Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — Avança SP 2026
- Código
- qg652472
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- Prefeitura de Potim - SP
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Psiquiatra
- AMetformina.
- BDipirona.
- CFentanil.
- DMorfina.
- EParacetamol.
GabaritoD — Morfina.
Gabarito: letra D (Morfina). No infarto agudo do miocárdio (IAM), a morfina é o analgésico de escolha para o alívio da dor torácica isquêmica, pois, além de promover analgesia e ansiolise, causa vasodilatação e aumento do tônus vagal, reduzindo a pré-carga e a demanda de oxigênio pelo miocárdio. Essa conduta é padronizada nas diretrizes de síndromes coronarianas agudas, que indicam a morfina para pacientes com dor isquêmica que não obtiveram alívio ou com recorrência da dor.
A dor torácica no IAM é uma dor intensa, de origem isquêmica, que exige analgesia potente e imediata. O objetivo não é apenas o conforto do paciente, mas também a redução do consumo miocárdico de oxigênio, que é diretamente influenciado pela dor e pela ansiedade. Nesse contexto, os opioides, especialmente a morfina, são os fármacos de eleição. A morfina atua nos receptores opioides μ e k, centrais e periféricos, promovendo analgesia efetiva. Seus efeitos benéficos adicionais no IAM incluem a venodilatação, que reduz a pré-carga (diminuindo o trabalho cardíaco), e o aumento do tônus vagal, que pode ajudar a controlar a frequência cardíaca. Por isso, ela é preferida em relação a outros analgésicos, como dipirona e paracetamol, que são eficazes para dores leves a moderadas, mas não oferecem os mesmos benefícios hemodinâmicos e não são potentes o suficiente para a dor intensa do infarto.
Na prática, o manejo da dor no IAM segue uma sequência: inicialmente, podem ser usados nitratos sublinguais para alívio da dor; se não houver resposta satisfatória ou se a dor for intensa e recorrente, a morfina é administrada por via endovenosa. A dose usual é de 2 a 4 mg, podendo ser repetida a cada 5 a 15 minutos até o alívio da dor, com monitoração cuidadosa da pressão arterial e da frequência respiratória, devido ao risco de hipotensão e depressão respiratória. É importante destacar que a morfina é o padrão-ouro no controle da dor intensa, e os outros opioides têm sua potência definida em comparação a ela. O fentanil, por exemplo, é um opioide mais potente, mas tem duração de ação mais curta, sendo mais útil em procedimentos ou em episódios agudos de dor, enquanto a morfina é preferida para a analgesia contínua no contexto do IAM.
A distinção crucial que a banca explora é entre os analgésicos comuns (dipirona, paracetamol) e os opioides fortes (morfina, fentanil). Os analgésicos comuns são indicados para dores leves a moderadas e não têm o efeito hemodinâmico benéfico da morfina no IAM. Além disso, a metformina é um antidiabético, completamente fora do contexto analgésico. Portanto, a escolha correta recai sobre a morfina, que é o analgésico de eleição no infarto agudo do miocárdio, conforme as diretrizes de síndromes coronarianas agudas.
Guarde a fronteira entre analgésicos comuns e opioides fortes: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A dor do IAM é intensa e exige opioide forte, e a morfina é o representante clássico e de escolha nesse cenário.
A metformina é um agente antidiabético oral da classe das biguanidas, utilizado no tratamento do diabetes mellitus tipo 2. Não possui propriedade analgésica e não tem qualquer indicação no manejo da dor torácica do infarto agudo do miocárdio. Sua presença na questão é um distrator claro, testando se o candidato reconhece a classe farmacológica do fármaco.
A dipirona é um analgésico comum, não opioide, eficaz para dores leves a moderadas. Embora seja amplamente utilizada, não é o fármaco de escolha para a dor intensa do IAM, pois não oferece os benefícios hemodinâmicos da morfina (vasodilatação e aumento do tônus vagal) e não é potente o suficiente para controlar a dor isquêmica grave. Além disso, em pacientes de alto risco cardiovascular que usam ácido acetilsalicílico, a dipirona deve ser evitada ou usada com cautela, pois interfere na ação antitrombótica do AAS.
O fentanil é um opioide forte, mais potente que a morfina, e poderia, em tese, aliviar a dor do IAM. No entanto, a morfina é o analgésico de escolha clássico e padronizado nas diretrizes para o infarto agudo do miocárdio. O fentanil tem início de ação rápido, mas duração curta (cerca de 30 a 60 minutos), sendo mais útil para analgesia em procedimentos ou em episódios agudos de dor, e não como primeira escolha para a analgesia contínua no IAM. A questão pede o fármaco de escolha, e esse é a morfina.
A morfina é o analgésico de eleição no infarto agudo do miocárdio. Além da analgesia e ansiolise, ela provoca vasodilatação e aumento do tônus vagal, reduzindo a pré-carga e a demanda de oxigênio pelo miocárdio. É indicada para pacientes com dor isquêmica que não obtiveram alívio ou nos casos de recorrência da dor, sendo o padrão-ouro no controle da dor intensa.
O paracetamol é um analgésico comum, não opioide, eficaz para dores leves a moderadas. Assim como a dipirona, não é potente o suficiente para a dor intensa do IAM e não oferece os benefícios hemodinâmicos da morfina. Embora possa ser usado como adjuvante em associação com opioides, não é o fármaco de escolha para a analgesia no infarto agudo do miocárdio.
A banca mistura analgésicos comuns (dipirona, paracetamol) e opioides (fentanil, morfina) para testar se o candidato sabe que a dor do IAM é intensa e exige opioide forte. O fentanil é um opioide potente, mas a morfina é o fármaco de escolha clássico e padronizado nas diretrizes. O candidato que sabe que a dor isquêmica é intensa e que a morfina é o padrão-ouro acerta de imediato.
Para questões de analgesia no IAM, lembre-se: dor intensa + benefício hemodinâmico = morfina. Os analgésicos comuns (dipirona, paracetamol) são para dores leves a moderadas; o fentanil é mais potente, mas de curta duração, sendo usado em procedimentos. A metformina é um antidiabético e nunca será a resposta para dor.
Gabarito: letra D
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