Questão de Medicina — Hematologia — Avança SP 2026
Medicina›Hematologia
Código
qg652431
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Potim - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Estratégia de Saúde da Família
Marque um dado laboratorial típico de anemia ferropriva:
AHemoglobina elevada.
BVHS alto.
CFerritina sérica baixa.
DLeucocitose neutrofílica.
EEosinofilia grave.
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GabaritoC — Ferritina sérica baixa.
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Anemia ferropriva: o dado laboratorial que fecha o diagnóstico
Gabarito: letra C. Na anemia ferropriva, a ferritina sérica está baixa — é o marcador laboratorial mais específico e precoce da depleção dos estoques de ferro, sendo o exame de escolha para o screening de pacientes anêmicos. As demais alternativas trazem achados que não são típicos dessa condição: a hemoglobina está diminuída (não elevada), o VHS costuma estar normal ou apenas discretamente elevado, e não há leucocitose neutrofílica nem eosinofilia grave como padrão da doença.
A anemia ferropriva é a anemia mais comum do mundo e resulta da deficiência de ferro, que compromete a síntese de hemoglobina. O ferro é armazenado no organismo principalmente na forma de ferritina, presente no fígado, baço, medula óssea e músculo. Quando os estoques de ferro se esgotam, a ferritina sérica cai — e é exatamente por isso que sua dosagem é o exame mais sensível e específico para detectar a deficiência de ferro, mesmo antes de a anemia se manifestar no hemograma.
O diagnóstico laboratorial da anemia ferropriva clássica mostra um padrão bem definido: anemia microcítica e hipocrômica, com hemoglobina, VCM, HCM e CHCM reduzidos, RDW aumentado (anisocitose), ferro sérico baixo, transferrina (TIBC) aumentada e saturação de transferrina diminuída. A ferritina sérica, por sua vez, está bem abaixo do valor de referência — valores inferiores a 12 µg/L (ou 15 µg/L, conforme a referência) indicam depleção dos estoques de ferro. É importante notar que a ferritina é uma proteína de fase aguda: em processos inflamatórios, ela pode estar falsamente elevada, o que exige cautela na interpretação.
A doença evolui em estágios: primeiro há a depleção das reservas de ferro (ferritina baixa, hemoglobina ainda normal); depois, a deficiência de ferro propriamente dita (ferro sérico baixo, transferrina aumentada, saturação diminuída); e, por fim, a anemia instalada, com as alterações do hemograma. Essa sequência explica por que a ferritina baixa é o achado mais precoce e específico — ela aparece já no primeiro estágio, antes mesmo da queda da hemoglobina.
A pegadinha da questão está em confundir o perfil laboratorial da anemia ferropriva com o de outras condições. O VHS alto, por exemplo, sugere processo inflamatório (como na anemia de doença crônica), e não deficiência de ferro. A leucocitose neutrofílica aponta para infecção ou inflamação, e a eosinofilia grave é típica de parasitoses ou reações alérgicas — nenhuma delas faz parte do quadro da ferropriva. Já a hemoglobina elevada é o oposto do que se espera: na anemia ferropriva, a hemoglobina está reduzida.
Guarde o critério decisivo: na anemia ferropriva, o que está baixo é a ferritina sérica (estoques de ferro), o ferro sérico, a hemoglobina e os índices hematimétricos (VCM, HCM, CHCM); o que está alto é a transferrina (TIBC) e o RDW. É exatamente nessa inversão que as alternativas se dividem.
Anemia ferropriva
1Perfil laboratorial
Baixos
Ferritina sérica
Ferro sérico
Hemoglobina
VCM, HCM, CHCM
Altos
Transferrina (TIBC)
RDW
2Marcador mais específico
Ferritina baixa
Primeiro a se alterar
3Diagnóstico diferencial
VHS alto → anemia de doença crônica
Leucocitose → infecção/inflamação
Eosinofilia → parasitose/alergia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a hemoglobina está elevada. Na anemia ferropriva ocorre exatamente o contrário: a hemoglobina está diminuída, frequentemente abaixo de 10 g/dL nos casos mais graves. A elevação da hemoglobina é vista em outras condições, como policitemia, desidratação ou hipóxia crônica — não na deficiência de ferro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O VHS (velocidade de hemossedimentação) alto é um marcador inespecífico de inflamação, presente em infecções, doenças autoimunes e neoplasias. Na anemia ferropriva, o VHS costuma estar normal ou apenas discretamente elevado. O VHS alto associado a anemia sugere, na verdade, anemia de doença crônica — um dos principais diagnósticos diferenciais da ferropriva.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ferritina sérica baixa é o dado laboratorial típico e mais específico da anemia ferropriva. A ferritina reflete os estoques de ferro do organismo; quando estão depletados, seus níveis caem — valores abaixo de 12 µg/L (ou 15 µg/L, conforme a referência) indicam deficiência de ferro. É o exame de escolha para o screening de pacientes anêmicos e o primeiro parâmetro a se alterar, já na fase de depleção das reservas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Leucocitose neutrofílica (aumento dos neutrófilos no sangue) é um achado de infecção bacteriana, inflamação ou estresse — não faz parte do perfil da anemia ferropriva. O hemograma da ferropriva mostra, tipicamente, hemácias microcíticas e hipocrômicas, sem alteração significativa da série branca.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Eosinofilia grave (aumento importante dos eosinófilos) é característica de parasitoses intestinais, alergias e algumas doenças hematológicas — não da anemia ferropriva. Embora a deficiência de ferro possa coexistir com parasitoses (que causam perda sanguínea crônica), a eosinofilia não é um dado laboratorial típico da ferropriva em si.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar o perfil laboratorial da anemia ferropriva, memorize o padrão "baixo-alto": baixos — ferritina, ferro sérico, hemoglobina, VCM, HCM, CHCM; altos — transferrina (TIBC), RDW. Na prova, quando a questão pedir o dado típico, procure sempre a ferritina baixa — é o marcador mais específico e o primeiro a se alterar.