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Questão de Português — Morfologia - Verbos — FEPESE 2026

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
qg676057
Banca
FEPESE
Órgão
CIDASC
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Técnico de Suporte de Informática
Texto 1


Leia com atenção a letra da música de Milton Nascimento.


Cio da Terra


Debulhar o trigo

Recolher cada bago do trigo

Forjar no trigo o milagre do pão

E se fartar de pão


Decepar a cana

Recolher a garapa da cana

Roubar da cana a doçura do mel


Afagar a terra

Conhecer os desejos da terra

Cio da terra, propícia estação

E fecundar o chão


Fonte: https://www.letras.mus.br/milton-nascimento/47414/ 
Se lambuzar de mel
No Texto 1, o uso predominante de verbos no infinitivo contribui para:
  1. AMarcar ações pontuais localizadas no passado.
  2. BCriar a ideia na canção de ações contínuas e universais ligadas aos ciclos da natureza.
  3. CIndicar ordens diretas que devem ser feitas pelo trabalhador rural.
  4. DConstruir uma narrativa com início, meio e fim definidos.
  5. EFazer com que o texto se configure totalmente como uma composição em linguagem coloquial.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Criar a ideia na canção de ações contínuas e universais ligadas aos ciclos da natureza.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Efeito dos verbos no infinitivo em "Cio da Terra"

Gabarito: letra B. O uso predominante de verbos no infinitivo na canção cria a ideia de ações contínuas e universais, ligadas aos ciclos da natureza. Isso se comprova pelo fato de que os infinitivos não se referem a um tempo ou pessoa específicos, mas descrevem atividades típicas do ciclo agrícola, como se vê nos versos “Debulhar o trigo / Recolher cada bago do trigo / Forjar no trigo o milagre do pão / E se fartar de pão”. A atemporalidade e a generalidade do infinitivo impessoal fazem com que as ações pareçam eternas e naturais.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o valor do infinitivo e o de outras formas verbais (imperativo, pretérito) ou estruturas textuais (narrativa). É preciso reconhecer que o infinitivo, por si só, não expressa tempo, modo ou pessoa — sua função é justamente dar um tom genérico, cíclico.


Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma: "Marcar ações pontuais localizadas no passado." Erro: Extrapolação. O infinitivo não indica tempo; ele é uma forma nominal que, isolada, não localiza a ação no passado, presente ou futuro. A letra não traz nenhum marcador temporal que remeta a ações passadas. Exemplo: "Decepar a cana" não diz quando isso ocorre.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma: "Criar a ideia na canção de ações contínuas e universais ligadas aos ciclos da natureza." Prova no texto: Todos os versos são construídos com infinitivos que descrevem etapas do trabalho agrícola — debulhar, recolher, forjar, decepar, roubar, afagar, conhecer, fecundar, lambuzar. A ausência de conjugação temporal ou pessoal reforça a impressão de que essas ações se repetem indefinidamente, como os ciclos da natureza.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma: "Indicar ordens diretas que devem ser feitas pelo trabalhador rural." Erro: Troca de conceito. Infinitivos podem, em contextos injuntivos (manuais, receitas), assumir valor de imperativo, mas na canção eles são usados de forma descritiva e poética, não como ordens. Não há tom de comando ou vocativo que indique uma ordem.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma: "Construir uma narrativa com início, meio e fim definidos." Erro: Fora do escopo. A letra não é uma narrativa; é uma sequência lírica de ações soltas, sem enredo ou progressão temporal. Não há personagens, conflito ou desfecho.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma: "Fazer com que o texto se configure totalmente como uma composição em linguagem coloquial." Erro: Incompleto/contraditório. Embora a música tenha palavras simples, o uso de recursos como a metáfora (“milagre do pão”, “doçura do mel”) e a estrutura rítmica elevam o tom para o lírico, não estritamente coloquial. Além disso, o infinitivo não é exclusivo da linguagem coloquial.

Conclusão: A única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a B, que capta o efeito atemporal e universal do infinitivo na descrição dos ciclos naturais.

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