No Texto 1, o uso predominante de verbos no infinitivo contribui para:
AMarcar ações pontuais localizadas no passado.
BCriar a ideia na canção de ações contínuas e universais ligadas aos ciclos da natureza.
CIndicar ordens diretas que devem ser feitas pelo trabalhador rural.
DConstruir uma narrativa com início, meio e fim definidos.
EFazer com que o texto se configure totalmente como uma composição em linguagem coloquial.
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GabaritoB — Criar a ideia na canção de ações contínuas e universais ligadas aos ciclos da natureza.
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Efeito dos verbos no infinitivo em "Cio da Terra"
Gabarito: letra B. O uso predominante de verbos no infinitivo na canção cria a ideia de ações contínuas e universais, ligadas aos ciclos da natureza. Isso se comprova pelo fato de que os infinitivos não se referem a um tempo ou pessoa específicos, mas descrevem atividades típicas do ciclo agrícola, como se vê nos versos “Debulhar o trigo / Recolher cada bago do trigo / Forjar no trigo o milagre do pão / E se fartar de pão”. A atemporalidade e a generalidade do infinitivo impessoal fazem com que as ações pareçam eternas e naturais.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o valor do infinitivo e o de outras formas verbais (imperativo, pretérito) ou estruturas textuais (narrativa). É preciso reconhecer que o infinitivo, por si só, não expressa tempo, modo ou pessoa — sua função é justamente dar um tom genérico, cíclico.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma: "Marcar ações pontuais localizadas no passado." Erro:Extrapolação. O infinitivo não indica tempo; ele é uma forma nominal que, isolada, não localiza a ação no passado, presente ou futuro. A letra não traz nenhum marcador temporal que remeta a ações passadas. Exemplo: "Decepar a cana" não diz quando isso ocorre.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma: "Criar a ideia na canção de ações contínuas e universais ligadas aos ciclos da natureza." Prova no texto: Todos os versos são construídos com infinitivos que descrevem etapas do trabalho agrícola — debulhar, recolher, forjar, decepar, roubar, afagar, conhecer, fecundar, lambuzar. A ausência de conjugação temporal ou pessoal reforça a impressão de que essas ações se repetem indefinidamente, como os ciclos da natureza.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma: "Indicar ordens diretas que devem ser feitas pelo trabalhador rural." Erro:Troca de conceito. Infinitivos podem, em contextos injuntivos (manuais, receitas), assumir valor de imperativo, mas na canção eles são usados de forma descritiva e poética, não como ordens. Não há tom de comando ou vocativo que indique uma ordem.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma: "Construir uma narrativa com início, meio e fim definidos." Erro:Fora do escopo. A letra não é uma narrativa; é uma sequência lírica de ações soltas, sem enredo ou progressão temporal. Não há personagens, conflito ou desfecho.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma: "Fazer com que o texto se configure totalmente como uma composição em linguagem coloquial." Erro:Incompleto/contraditório. Embora a música tenha palavras simples, o uso de recursos como a metáfora (“milagre do pão”, “doçura do mel”) e a estrutura rítmica elevam o tom para o lírico, não estritamente coloquial. Além disso, o infinitivo não é exclusivo da linguagem coloquial.
Conclusão: A única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a B, que capta o efeito atemporal e universal do infinitivo na descrição dos ciclos naturais.