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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — Avança SP 2026

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
qg649260
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Medicina Paliativa
A escolha do anestésico local e a técnica de bloqueio dependem do procedimento e das condições do paciente. Sobre a farmacologia dos anestésicos locais, sabe-se que a adição de epinefrina às soluções anestésicas tem como objetivos principais prolongar a duração do efeito e reduzir a toxicidade sistêmica. Esse fenômeno ocorre primordialmente devido ao(à):
  1. AAumento do pH da solução anestésica.
  2. BVasoconstrição local que reduz a absorção vascular do fármaco.
  3. CDiminuição da afinidade do anestésico pelos canais de sódio.
  4. DAceleração do metabolismo hepático do anestésico local.
  5. EBloqueio direto dos receptores betaadrenérgicos na fibra nervosa.
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GabaritoB — Vasoconstrição local que reduz a absorção vascular do fármaco.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Farmacologia dos anestésicos locais: papel da epinefrina

Gabarito: letra B. A adição de epinefrina (adrenalina) às soluções de anestésicos locais prolonga a duração do efeito e reduz a toxicidade sistêmica porque promove vasoconstrição local, o que diminui a absorção vascular do fármaco para a circulação sistêmica. Esse é o mecanismo farmacológico clássico, amplamente descrito na literatura de anestesiologia e farmacologia clínica.

Os anestésicos locais são bases fracas que atuam bloqueando de forma reversível os canais de sódio voltagem-dependentes na membrana do neurônio, impedindo a despolarização e, consequentemente, a propagação do potencial de ação. Quando injetados, esses fármacos são absorvidos pelo sangue e distribuídos pelo organismo — e é justamente essa absorção sistêmica que determina tanto a duração do bloqueio no local desejado quanto o risco de toxicidade (convulsões, arritmias, depressão do sistema nervoso central).

A epinefrina, um agonista adrenérgico, ao ser adicionada à solução anestésica, ativa receptores alfa-1 adrenérgicos na musculatura lisa dos vasos sanguíneos locais, causando vasoconstrição. Com o vaso contraído, o fluxo sanguíneo na região diminui, e o anestésico local permanece por mais tempo no sítio de injeção. Isso gera dois efeitos benéficos e interligados: (1) o fármaco fica mais tempo em contato com o nervo, prolongando o bloqueio anestésico; e (2) a quantidade de anestésico que atinge a circulação sistêmica por unidade de tempo é menor, reduzindo o pico de concentração plasmática e, portanto, o risco de toxicidade sistêmica.

Na prática clínica, isso se traduz em doses máximas maiores quando o vasoconstritor está presente. Por exemplo, a lidocaína pode ser usada em doses de até 5 mg/kg sem vasoconstritor e até 7 mg/kg com vasoconstritor, justamente porque a absorção mais lenta protege o paciente de atingir a concentração plasmática tóxica (5 µg/mL). A duração do efeito também aumenta: em bloqueios de nervos periféricos, a lidocaína dura cerca de 60 minutos sem epinefrina e até 120 minutos com epinefrina.

É importante distinguir o mecanismo da epinefrina de outros fatores que influenciam a farmacocinética dos anestésicos locais. O pH da solução, por exemplo, influencia a proporção entre a forma ionizada e a não ionizada do fármaco — em meio ácido (como em tecidos inflamados), predomina a forma ionizada, que difunde menos pela membrana, retardando o início de ação. Já a lipossolubilidade determina a potência, e a ligação a proteínas determina a duração da ação. Nenhum desses mecanismos se confunde com a vasoconstrição promovida pela epinefrina.

A pegadinha desta questão está em atribuir à epinefrina efeitos que não são dela: ela não altera o pH da solução, não modifica a afinidade do anestésico pelo canal de sódio, não acelera o metabolismo hepático e não bloqueia receptores beta-adrenérgicos na fibra nervosa. O candidato que não domina o mecanismo de ação do vasoconstritor pode ser induzido a escolher uma alternativa que descreve um efeito farmacológico plausível, mas incorreto. Guarde o conceito central: epinefrina = vasoconstrição local = menor absorção sistêmica = maior duração e menor toxicidade.

Epinefrina + anestésico local
  • 1Mecanismo
    • Vasoconstrição local (alfa-1)
    • Menor absorção sistêmica
    • Prolonga efeito
    • Reduz toxicidade
  • 2Não faz
    • Não altera pH
    • Não muda afinidade pelo canal de Na+
    • Não acelera metabolismo hepático
    • Não bloqueia beta-adrenérgicos
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o efeito se deve ao aumento do pH da solução anestésica. Isso está errado: a epinefrina não altera o pH da solução. O pH influencia a ionização do anestésico local (bases fracas são mais ionizadas em meio ácido, dificultando a difusão), mas não é o mecanismo pelo qual a epinefrina prolonga o efeito ou reduz a toxicidade. Na verdade, as soluções de anestésicos locais com epinefrina costumam ter pH levemente mais ácido (devido ao antioxidante), e não mais alcalino.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a alternativa correta. A epinefrina causa vasoconstrição local ao ativar receptores alfa-1 adrenérgicos nos vasos sanguíneos do sítio de injeção. Isso reduz a absorção vascular do anestésico local para a circulação sistêmica, o que: (1) mantém o fármaco por mais tempo no local, prolongando o bloqueio; e (2) diminui a concentração plasmática máxima, reduzindo o risco de toxicidade sistêmica. É exatamente o mecanismo descrito no enunciado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a epinefrina diminui a afinidade do anestésico pelos canais de sódio. Isso é incorreto e até contraditório: se a afinidade diminuísse, o bloqueio seria menos eficaz, não mais duradouro. A afinidade do anestésico local pelo canal de sódio é uma propriedade intrínseca da molécula (relacionada à sua estrutura e lipossolubilidade), e não é modificada pela epinefrina. A epinefrina atua na vasculatura local, não no receptor do anestésico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a epinefrina acelera o metabolismo hepático do anestésico local. Isso é falso. A epinefrina não tem efeito sobre as enzimas hepáticas que metabolizam os anestésicos locais (como as amidas, metabolizadas pelo fígado via CYP450). Na verdade, ao reduzir a absorção sistêmica, a epinefrina indiretamente diminui a quantidade de fármaco que chega ao fígado para ser metabolizado, o que contribui para menores níveis plasmáticos e menor toxicidade — mas não por aceleração do metabolismo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a epinefrina bloqueia diretamente os receptores beta-adrenérgicos na fibra nervosa. Isso é um erro conceitual duplo: (1) a epinefrina é um agonista adrenérgico (ativa receptores alfa e beta), não um bloqueador; e (2) os receptores beta-adrenérgicos não estão localizados na fibra nervosa periférica onde o anestésico atua — eles estão em órgãos efetores (coração, brônquios, vasos). O efeito da epinefrina na anestesia local se dá pela vasoconstrição via receptores alfa-1 na musculatura vascular, não por bloqueio de receptores na fibra nervosa.

Gabarito: letra B — a vasoconstrição local promovida pela epinefrina reduz a absorção vascular do anestésico, prolongando o efeito e diminuindo a toxicidade sistêmica.

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