Uma paciente de 61 anos tem diagnóstico histológico de carcinoma ductal in situ extenso, com microcalcificações difusas, e é indicada mastectomia total. No planejamento cirúrgico, a equipe discute que o estadiamento axilar pode se tornar inviável após retirada da mama, e que há um cenário clássico em que a biópsia do linfonodo sentinela deve ser realizada no mesmo tempo da mastectomia, mesmo sem evidência clínica de linfonodos acometidos. Indique o procedimento axilar indicado:
ADissecção axilar níveis I–II.
BLinfonodo sentinela.
CEsvaziamento axilar radical.
DObservação axilar.
ERadioterapia axilar imediata.
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GabaritoB — Linfonodo sentinela.
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Biópsia do linfonodo sentinela na mastectomia por CDIS extenso
Gabarito: letra B (Linfonodo sentinela). Em pacientes com carcinoma ductal in situ (CDIS) extenso submetidas a mastectomia, mesmo sem linfonodos clinicamente comprometidos, a biópsia do linfonodo sentinela é indicada no mesmo tempo cirúrgico, pois a retirada da mama inviabiliza o estadiamento axilar posterior. Essa conduta é consagrada na prática oncológica e está alinhada às diretrizes de mastologia, que preveem a pesquisa do linfonodo sentinela em casos de doença não invasiva extensa com planejamento de mastectomia.
O carcinoma ductal in situ é uma neoplasia não invasiva, confinada aos ductos mamários, sem capacidade de metastatizar por si só. No entanto, quando o CDIS é extenso e a mastectomia é indicada, a biópsia do linfonodo sentinela torna-se necessária por um motivo prático: após a retirada da mama, não há mais como realizar o mapeamento linfático com injeção peritumoral de traçador, pois o leito tumoral foi removido. Assim, se houver uma área de microinvasão não detectada ou um componente invasivo subestimado na biópsia, o estadiamento axilar já terá sido realizado, evitando uma segunda cirurgia.
A biópsia do linfonodo sentinela é o procedimento padrão para avaliar a axila em tumores iniciais (T1 e T2) com axila clinicamente negativa. A técnica consiste na injeção de um traçador (radioativo, corante azul ou ambos) próximo ao tumor, identificando o primeiro linfonodo da drenagem linfática, que é removido e examinado. Se o linfonodo sentinela for negativo, o esvaziamento axilar é desnecessário, evitando morbidade como linfedema, seroma e dor crônica. Se for positivo, a dissecção axilar complementar ou o tratamento adjuvante são planejados conforme o caso.
A indicação da biópsia do linfonodo sentinela no CDIS extenso com mastectomia é uma exceção à regra geral de que o CDIS puro não requer avaliação axilar. Na cirurgia conservadora para CDIS, a biópsia do linfonodo sentinela geralmente não é indicada, pois a mama é preservada e, se houver necessidade futura, o procedimento ainda pode ser realizado. Já na mastectomia, a oportunidade se perde, justificando a conduta. Essa distinção é o ponto central da questão: o que torna a biópsia do linfonodo sentinela obrigatória é a mastectomia, não o CDIS em si.
A pegadinha da banca está em confundir a indicação da biópsia do linfonodo sentinela com a dissecção axilar. A dissecção axilar (níveis I–II) é reservada para casos com linfonodos clinicamente comprometidos ou com linfonodo sentinela positivo, não para axila clinicamente negativa. O esvaziamento axilar radical é um procedimento mais extenso, com maior morbidade, indicado apenas em situações específicas de doença avançada. A observação axilar e a radioterapia axilar imediata não são opções válidas neste cenário, pois não fornecem o estadiamento necessário para o planejamento adjuvante.
Guarde a fronteira entre os procedimentos axilares: biópsia do linfonodo sentinela para axila clinicamente negativa, dissecção axilar para linfonodo sentinela positivo ou linfonodos clinicamente comprometidos, e esvaziamento radical para doença avançada. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Avaliação axilar no CDIS
1Cirurgia conservadora
Sem avaliação axilar
2Mastectomia (CDIS extenso)
Linfonodo sentinela no mesmo tempo
Retirada da mama inviabiliza mapeamento posterior
3Tumor invasivo T1/T2, axila negativa
Linfonodo sentinela
4Linfonodo sentinela positivo
Dissecção axilar ou radioterapia axilar
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A dissecção axilar níveis I–II é indicada quando há comprometimento linfonodal comprovado (por biópsia ou linfonodo sentinela positivo), não em axila clinicamente negativa. No caso descrito, a paciente não tem evidência clínica de linfonodos acometidos, portanto a dissecção axilar seria um overtreatment, expondo a paciente a morbidade desnecessária (linfedema, seroma, dor crônica) sem benefício comprovado.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A biópsia do linfonodo sentinela é o procedimento indicado para estadiamento axilar em pacientes com CDIS extenso submetidas a mastectomia, mesmo com axila clinicamente negativa. A mastectomia inviabiliza o mapeamento linfático posterior, então a biópsia do linfonodo sentinela deve ser realizada no mesmo tempo cirúrgico. Essa conduta é recomendada pelas diretrizes de mastologia e permite avaliar a axila com baixa morbidade, evitando esvaziamentos desnecessários.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O esvaziamento axilar radical é um procedimento extenso que remove todos os linfonodos axilares, indicado apenas em casos de doença avançada com comprometimento linfonodal maciço. Não é a conduta inicial para axila clinicamente negativa, pois a morbidade é alta e a biópsia do linfonodo sentinela oferece o mesmo estadiamento com muito menos complicações.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A observação axilar (não realizar nenhum procedimento) não é adequada neste cenário, pois a mastectomia impede o estadiamento axilar futuro. Se houver um componente invasivo oculto, a paciente perderia a oportunidade de avaliar a axila, comprometendo o planejamento adjuvante. A biópsia do linfonodo sentinela é necessária justamente para evitar essa lacuna.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A radioterapia axilar imediata não é um procedimento de estadiamento, mas sim de tratamento. Ela pode ser utilizada como alternativa à dissecção axilar em casos selecionados de linfonodo sentinela positivo, mas não substitui a avaliação axilar inicial. No caso descrito, o objetivo é estadiar a axila, não tratá-la, portanto a radioterapia não se aplica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir a biópsia do linfonodo sentinela com a dissecção axilar. O candidato que não domina a diferença entre estadiamento (linfonodo sentinela) e tratamento (dissecção axilar) pode marcar a alternativa A, achando que a mastectomia exige esvaziamento. Lembre-se: axila clinicamente negativa = linfonodo sentinela; linfonodo sentinela positivo ou linfonodos palpáveis = dissecção axilar.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental: CDIS + cirurgia conservadora → sem avaliação axilar; CDIS extenso + mastectomia → biópsia do linfonodo sentinela; tumor invasivo T1/T2 + axila negativa → biópsia do linfonodo sentinela; linfonodo sentinela positivo → dissecção axilar ou radioterapia axilar. Essa sequência cobre a maioria das questões de mastologia sobre axila.