura de primeiro grau é superficial, apresenta eritema, edema e dor, sem formação de bolhas, e resolve-se em poucos dias — não entra sequer no cálculo da superfície corporal queimada (SCQ). A de segundo grau superficial atinge a derme papilar, forma bolhas com base rósea, úmida e muito dolorosa, e cicatriza espontaneamente em 1 a 2 semanas. Já a de segundo grau profunda compromete a derme reticular, tem base branca, menor dor e pode levar de 2 a 9 semanas para cicatrizar, frequentemente com sequelas. A de terceiro grau, por fim, é a que apresenta o aspecto descrito no enunciado: pele seca, coriácea, esbranquiçada ou acastanhada, indolor pela destruição das terminações nervosas, sem retorno capilar e sem reepitelização possível — exigindo excisão e enxertia.
Um exemplo concreto ajuda a fixar: um paciente com queimadura por chama no dorso, inicialmente classificada como segundo grau superficial, pode evoluir com aprofundamento da lesão nas primeiras 48 a 72 horas, quando a zona de estase — área de hipoperfusão e inflamação ao redor da zona de coagulação — torna-se necrótica. É exatamente o que ocorre no caso: no terceiro dia, a lesão que parecia superficial assume características de espessura total, com perda completa da derme e ausência de sensibilidade. Nesse momento, a conduta deixa de ser conservadora (curativos) e passa a ser cirúrgica, com desbridamento e enxertia de pele.
A pegadinha que a banca explora é a confusão entre a queimadura de segundo grau profunda e a de terceiro grau. Ambas podem ter coloração esbranquiçada e menor dor, mas há diferenças fundamentais: na de segundo grau profunda ainda há algum componente de derme viável e potencial de cicatrização (ainda que lenta e com sequelas), enquanto na de terceiro grau há destruição total da derme, com aspecto coriáceo e ausência completa de retorno capilar e de dor — sinais que apontam inequivocamente para espessura total. O enunciado descreve exatamente esses sinais, tornando a alternativa D a única correta.
Guarde a fronteira entre segundo grau profunda e terceiro grau: é nela que as alternativas se dividem. A presença de dor, retorno capilar e base úmida indica derme viável (segundo grau); a ausência desses sinais, com aspecto seco e coriáceo, indica espessura total (terceiro grau).
Queimaduras (profundidade)
11º grau (epiderme)
Eritema, dor, sem bolha
Cicatriza em dias
22º grau (parcial)
Superficial (derme papilar)
Bolha rósea, úmida, dolorosa
Cicatriza em 1-2 semanas
Profunda (derme reticular)
Base branca, dor reduzida
Cicatrização lenta, com sequelas
33º grau (espessura total)
Destrói epiderme, derme e anexos
Seca, coriácea, esbranquiçada
Indolor (terminações destruídas)
Sem retorno capilar
Exige excisão e enxertia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A queimadura de primeiro grau atinge apenas a epiderme, apresentando eritema, edema e dor, sem bolhas e sem perda tecidual. Não há destruição da derme nem necessidade de excisão cirúrgica — o tratamento é sintomático e a lesão resolve em 4 a 6 dias. A descrição do enunciado (perda total da derme, aspecto coriáceo, indolor) é incompatível com esse grau.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A queimadura de segundo grau superficial acomete epiderme e derme papilar, com formação de bolhas de base rósea, úmida e muito dolorosa. Há retorno capilar preservado e potencial de reepitelização espontânea em 1 a 2 semanas, sem necessidade de enxertia. O quadro descrito — seco, coriáceo, indolor, sem retorno capilar — é o oposto do esperado nesse grau.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A queimadura de segundo grau profunda atinge a derme reticular, com base de bolha branca, menor intensidade de dor e restauração entre 14 e 21 dias (ou mais). Embora possa ter coloração esbranquiçada, ainda preserva algum componente dérmico e potencial de cicatrização, ainda que com sequelas. No entanto, o enunciado descreve perda total da derme, aspecto seco e coriáceo, ausência de dor à digitopressão e ausência de retorno capilar — sinais de espessura total, não de espessura parcial profunda. A alternativa confunde a profundidade: a lesão descrita não é parcial, é total.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A queimadura de terceiro grau (espessura total) destrói epiderme, derme e estruturas profundas, apresentando-se com ferida esbranquiçada ou acastanhada, aspecto seco e coriáceo, indolor pela destruição das terminações nervosas e sem retorno capilar. Não reepiteliza espontaneamente e necessita de excisão cirúrgica com enxertia de pele — exatamente o que o enunciado descreve e o que a alternativa afirma.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Não existe classificação oficial de "segundo grau intermediária" na nomenclatura tradicional das queimaduras. A classificação divide o segundo grau em superficial e profunda, não havendo categoria intermediária reconhecida. A alternativa inventa uma subclassificação inexistente para confundir o candidato.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a queimadura de segundo grau profunda e a de terceiro grau, pois ambas podem ter coloração esbranquiçada e dor reduzida. A diferença está na profundidade da destruição: na segunda grau profunda ainda há derme viável e potencial de cicatrização (mesmo que lenta), enquanto na terceiro grau há perda total da derme, aspecto coriáceo, ausência de retorno capilar e de dor — sinais que o enunciado descreve com precisão. Fique atento a esses detalhes: eles separam as duas alternativas.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar os graus na prova, use a tríade dor + retorno capilar + base da bolha: se há dor e retorno capilar, é queimadura parcial (2º grau); se é indolor, seca e coriácea, é espessura total (3º grau). Memorize também que a queimadura de 1º grau não entra no cálculo da SCQ e não forma bolhas.