Um paciente oncológico relata dor cervical intensa e progressiva, com piora noturna, fraqueza em membros inferiores e retenção urinária recente; ao realizar o exame há déficit motor e nível sensitivo. A equipe deve assumir compressão medular metastática até que se prova o contrário e iniciar medida imediata que reduz edema/inflamação e organiza confirmação rápida com exame de escolha, sem atrasar o tratamento definitivo. Indique a conduta imediata mais apropriada:
AManitol e TC de coluna.
BHeparina plena e Doppler.
CFurosemida e radiografia.
DDexametasona e RM urgente.
EMorfina e observação.
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GabaritoD — Dexametasona e RM urgente.
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Compressão medular metastática: conduta imediata
Gabarito: letra D (Dexametasona e RM urgente). O quadro descrito — dor cervical intensa e progressiva com piora noturna, fraqueza em membros inferiores, retenção urinária e nível sensitivo — é clássico de compressão medular metastática, uma emergência oncológica. A conduta imediata é administrar corticosteroide (dexametasona) para reduzir edema e inflamação peritumoral e solicitar ressonância magnética (RM) urgente de coluna, exame de escolha para confirmar o diagnóstico sem atrasar o tratamento definitivo.
A compressão medular metastática ocorre quando uma metástase óssea vertebral cresce e comprime a medula espinhal ou a cauda equina. É uma emergência porque, sem tratamento rápido, o déficit neurológico pode se tornar irreversível — a chance de recuperação da marcha e do controle esfincteriano cai drasticamente quanto maior o tempo entre o início dos sintomas e a intervenção. Por isso, a regra de ouro é: na suspeita clínica, trate como compressão medular até prova em contrário.
O mecanismo da lesão envolve dois componentes: a compressão mecânica direta do tecido neural e o edema vasogênico causado pela ruptura da barreira hematoencefálica/hematomedular na região do tumor. É exatamente esse edema que o corticosteroide combate — a dexametasona reduz a permeabilidade capilar, diminuindo o edema e a inflamação, o que pode melhorar rapidamente os sintomas e ganhar tempo para o tratamento definitivo (radioterapia ou cirurgia descompressiva).
O exame de imagem de escolha é a RM de coluna total, pois permite visualizar diretamente a medula, as raízes nervosas, o espaço epidural e a extensão da compressão, além de identificar múltiplos níveis de metástases (que ocorrem em cerca de 30% dos casos). A radiografia simples tem baixa sensibilidade para metástases vertebrais e não avalia o tecido neural; a TC é útil para avaliar a destruição óssea, mas não substitui a RM na avaliação da compressão medular. O tratamento definitivo (radioterapia ou cirurgia) não deve ser atrasado pela confirmação diagnóstica — a RM urgente é feita justamente para organizar essa confirmação de forma rápida.
A pegadinha central desta questão é a tentação de tratar apenas o sintoma (dor) ou de usar medidas que não atacam o mecanismo fisiopatológico. O manitol, por exemplo, é usado para reduzir pressão intracraniana em edema cerebral, não para edema medular por compressão metastática. A heparina é indicada para trombose venosa profunda, não para compressão medular. A furosemida é um diurético de alça, sem papel no edema vasogênico da compressão medular. E a morfina, embora alivie a dor, não trata a causa e não previne a progressão do déficit neurológico.
Guarde o par corticosteroide + RM urgente como a conduta imediata inegociável: é exatamente essa combinação que as alternativas corretas devem trazer, e é nela que as demais opções falham.
1Reconhecer emergência (déficit + esfíncter)
2Dexametasona (reduz edema vasogênico)
3RM urgente de coluna total
4Tratamento definitivo (RT ou cirurgia)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O manitol é um agente osmótico usado para reduzir pressão intracraniana (em edema cerebral, por exemplo), não para edema medular por compressão metastática. Além disso, a TC de coluna, embora útil para avaliar destruição óssea, não é o exame de escolha para avaliar a compressão da medula espinhal — a RM é superior por visualizar diretamente o tecido neural e o espaço epidural.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A heparina plena é indicada para trombose venosa profunda ou embolia pulmonar, não para compressão medular metastática. O Doppler é o exame para avaliar trombose venosa, não para diagnosticar compressão medular. Esta alternativa confunde duas emergências diferentes: a suspeita de TVP e a suspeita de compressão medular.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A furosemida é um diurético de alça, sem papel no edema vasogênico da compressão medular metastática. A radiografia simples de coluna tem baixa sensibilidade para metástases vertebrais (pode não mostrar lesão em estágios iniciais) e não avalia o tecido neural — não é o exame de escolha para confirmar compressão medular.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dexametasona é o corticosteroide de escolha na suspeita de compressão medular metastática: reduz o edema vasogênico e a inflamação peritumoral, podendo melhorar rapidamente os sintomas e ganhar tempo para o tratamento definitivo. A RM urgente de coluna é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão da compressão e identificar múltiplos níveis de metástases — sem atrasar o tratamento definitivo (radioterapia ou cirurgia).
Alternativa E — ❌ Incorreta
A morfina alivia a dor, mas não trata a causa da compressão medular nem previne a progressão do déficit neurológico. A observação é conduta inadequada em uma emergência: o atraso no tratamento pode tornar o déficit irreversível. A analgesia é importante, mas deve ser complementar à conduta específica (corticosteroide + RM urgente), nunca substituta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre emergências diferentes. O manitol (edema cerebral), a heparina (TVP) e a furosemida (diurético) são medidas para outras condições, não para compressão medular metastática. O candidato que decora "emergência oncológica" mas não associa o mecanismo (edema vasogênico) pode cair na alternativa A, que parece plausível por citar um agente que "reduz edema". Lembre-se: na compressão medular, o edema é vasogênico e responde a corticosteroide, não a diurético osmótico.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, monte o raciocínio em dois passos: (1) reconheça a emergência — dor progressiva + déficit neurológico + disfunção esfincteriana em paciente oncológico = compressão medular metastática; (2) aplique a conduta imediata — corticosteroide (dexametasona) + RM urgente. Se a alternativa trouxer qualquer outro exame (TC, radiografia, Doppler) ou outra medicação (manitol, heparina, furosemida), elimine-a.