Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — Avança SP 2026
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
qg649221
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Pediátrica e Cirurgia Torácica
Paciente de 45 anos, vítima de trauma complexo em membro inferior esquerdo com exposição óssea da tíbia distal e perda extensa de partes moles na região anterolateral da perna, foi submetido a desbridamento cirúrgico e estabilização ortopédica com fixador externo. O cirurgião plástico programou cobertura definitiva da área cruenta mediante retalho pediculado fasciocutâneo que utiliza perfurantes da artéria tibial posterior, possui arco de rotação de 180 graus e permite alcançar terço distal da perna e região maleolar sem necessidade de microcirurgia. O retalho indicado para essa reconstrução é:
ASural reverso
BGrande dorsal pediculado
CSafeno interno
DGastrocnêmio medial
ESolear
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GabaritoA — Sural reverso
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Retalhos fasciocutâneos na reconstrução do terço distal da perna
Gabarito: letra A (Sural reverso). O retalho sural reverso é um retalho fasciocutâneo pediculado que utiliza as perfurantes da artéria tibial posterior, possui arco de rotação de 180 graus e alcança o terço distal da perna e a região maleolar sem necessidade de microcirurgia — exatamente as características descritas no enunciado. É a opção clássica para cobertura de defeitos no terço distal da perna e tornozelo quando se deseja evitar a anastomose microcirúrgica.
O retalho sural reverso é um dos pilares da reconstrução do terço distal da perna. Ele é classificado como um retalho fasciocutâneo, ou seja, composto por pele, tecido celular subcutâneo e fáscia, nutrido por um pedículo vascular próprio. Seu nome "reverso" vem do fato de que o fluxo sanguíneo é invertido: em vez de seguir o sentido fisiológico da artéria sural (proximal para distal), o retalho é baseado nas perfurantes distais da artéria tibial posterior, que irrigam a fáscia e a pele da região posterior da perna de forma retrógrada. Essa inversão do fluxo é o que permite o grande arco de rotação de 180 graus, possibilitando que o retalho alcance o terço distal da perna, a região maleolar e até o retropé.
A principal vantagem desse retalho é justamente a dispensa da microcirurgia. Enquanto retalhos livres (como o grande dorsal) exigem anastomose vascular com microscópio, o sural reverso é um retalho pediculado que permanece conectado ao seu pedículo, sendo rodado sobre si mesmo para cobrir o defeito. Isso o torna uma opção mais simples, rápida e com menor morbidade, especialmente em pacientes com trauma complexo, como o do caso, que já foram submetidos a múltiplos procedimentos. A perda extensa de partes moles na região anterolateral da perna, com exposição óssea da tíbia distal, é uma indicação clássica para esse retalho.
Para entender por que as outras alternativas estão incorretas, é preciso conhecer as características de cada retalho e a que região da perna eles se destinam. O retalho de gastrocnêmio medial, por exemplo, é um retalho muscular (não fasciocutâneo) que cobre o terço proximal e médio da perna, mas não alcança o terço distal. O retalho de sóleo, também muscular, é usado para defeitos no terço médio da perna. O retalho safeno interno é um retalho fasciocutâneo baseado na artéria safena, mas com arco de rotação limitado, não atingindo a região maleolar. Já o grande dorsal é um retalho muscular ou miocutâneo que, quando usado na perna, é transferido como retalho livre, exigindo microcirurgia — o que contraria o enunciado.
A pegadinha desta questão está em associar corretamente cada retalho à sua indicação topográfica. O candidato que decora apenas os nomes dos retalhos, sem entender a anatomia vascular e o arco de rotação de cada um, tende a confundir o sural reverso com o safeno interno ou com o gastrocnêmio. A chave é lembrar que o sural reverso é o único retalho fasciocutâneo pediculado, com arco de rotação de 180 graus, que alcança o terço distal da perna e o tornozelo sem microcirurgia.
Retalhos p/ terço distal da perna
1Sural reverso (fasciocutâneo)
Perfurantes da tibial posterior
Arco de rotação 180°
Alcança terço distal e maleolar
Sem microcirurgia
2Safeno interno (fasciocutâneo)
Baseado na artéria safena
Arco de rotação limitado
Não alcança maleolar
3Gastrocnêmio medial (muscular)
Só terço proximal e médio
4Sóleo (muscular)
Só terço médio
5Grande dorsal (muscular/miocutâneo)
Exige microcirurgia (retalho livre)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O retalho sural reverso é exatamente o que o enunciado descreve: fasciocutâneo, pediculado, nutrido pelas perfurantes da artéria tibial posterior, com arco de rotação de 180 graus e capaz de alcançar o terço distal da perna e a região maleolar sem necessidade de microcirurgia. É a opção de escolha para cobertura de defeitos nessa região quando se quer evitar a anastomose microcirúrgica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O grande dorsal é um retalho muscular ou miocutâneo que, para ser utilizado na perna, é transferido como retalho livre, exigindo anastomose microcirúrgica. Isso contraria diretamente o enunciado, que afirma que o retalho indicado não necessita de microcirurgia. Além disso, não é um retalho fasciocutâneo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O retalho safeno interno é um retalho fasciocutâneo, mas é baseado na artéria safena e possui arco de rotação limitado, não alcançando a região maleolar. Ele é mais utilizado para defeitos no terço médio da perna, não no terço distal. A descrição do enunciado (perfurantes da tibial posterior, arco de 180 graus, alcance maleolar) não corresponde a esse retalho.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O retalho de gastrocnêmio medial é um retalho muscular (não fasciocutâneo) que cobre o terço proximal e médio da perna. Seu arco de rotação não permite alcançar o terço distal da perna ou a região maleolar. É uma opção para defeitos mais proximais, não para o caso descrito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O retalho de sóleo é um retalho muscular utilizado para cobertura de defeitos no terço médio da perna. Não é fasciocutâneo e não possui arco de rotação suficiente para alcançar o terço distal da perna ou a região maleolar. Portanto, não se aplica ao caso.