Um paciente de 65 anos apresenta hemiparesia e hemianestesia com predomínio em membro inferior direito, além de alterações comportamentais (apatia e abulia) e reflexo de preensão presente. Com base na correlação anátomo-clínica, a topografia do Acidente Vascular Cerebral isquêmico (AVCi) mais provável é no território da:
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Correlação anátomo-clínica no AVC isquêmico: território da artéria cerebral anterior
Gabarito: letra B (Artéria Cerebral Anterior esquerda). O quadro descrito — hemiparesia e hemianestesia com predomínio em membro inferior direito, apatia, abulia e reflexo de preensão — é a síndrome clássica do território da ACA, pois essa artéria irriga a face medial dos lobos frontal e parietal, onde está a representação motora e sensitiva do membro inferior contralateral, além de áreas pré-frontais responsáveis pelo comportamento. A lateralização à esquerda explica o déficit à direita (cruzamento das vias motoras e sensitivas).
O Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCi) é a interrupção do fluxo sanguíneo em uma artéria cerebral, causando morte neuronal na região irrigada. A correlação anátomo-clínica é a ferramenta que permite, a partir dos déficits neurológicos, deduzir qual artéria foi ocluída. Cada território vascular tem um padrão sindrômico próprio, e a banca explora exatamente esses padrões.
A artéria cerebral anterior (ACA) irriga a face medial dos hemisférios cerebrais, incluindo a porção medial do córtex motor primário e do córtex sensitivo primário — onde estão representados o membro inferior e o tronco. Por isso, a oclusão da ACA causa hemiparesia e hemianestesia contralaterais com predomínio crural (maior fraqueza na perna do que no braço). Além disso, a ACA irriga o lobo frontal medial, incluindo o giro do cíngulo e áreas pré-frontais, cuja lesão leva a alterações comportamentais como apatia, abulia (falta de iniciativa) e reflexo de preensão (liberação de reflexos primitivos por lesão frontal).
Em contraste, a artéria cerebral média (ACM) irriga a face lateral dos hemisférios, onde estão representados o braço, a face e a área de linguagem (no hemisfério dominante). A oclusão da ACM causa hemiparesia e hemianestesia contralaterais com predomínio braquiofacial (braço e face mais comprometidos que a perna), frequentemente acompanhadas de afasia (se no hemisfério esquerdo) ou heminegligência (se no direito).
A artéria cerebral posterior (ACP) irriga o lobo occipital e a face inferior do lobo temporal, causando principalmente hemianopsia homônima contralateral e, às vezes, alterações de memória e comportamento, mas raramente déficit motor importante.
A artéria basilar pertence à circulação posterior e irriga o tronco encefálico e o cerebelo; sua oclusão causa sintomas como vertigem, diplopia, disartria, ataxia e, em casos graves, coma e tetraplegia.
A artéria carótida interna irriga os hemisférios cerebrais através de seus ramos terminais (ACM e ACA); sua oclusão pode causar déficits combinados dos territórios da ACM e da ACA, além de amaurose ipsilateral (perda visual monocular por oclusão da artéria oftálmica).
A tabela abaixo resume os principais padrões sindrômicos:
Território
Déficits característicos
ACM
Hemiparesia/hemianestesia contralateral com predomínio braquiofacial, afasia (hemisfério dominante) ou heminegligência (não dominante)
ACA
Hemiparesia/hemianestesia contralateral com predomínio crural, abulia, apatia, reflexo de preensão, incontinência urinária
ACP
Hemianopsia homônima contralateral, alterações de memória e comportamento, raramente déficit motor
Basilar
Sintomas de tronco: vertigem, diplopia, disartria, ataxia, coma
Carótida interna
Déficits combinados de ACM e ACA, amaurose ipsilateral
A pegadinha desta questão está em distinguir o predomínio do déficit motor: crural (ACA) versus braquiofacial (ACM). O candidato que memoriza apenas "hemiparesia contralateral" sem atentar para a distribuição pode errar, escolhendo a ACM. Além disso, os sintomas comportamentais (apatia, abulia) e o reflexo de preensão são pistas fortes de lesão frontal medial, território da ACA.
A ACM esquerda causaria hemiparesia e hemianestesia direitas com predomínio braquiofacial (face e braço), além de afasia (por lesão das áreas de linguagem no hemisfério dominante). O enunciado descreve predomínio em membro inferior e alterações comportamentais frontais, que não são típicos da ACM. A confusão é clássica: ambos causam hemiparesia contralateral, mas a distribuição do déficit é o diferencial.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ACA esquerda irriga a face medial do hemisfério esquerdo, onde está a representação do membro inferior direito. Sua oclusão causa hemiparesia e hemianestesia direitas com predomínio crural, além de sintomas frontais como apatia, abulia e reflexo de preensão — exatamente o quadro do enunciado. A lateralização à esquerda explica o déficit à direita.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ACP direita causaria déficits à esquerda (hemianopsia homônima esquerda, hemi-hipostesia esquerda) e raramente déficit motor importante. O enunciado descreve déficit à direita e sintomas motores e comportamentais, incompatíveis com o território da ACP.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A artéria basilar irriga o tronco encefálico e o cerebelo. Sua oclusão causa sintomas como vertigem, diplopia, disartria, ataxia, e pode levar a coma e tetraplegia, mas não cursa com hemiparesia crural isolada nem com abulia e reflexo de preensão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A carótida interna direita causaria déficits à esquerda (hemiparesia esquerda, hemianestesia esquerda) e poderia incluir amaurose ipsilateral (olho direito). O enunciado descreve déficit à direita, o que aponta para lesão no hemisfério esquerdo, não direito. Além disso, o padrão crural e os sintomas frontais são mais específicos da ACA do que da carótida interna.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o território da ACM pelo da ACA. A chave é o predomínio do déficit: se é braquiofacial, pense em ACM; se é crural (membro inferior), pense em ACA. E os sintomas comportamentais (apatia, abulia, reflexo de preensão) são a assinatura da lesão frontal medial, território da ACA. Com esse raciocínio, você elimina a ACM sem hesitar.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de correlação anátomo-clínica, monte um mapa mental dos territórios vasculares: ACM = face lateral (braço/face, linguagem), ACA = face medial (perna, comportamento), ACP = occipital (visão), basilar = tronco (vertigem, ataxia, nervos cranianos). Na prova, leia o déficit e pergunte: qual a distribuição? Qual o hemisfério? Isso resolve a maioria das questões.