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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Avança SP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg649224
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Pediátrica e Cirurgia Torácica
Recém-nascido apresenta desconforto respiratório grave logo após o parto, abdome escavado e ausculta de bulhas cardíacas desviadas para a direita. A principal suspeita é de Hérnia Diafragmática Congênita de Bochdalek. Em relação ao manejo atual desta condição, é correto afirmar que:
  1. AA cirurgia deve ser realizada nas primeiras 6 horas de vida como emergência absoluta.
  2. BO uso de ventilação por máscara e balão é a primeira escolha para estabilização.
  3. CA correção cirúrgica por via abdominal impede a recidiva da hérnia.
  4. DO defeito ocorre mais frequentemente no lado direito do diafragma.
  5. EA hipoplasia pulmonar e a hipertensão pulmonar são os principais determinantes do prognóstico.
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GabaritoE — A hipoplasia pulmonar e a hipertensão pulmonar são os principais determinantes do prognóstico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hérnia Diafragmática Congênita de Bochdalek: manejo e prognóstico

Gabarito: letra E. Na hérnia diafragmática congênita (HDC), a hipoplasia pulmonar e a hipertensão pulmonar persistente são os principais determinantes do prognóstico, pois a gravidade da doença está diretamente relacionada ao grau de desenvolvimento pulmonar e à resposta da vasculatura pulmonar. O manejo atual prioriza a estabilização clínica antes da correção cirúrgica, que não é uma emergência absoluta nas primeiras horas de vida.

A HDC de Bochdalek é um defeito no fechamento do canal pleuroperitoneal, que permite a passagem de vísceras abdominais para o tórax, geralmente pelo lado esquerdo (em cerca de 80% dos casos). Essa herniação comprime o pulmão em desenvolvimento, resultando em hipoplasia pulmonar — com redução do número de alvéolos e de vasos sanguíneos — e em hipertensão pulmonar persistente, devido à musculatura espessada das arteríolas pulmonares. Essas duas alterações são a base fisiopatológica da doença e determinam a morbimortalidade, pois levam à insuficiência respiratória grave e à falência ventricular direita.

O manejo atual da HDC mudou radicalmente nas últimas décadas. Antigamente, a cirurgia era realizada como emergência imediata; hoje, o consenso é que a correção cirúrgica deve ser adiada até que o recém-nascido esteja estabilizado do ponto de vista respiratório e hemodinâmico. O objetivo é evitar o barotrauma e a lesão pulmonar adicional, permitindo que a hipertensão pulmonar seja controlada com estratégias de ventilação protetora, uso de óxido nítrico inalatório e, em casos refratários, ECMO (oxigenação por membrana extracorpórea). A cirurgia, quando realizada, é feita por via abdominal, com redução das vísceras e correção do defeito diafragmático, mas não impede a recidiva, que pode ocorrer em uma pequena porcentagem dos casos.

A ventilação por máscara e balão é contraindicada na suspeita de HDC, pois insufla o estômago e as alças intestinais herniadas, agravando a compressão pulmonar e dificultando ainda mais a ventilação. A conduta correta é a intubação orotraqueal imediata e a colocação de sonda orogástrica para descompressão gástrica. O defeito ocorre mais frequentemente no lado esquerdo, não no direito, pois o canal pleuroperitoneal esquerdo se fecha mais tardiamente que o direito.

A banca explora aqui a confusão entre o manejo cirúrgico emergencial (ultrapassado) e o manejo atual (estabilização clínica prévia), além de inverter a lateralidade do defeito e o papel da ventilação por máscara. O candidato que memoriza o tratamento antigo ou que não conhece a fisiopatologia da hipoplasia pulmonar tende a errar. A chave é entender que a HDC é uma doença do desenvolvimento pulmonar, e não apenas um defeito anatômico corrigível com urgência.

HDC de Bochdalek
  • 1Fisiopatologia
    • Hipoplasia pulmonar
    • Hipertensão pulmonar
  • 2Anatomia
    • Canal pleuroperitoneal
    • Lado esquerdo (80%)
  • 3Manejo atual
    • Estabilização clínica antes da cirurgia
    • Intubação imediata
    • Sonda orogástrica
    • Ventilação por máscara (contraindicada)
    • Óxido nítrico / ECMO
  • 4Cirurgia
    • Via abdominal
    • Não impede recidiva
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a cirurgia deve ser realizada nas primeiras 6 horas de vida como emergência absoluta. Isso está errado e reflete o manejo ultrapassado. O consenso atual é que a cirurgia deve ser adiada até a estabilização clínica do recém-nascido, que pode levar dias. A prioridade é o controle da hipertensão pulmonar e a ventilação protetora, não a correção cirúrgica imediata. A cirurgia precoce, sem estabilização, aumenta a morbimortalidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a ventilação por máscara e balão é a primeira escolha para estabilização. Isso é contraindicado na HDC, pois insufla o estômago e as alças intestinais herniadas, agravando a compressão pulmonar e dificultando a ventilação. A conduta correta é a intubação orotraqueal imediata, com ventilação por pressão controlada, e a descompressão gástrica com sonda orogástrica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a correção cirúrgica por via abdominal impede a recidiva da hérnia. A via abdominal é a preferida, mas não impede a recidiva. A recidiva pode ocorrer em uma pequena porcentagem dos casos, especialmente se houver tensão no fechamento do defeito ou se o paciente desenvolver complicações como infecção. A correção cirúrgica reduz o risco, mas não o elimina completamente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o defeito ocorre mais frequentemente no lado direito do diafragma. Isso é falso. A HDC de Bochdalek ocorre em cerca de 80% dos casos no lado esquerdo, pois o canal pleuroperitoneal esquerdo se fecha mais tardiamente que o direito. O lado direito é menos comum, correspondendo a cerca de 20% dos casos.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a hipoplasia pulmonar e a hipertensão pulmonar são os principais determinantes do prognóstico. Isso está correto. A gravidade da HDC é determinada pelo grau de hipoplasia pulmonar (redução do número de alvéolos e vasos) e pela hipertensão pulmonar persistente (espessamento da musculatura arteriolar). Essas alterações levam à insuficiência respiratória grave e à falência ventricular direita, sendo os principais fatores que influenciam a sobrevida. O manejo atual visa justamente controlar esses dois componentes.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o manejo atual (estabilização clínica antes da cirurgia) pelo manejo antigo (cirurgia de emergência), e inverte a lateralidade do defeito (esquerdo, não direito). O candidato que não conhece a fisiopatologia da hipoplasia pulmonar tende a marcar a alternativa A, que parece "óbvia" para uma emergência cirúrgica. Lembre-se: na HDC, a cirurgia é adiada até a estabilização, e a ventilação por máscara é contraindicada.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de HDC, foque nos três pilares: (1) fisiopatologia — hipoplasia pulmonar e hipertensão pulmonar; (2) manejo — estabilização clínica antes da cirurgia, intubação imediata, sonda orogástrica, evitar máscara e balão; (3) anatomia — defeito mais comum à esquerda. Se a alternativa falar em cirurgia de emergência ou em ventilação por máscara, está errada.

Gabarito: letra E

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