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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — Avança SP 2026

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
qg649249
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Medicina Paliativa
Paciente de 72 anos com diagnóstico de insuficiência cardíaca congestiva classe funcional IV (NYHA) em cuidados paliativos apresentou dispneia intensa em repouso, taquipneia de 32 irpm, estertores crepitantes em bases pulmonares bilaterais e saturação de oxigênio de 88% em ar ambiente. O médico optou por tratamento farmacológico que reduz a sensação subjetiva de dispneia mediante ação sobre receptores opioides centrais, diminuindo a resposta ventilatória à hipercapnia e a percepção de falta de ar, sem comprometer significativamente a mecânica respiratória em doses adequadas. O fármaco de primeira escolha para controle da dispneia refratária em cuidados paliativos é:
  1. AFurosemida endovenosa.
  2. BMorfina oral ou parenteral.
  3. CSalbutamol inalatório.
  4. DMetilprednisolona endovenosa.
  5. EMidazolam sublingual.
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GabaritoB — Morfina oral ou parenteral.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dispneia refratária em cuidados paliativos: o papel dos opioides

Gabarito: letra B. A morfina é o fármaco de primeira escolha para o controle da dispneia refratária em cuidados paliativos, pois atua sobre receptores opioides centrais, reduzindo a percepção subjetiva de falta de ar e a resposta ventilatória à hipercapnia, sem comprometer significativamente a mecânica respiratória em doses adequadas. Essa conduta é amplamente respaldada pela literatura médica e por diretrizes de cuidados paliativos, que a consideram o tratamento sintomático padrão-ouro para esse cenário.

A dispneia é definida como uma experiência subjetiva de desconforto respiratório, sendo um dos sintomas mais angustiantes e prevalentes em pacientes com doenças avançadas, como insuficiência cardíaca congestiva (ICC), DPOC e neoplasias. No paciente em cuidados paliativos, o objetivo central do tratamento não é necessariamente prolongar a vida, mas aliviar o sofrimento e melhorar a qualidade de vida. Quando a dispneia se torna refratária às medidas etiológicas e gerais (como oxigenoterapia, posicionamento e tratamento da causa de base), a abordagem farmacológica sintomática torna-se essencial.

Os opioides são os agentes preferidos para o tratamento sintomático da dispneia porque suprimem efetivamente a percepção da sensação de falta de ar. O mecanismo envolve a ação em receptores opioides centrais, que modulam a resposta ventilatória à hipercapnia e à hipóxia, além de reduzir a ansiedade associada. É importante destacar que, na ausência de retenção preexistente de CO2, a depressão respiratória é incomum em pacientes que estejam em doses cuidadosamente tituladas de opioides. A morfina é o opioide mais utilizado para esse fim, com evidência comprovada de benefício quando administrada pelas vias oral e parenteral. Deve ser iniciada em doses baixas e com horários fixos, tituladas adequadamente conforme a resposta sintomática. Não existe dose máxima de opioide para controle de dor ou dispneia, desde que o objetivo do tratamento seja o controle destes sintomas.

A escolha da morfina em detrimento de outras classes farmacológicas se justifica pela sua eficácia específica no alívio da dispneia. Os benzodiazepínicos, como o midazolam, são considerados segunda ou terceira linha de tratamento, sendo indicados principalmente quando a dispneia está associada a ansiedade significativa. Os diuréticos, como a furosemida, são fundamentais no tratamento da congestão pulmonar na ICC, mas não atuam diretamente na percepção da dispneia. Os broncodilatadores, como o salbutamol, são úteis no broncoespasmo, mas não são a primeira escolha na dispneia refratária de causa não obstrutiva. Os corticosteroides, como a metilprednisolona, podem ser úteis em processos inflamatórios, mas não têm papel no alívio imediato da dispneia refratária.

A banca explora a distinção entre o tratamento da causa da dispneia (como a congestão na ICC) e o tratamento sintomático da dispneia refratária em si. No paciente em cuidados paliativos com dispneia intensa e refratária, mesmo que a causa seja a ICC, o foco do tratamento farmacológico imediato para o alívio do sintoma é o opioide. As demais alternativas representam tratamentos etiológicos ou adjuvantes, mas não são a primeira escolha para o controle da dispneia refratária. Guarde essa distinção: o que a questão pede é o fármaco que reduz a sensação subjetiva de dispneia, e não o que trata a causa de base.

11ª linha: opioides
Morfina (oral/parenteral)
Reduz percepção subjetiva
Reduz resposta à hipercapnia
22ª/3ª linha: benzodiazepínicos
Midazolam
Ansiedade associada
3Adjuvantes (conforme causa)
Diuréticos (congestão)
Broncodilatadores (broncoespasmo)
Corticosteroides (inflamação)
Dispneia refratária em cuidados paliativos
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Dispneia refratária em cuidados paliativos: 1ª linha: opioides (Morfina (oral/parenteral), Reduz percepção subjetiva, Reduz resposta à hipercapnia); 2ª/3ª linha: benzodiazepínicos (Midazolam, Ansiedade associada); Adjuvantes (conforme causa) (Diuréticos (congestão), Broncodilatadores (broncoespasmo), Corticosteroides (inflamação))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A furosemida é um diurético de alça, essencial no tratamento da congestão pulmonar e do edema agudo de pulmão na insuficiência cardíaca. No entanto, seu mecanismo de ação não envolve receptores opioides centrais nem a redução da percepção subjetiva de dispneia. Ela atua reduzindo a pré-carga e o volume intravascular, aliviando a congestão, mas não é o fármaco de primeira escolha para o controle da dispneia refratária em cuidados paliativos, que é um sintoma subjetivo e independente da volemia.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A morfina é o opioide de primeira escolha para o controle da dispneia refratária em cuidados paliativos. Seu mecanismo de ação envolve a ligação a receptores opioides centrais, reduzindo a resposta ventilatória à hipercapnia e a percepção de falta de ar, sem comprometer significativamente a mecânica respiratória em doses adequadas. É segura e eficaz quando administrada pelas vias oral e parenteral, com doses tituladas conforme a sintomatologia. A literatura médica e as diretrizes de cuidados paliativos a consideram o tratamento padrão-ouro para esse cenário.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O salbutamol é um broncodilatador beta-2 agonista de curta ação, indicado no tratamento do broncoespasmo, como na asma e na DPOC. Seu mecanismo de ação não envolve receptores opioides centrais nem a modulação da percepção da dispneia. Embora possa ser útil em pacientes com componente obstrutivo, não é a primeira escolha para o controle da dispneia refratária em cuidados paliativos, especialmente quando a causa não é broncoespasmo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A metilprednisolona é um corticosteroides, com ação anti-inflamatória e imunossupressora. Pode ser útil em processos inflamatórios, como exacerbações de DPOC ou asma, mas não tem papel no alívio imediato da dispneia refratária. Seu mecanismo de ação não envolve receptores opioides centrais nem a redução da percepção subjetiva de falta de ar. Não é o fármaco de primeira escolha para o controle sintomático da dispneia em cuidados paliativos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O midazolam é um benzodiazepínico, com ação ansiolítica, sedativa e hipnótica. É considerado segunda ou terceira linha de tratamento para a dispneia, sendo indicado principalmente quando a dispneia está associada a ansiedade significativa. Seu mecanismo de ação envolve a potencialização do GABA, mas não atua diretamente nos receptores opioides centrais nem na percepção da dispneia. Não é a primeira escolha para o controle da dispneia refratária em cuidados paliativos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre tratar a causa da dispneia (congestão na ICC) e tratar o sintoma refratário. O candidato pode ser tentado a escolher a furosemida por associar a ICC à congestão, mas a questão pede especificamente o fármaco que reduz a sensação subjetiva de dispneia, que é a morfina. Lembre-se: em cuidados paliativos, o foco é o alívio do sintoma, não a correção da etiologia.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de cuidados paliativos, memorize a hierarquia farmacológica para dispneia refratária: 1ª linha – opioides (morfina); 2ª/3ª linha – benzodiazepínicos (midazolam) para ansiedade associada; adjuvantes – oxigenoterapia, corticosteroides, broncodilatadores, diuréticos conforme a causa. Essa hierarquia é um padrão recorrente em provas de medicina paliativa e geriatria.

Gabarito: letra B

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