Questão de Medicina — Pneumologia — Avança SP 2026
Medicina›Pneumologia
Código
qg652417
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Potim - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico
Mulher de 48 anos, no pós-operatório de cirurgia abdominal, apresenta início súbito de dispneia, taquipneia e dor torácica do tipo pleurítica. A oximetria de pulso revela dessaturação.
ARealizar uma radiografia de tórax em perfil.
BSolicitar uma gasometria arterial.
CAdministrar heparina de baixo peso molecular.
DSolicitar uma angiotomografia de tórax.
EColetar dosagem de dímero-D.
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GabaritoD — Solicitar uma angiotomografia de tórax.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Tromboembolismo pulmonar: diagnóstico por imagem
Gabarito: letra D. Em paciente no pós-operatório de cirurgia abdominal com início súbito de dispneia, taquipneia, dor pleurítica e dessaturação, a principal hipótese diagnóstica é o tromboembolismo pulmonar (TEP). O exame de escolha para confirmar o diagnóstico é a angiotomografia computadorizada de tórax, que é o padrão-ouro não invasivo para a detecção de trombos nas artérias pulmonares.
O tromboembolismo pulmonar é uma condição potencialmente fatal que ocorre quando um trombo, geralmente originado nas veias profundas dos membros inferiores, obstrui as artérias pulmonares. O quadro clínico clássico inclui dispneia súbita, taquipneia, dor torácica pleurítica e hipoxemia, como apresentado no enunciado. O contexto de pós-operatório de cirurgia abdominal é um fator de risco importante, pois o repouso e a imobilidade favorecem a formação de trombos venosos.
A investigação diagnóstica do TEP segue uma lógica de probabilidade pré-teste e exames complementares. Inicialmente, utilizam-se ferramentas como o escore de Wells ou o escore de Genebra para estratificar o risco. Em pacientes com probabilidade clínica baixa ou intermediária, o dímero-D é um excelente exame de rastreamento: se negativo, praticamente exclui o diagnóstico; se positivo, não confirma, apenas indica a necessidade de exames de imagem. Já em pacientes com alta probabilidade clínica, como o caso descrito, deve-se prosseguir diretamente para o exame de imagem confirmatório.
A angiotomografia computadorizada de tórax é o exame de imagem de primeira linha para o diagnóstico de TEP na maioria dos serviços. Ela permite visualizar diretamente os trombos nas artérias pulmonares, além de avaliar o parênquima pulmonar e o mediastino, ajudando a excluir diagnósticos diferenciais como pneumonia, pneumotórax e dissecção de aorta. A cintilografia de ventilação-perfusão (V/Q) é uma alternativa para pacientes com contraindicação ao contraste iodado ou insuficiência renal, mas a angiotomografia é mais rápida, amplamente disponível e fornece mais informações.
A radiografia de tórax, a gasometria arterial e o dímero-D são exames úteis na avaliação inicial, mas não são capazes de confirmar o diagnóstico de TEP. A radiografia pode mostrar achados inespecíficos, como atelectasia ou derrame pleural, e serve principalmente para excluir outras causas de dispneia. A gasometria arterial pode evidenciar hipoxemia, mas não é específica. O dímero-D, como mencionado, é um exame de exclusão, não de confirmação. A heparina de baixo peso molecular é o tratamento inicial do TEP, mas não deve ser administrada antes da confirmação diagnóstica, a menos que a suspeita seja muito alta e o risco de complicações seja iminente.
A pegadinha desta questão está em distinguir o exame que confirma o diagnóstico daqueles que apenas sugerem ou excluem. O candidato que confunde o papel do dímero-D (exclusão) com o da angiotomografia (confirmação) tende a errar. Além disso, é importante lembrar que o tratamento anticoagulante não deve ser iniciado empiricamente em todos os casos, mas sim após a confirmação diagnóstica, salvo situações de instabilidade hemodinâmica.
1Probabilidade clínica (Wells)
2Baixa/intermediária → dímero-D
3Dímero-D negativo → exclui
4Alta ou dímero-D positivo → angioTC
5Confirmado → anticoagulação
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A radiografia de tórax em perfil é um exame de primeira linha na avaliação de dispneia, mas tem baixa sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de TEP. Ela pode mostrar achados inespecíficos, como atelectasia, derrame pleural ou elevação de um hemidiafragma, mas não visualiza diretamente os trombos nas artérias pulmonares. Seu papel é auxiliar na exclusão de outras causas de dispneia, como pneumonia, pneumotórax e congestão pulmonar, e não confirmar o TEP.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A gasometria arterial é útil para avaliar a oxigenação e o equilíbrio ácido-base, podendo evidenciar hipoxemia e hipocapnia (alcalose respiratória) no TEP. No entanto, esses achados são inespecíficos e não confirmam o diagnóstico. A gasometria é um exame complementar que auxilia na avaliação da gravidade, mas não é o exame de escolha para confirmar o TEP.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A heparina de baixo peso molecular é o tratamento anticoagulante inicial do TEP, mas não é um exame diagnóstico. Administrar anticoagulação antes da confirmação diagnóstica pode ser considerado em casos de alta suspeita e instabilidade, mas, no cenário descrito, o paciente está estável e o diagnóstico deve ser confirmado por imagem antes de iniciar o tratamento. A alternativa confunde o tratamento com o diagnóstico.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A angiotomografia computadorizada de tórax é o exame de imagem de primeira linha para o diagnóstico de TEP. Ela permite a visualização direta dos trombos nas artérias pulmonares, com alta sensibilidade e especificidade. No paciente com alta probabilidade clínica, como o caso descrito, a angiotomografia é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico e orientar o tratamento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O dímero-D é um exame de rastreamento com alta sensibilidade, mas baixa especificidade. Um resultado negativo praticamente exclui o TEP em pacientes com baixa ou intermediária probabilidade clínica, mas um resultado positivo não confirma o diagnóstico, apenas indica a necessidade de exames de imagem. No caso descrito, com alta probabilidade clínica, o dímero-D não é o exame de escolha; deve-se prosseguir diretamente para a angiotomografia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o exame que exclui (dímero-D) e o exame que confirma (angiotomografia). O candidato que decora que "dímero-D é o exame do TEP" sem entender o papel de cada um na estratégia diagnóstica cai na alternativa E. Lembre-se: em alta probabilidade clínica, vá direto para a imagem.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de TEP, monte um fluxo mental: 1) probabilidade clínica (escore de Wells); 2) se baixa/intermediária → dímero-D; 3) se alta ou dímero-D positivo → angiotomografia. O tratamento (heparina) só vem após a confirmação, exceto em instabilidade.