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Questão de Português — Morfologia — Avança SP 2026

PortuguêsMorfologia
Código
qg655922
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Potim - SP
Ano
2026
Nível
Fundamental
Água mole em pedra dura


       O mar é paciente, suas ondas vão e vêm, vêm e vão, monótonas, incessantes, em ritmos diferentes, por horas, dias, anos, quase que eternamente, batendo no mesmo lugar, na mesma praia, na mesma pedra, como se sua missão fosse mudar o desenho da costa, refazer as praias, redesenhar as rochas e os continentes, escondendo mais uma Atlântida.

        Forte, fraco, o movimento das ondas segue incansável, sem sono, sem pressa, mais forte ou mais fraco, de encontro ao rochedo, morrendo na praia. Reverberando tempestades ou manso, sob a brisa.

       O mar é o dono, a vida depende dele, a morte depende dele, os abrolhos afundam naus, os icebergs afundam navios, as tempestades reescrevem as derrotas e as ondas gigantes engolem os sonhos viajando nas embarcações.

        O mar molda as pedras, minuto a minuto, ao longo dos milênios, as ondas batem assim ou assado, escavam um lado, amolecem outro, derrubam os alicerces onde o litoral se apoia. Uma madrugada o enorme bloco se solta do continente e a costeira muda sua linha.

         As ilhas baixas podem estar condenadas. O aquecimento global derrete os gelos polares e o mar sobe. As marés sobem, engolem praias, derrubam coqueiros, espantam os homens.

       Não há força que resista ao seu avanço, não há muro que contenha suas águas. No movimento inclemente os poetas veem a beleza da vida, e a caiçara a quase miséria da sua existência.

        O mar pode ser cruel. As tempestades podem durar dias, semanas. Debaixo delas a vida encolhe e os sonhos se perdem na pesca que não acontece, no sueste batendo rijo. O mar é o dono de tudo, o mar pode tudo, a vida nasceu nele, a vida se perde nele. Para que fosses nosso, ó mar, valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena. 


MENDONÇA, Antonio Penteado. Água mole em pedra
dura. Crônicas da cidade. Disponível em
<https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2025/11/13/ag
ua-mole-em-pedra-dura/>. 

“Não há força que resista ao seu avanço”


Reescrevendo no plural somente o trecho destacado na frase acima, fica correta a seguinte forma:

  1. A“hão forças”.
  2. B“existe forças”.
  3. C“têem forças”.
  4. D“haviam forças”.
  5. E“há forças”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — “há forças”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Flexão de número do verbo "haver" — impessoalidade e reescrita

Gabarito: letra E. Ao pluralizar o sujeito "força" para "forças", o verbo "haver" permanece invariável — "há forças" — porque, no sentido de existir, é impessoal e não flexiona. A passagem do texto "Não há força que resista ao seu avanço" exige apenas a troca do substantivo para o plural, mantendo o verbo no singular, como se lê na alternativa E.

O comando pede uma reescritura com foco na flexão de número: transformar o trecho destacado "há força" em sua forma plural. A armadilha central é acreditar que o verbo deve acompanhar o número do substantivo, mas o verbo "haver" com sentido de existir é impessoal — não possui sujeito e, por isso, fica sempre na 3ª pessoa do singular. Essa é uma regra de concordância verbal que a banca adora cobrar: o verbo impessoal não varia, mesmo quando o objeto (aqui, "forças") está no plural.

No texto, a frase original é:

"Não há força que resista ao seu avanço"

A reescrita correta mantém a estrutura sintática: o verbo "haver" continua no singular, e apenas o substantivo "força" passa a "forças". Qualquer tentativa de flexionar o verbo ("hão", "haviam") ou de usar outro verbo no plural ("existem") altera o sentido ou viola a norma culta.

A técnica para resolver: identifique o verbo impessoal (haver = existir) e lembre que ele não tem sujeito — logo, não concorda com o objeto direto. Na dúvida, substitua mentalmente por "existe/existem": se a frase com "existe" fizer sentido no singular, o "há" permanece singular. Aqui, "existe forças" soa errado; o correto seria "existem forças", mas a questão pede a forma com "haver", que é invariável.

  1. 1Identificar verbo impessoal
  2. 2Haver = existir, sem sujeito
  3. 3Não flexiona no plural
  4. 4Pluralizar só o substantivo
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"hão forças" — erro de flexão: a forma "hão" não existe no paradigma do verbo "haver" no presente do indicativo. O verbo "haver" é defectivo nesse sentido: só se conjuga na 3ª pessoa do singular ("há"). A alternativa inventa uma forma plural que não pertence à língua padrão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"existe forças" — erro de concordância: troca o verbo "haver" por "existir", que é pessoal e deve concordar com o sujeito. Como o sujeito é "forças" (plural), o correto seria "existem forças". Além disso, a questão pede a reescrita somente do trecho destacado, mantendo o verbo "haver". A alternativa substitui o verbo e ainda erra a concordância.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"têem forças" — erro de grafia e de verbo: a forma "têem" não existe (o correto é "têm", sem acento circunflexo no "e" duplo, conforme o Acordo Ortográfico). Além disso, troca "haver" por "ter", alterando o sentido e a estrutura da frase. A alternativa confunde o verbo e ainda apresenta erro ortográfico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"haviam forças" — erro de flexão: no sentido de existir, o verbo "haver" é impessoal e não vai para o plural. "Haviam" só é correto quando "haver" é auxiliar em locução verbal (ex.: "eles haviam chegado"). Aqui, a alternativa flexiona indevidamente o verbo impessoal, violando a concordância.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"há forças" — reescritura correta: mantém o verbo "haver" no singular, pois é impessoal (sentido de existir), e apenas pluraliza o substantivo "forças". A frase resultante, "Não há forças que resistam ao seu avanço", preserva o sentido original e obedece à norma culta. A alternativa respeita a impessoalidade do verbo e a concordância nominal do substantivo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece formas que parecem plurais ("hão", "haviam") para induzir à flexão, mas o verbo "haver" no sentido de existir é impessoal e permanece no singular. Desconfie de qualquer forma plural do verbo "haver" quando ele significar "existir".

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever frases com "há" (existir), teste substituindo por "existe": se fizer sentido no singular, o "há" fica invariável. E lembre: "hão" não existe; "haviam" só como auxiliar.

Gabarito: letra E — a única que mantém o verbo impessoal no singular e pluraliza corretamente o substantivo.

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