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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — Avança SP 2026

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg649237
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Medicina Paliativa
A infecção da corrente sanguínea associada ao Cateter Venoso Central (ICSRC) é uma das principais complicações em UTI. No caso de suspeita de ICSRC por Staphylococcus aureus, de acordo com as diretrizes da Infectious Diseases Society of America (IDSA), a conduta mandatória, além da antibioticoterapia sistêmica, é:
  1. ATroca do cateter por guia metálica (over-thewire).
  2. BRetirada imediata do cateter venoso.
  3. CRealização de selo de antibiótico (antibiotic lock) e manutenção do cateter.
  4. DRetirada do cateter apenas se as hemoculturas periféricas forem positivas.
  5. EManutenção do cateter e início de infusão de heparina local.
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GabaritoB — Retirada imediata do cateter venoso.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Infecção da corrente sanguínea associada a cateter venoso central (ICSRC) por Staphylococcus aureus

Gabarito: letra B. Na suspeita de infecção da corrente sanguínea associada ao cateter venoso central (ICSRC) por Staphylococcus aureus, a conduta mandatória, além da antibioticoterapia sistêmica, é a retirada imediata do cateter venoso, conforme as diretrizes da Infectious Diseases Society of America (IDSA). A presença de microrganismos de alta virulência, como S. aureus, P. aeruginosa e fungos, é indicação formal de remoção do cateter, pois a tentativa de resgate (manutenção do cateter com antibiotic lock) tem alta taxa de falha e risco de complicações graves, como endocardite e tromboflebite séptica.

A infecção da corrente sanguínea associada ao cateter venoso central (ICSRC) é uma das complicações mais temidas em unidades de terapia intensiva (UTI), pois está diretamente ligada a aumento de morbimortalidade, tempo de internação e custos. O diagnóstico é suspeitado diante de febre, calafrios ou hipotensão sem outra fonte óbvia, e confirmado por hemoculturas pareadas (periférica e do cateter), idealmente com diferença de tempo de crescimento ≥ 2 horas a favor da amostra do cateter. O tratamento se baseia em dois pilares: antibioticoterapia sistêmica e a decisão sobre o destino do cateter — retirada, troca ou tentativa de resgate.

A diretriz da IDSA é clara ao estabelecer que a retirada imediata do cateter é mandatória em situações específicas, entre elas a infecção por S. aureus. A lógica por trás dessa recomendação é a alta virulência desse microrganismo, sua capacidade de formar biofilme no lúmen do cateter e o risco elevado de complicações metastáticas, como endocardite infecciosa, osteomielite e abscessos. A tentativa de salvar o cateter com antibiotic lock (selo de antibiótico) em infecções por S. aureus tem baixíssima taxa de sucesso e não é recomendada, pois a bacteremia persiste e o risco de complicações graves aumenta significativamente.

Na prática, a conduta diante de uma suspeita de ICSRC por S. aureus é: coletar hemoculturas pareadas, iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro (geralmente vancomicina ou daptomicina, com cobertura para Gram-positivos e Gram-negativos) e retirar o cateter imediatamente. A retirada é tão importante quanto o antibiótico, pois o cateter é o foco primário da infecção e, se mantido, perpetua a bacteremia. Em pacientes com dificuldade de acesso venoso, pode-se considerar a troca do cateter por fio-guia, mas essa é uma exceção e não a regra, e a ponta do cateter retirado deve ser enviada para cultura.

A distinção crucial que a banca explora é entre as situações em que o cateter pode ser mantido (com antibiotic lock) e aquelas em que a retirada é obrigatória. A regra geral é que a terapia de resgate (manutenção do cateter com lock) só é aventada para pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de complicação, e nunca quando o agente etiológico é S. aureus, P. aeruginosa, fungos ou micobactérias. A presença de choque séptico, endocardite, tromboflebite séptica ou infecção por esses microrganismos de alta virulência impõe a remoção imediata do dispositivo. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem: a questão testa se o candidato sabe que S. aureus é uma contraindicação absoluta à manutenção do cateter.

ICSRC — destino do cateter
  • 1Retirada imediata (mandatória)
    • Instabilidade hemodinâmica
    • Infecções a distância
    • Sinais flogísticos locais
    • Microrganismos de alta virulência
      • Staphylococcus aureus
      • Pseudomonas aeruginosa
      • Fungos
  • 2Resgate (antibiotic lock)
    • Microrganismos de baixa virulência
    • Paciente estável
    • Sem complicações
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A troca do cateter por guia metálica (over-the-wire) é uma estratégia que pode ser considerada em situações específicas, como mau funcionamento do cateter ou em pacientes com dificuldade de acesso venoso e alto risco de complicações. No entanto, na suspeita de ICSRC por S. aureus, a troca por fio-guia não é a conduta mandatória e, na verdade, é contraindicada, pois mantém o foco infeccioso no mesmo sítio e tem menor chance de eliminar a infecção do que a retirada completa. A diretriz da IDSA reserva a troca por fio-guia para casos de alto risco de complicações se o cateter original for removido, mas nunca como primeira escolha em infecção por microrganismo de alta virulência.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A retirada imediata do cateter venoso é a conduta mandatória na suspeita de ICSRC por Staphylococcus aureus. A IDSA é enfática: a presença de S. aureus é indicação formal de remoção do cateter, pois a tentativa de resgate com antibiotic lock tem alta taxa de falha e risco de complicações graves, como endocardite e tromboflebite séptica. A retirada do cateter, juntamente com a antibioticoterapia sistêmica, é o tratamento de escolha e deve ser realizada o mais rápido possível, independentemente da estabilidade hemodinâmica do paciente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A realização de selo de antibiótico (antibiotic lock) e manutenção do cateter é uma estratégia de resgate que pode ser considerada em infecções por microrganismos de baixa virulência (como estafilococos coagulase-negativos) em pacientes estáveis, sem complicações. No entanto, é contraindicada na infecção por S. aureus, pois esse microrganismo é de alta virulência e a manutenção do cateter perpetua a bacteremia, aumentando o risco de complicações metastáticas. A IDSA não recomenda a terapia de resgate para S. aureus, P. aeruginosa, fungos ou micobactérias.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A retirada do cateter apenas se as hemoculturas periféricas forem positivas é uma conduta incorreta e perigosa. Na suspeita de ICSRC por S. aureus, a retirada do cateter é mandatória independentemente do resultado das hemoculturas periféricas. A decisão de retirar o cateter é baseada na suspeita clínica e no microrganismo implicado, não na confirmação laboratorial. Aguardar a positividade das hemoculturas periféricas para então retirar o cateter atrasa o tratamento e aumenta o risco de complicações graves.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A manutenção do cateter e início de infusão de heparina local é uma conduta totalmente equivocada. A heparina é um anticoagulante e não tem atividade antimicrobiana; sua infusão local não trata a infecção e ainda pode aumentar o risco de complicações. Na suspeita de ICSRC por S. aureus, a conduta é a retirada imediata do cateter, não a manutenção com heparina. Essa alternativa confunde o tratamento da infecção com a prevenção de trombose, que é outra complicação associada ao cateter, mas não é a conduta para infecção.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as situações em que o cateter pode ser mantido (com antibiotic lock) e aquelas em que a retirada é obrigatória. A alternativa C (antibiotic lock) parece atraente, mas é uma armadilha clássica: a terapia de resgate só é válida para microrganismos de baixa virulência em pacientes estáveis, nunca para S. aureus. Lembre-se: S. aureus, P. aeruginosa e fungos = retirada imediata do cateter, sempre. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, memorize as indicações de retirada imediata do cateter: (1) instabilidade hemodinâmica ou choque séptico; (2) infecções a distância (endocardite, artrite séptica, osteomielite); (3) sinais flogísticos locais (secreção purulenta); (4) infecção por microrganismos de difícil tratamento (S. aureus, P. aeruginosa, fungos). Se qualquer uma dessas condições estiver presente, a retirada é mandatória, independentemente da possibilidade de antibiotic lock.

Gabarito: letra B

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