Questão de Medicina Legal — Traumatologia Forense — FEPESE 2026
Medicina Legal›Traumatologia Forense
Código
qg676483
Banca
FEPESE
Órgão
Polícia Científica - SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Perito Oficial Criminal - Medicina Legal
Durante a necropsia em um caso de morte infantil suspeita de espancamento, o médico-legal analisa radiografias para inferir lesões antigas, afetando a reconstrução cronológica do abuso.O achado radiológico característico da síndrome da criança espancada, comum em investigações de infanticídio, é de:
ACalcificações lineares uniformes sugerindo lesões únicas acidentais, priorizando consolidações rápidas para minimizar repetições em perícias de quedas domésticas isoladas.
BFraturas metafisárias em estágios de consolidação variados indicando traumas repetidos, crucial para comprovar ciclos abusivos e qualificar dolo em ações penais por homicídio doloso.
CAnomalias congênitas ósseas sem evidências de traumas acumulados, focando em malformações genéticas para excluir abusos em inquéritos de síndromes hereditárias.
DEdemas periosteais agudos limitados a eventos recentes não crônicos, concentrando em inflamações passageiras para negar padrões em análises de contusões superficiais.
EDeslocamentos articulares espontâneos por hiperatividade infantil sem fraturas, orientando a mobilidades excessivas para desconsiderar violências em contextos de recreações.
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GabaritoB — Fraturas metafisárias em estágios de consolidação variados indicando traumas repetidos, crucial para comprovar ciclos abusivos e qualificar dolo em ações penais por homicídio doloso.
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Síndrome da Criança Espancada (Battered Child Syndrome)
Gabarito: letra B. O achado radiológico clássico da síndrome da criança espancada é a presença de fraturas metafisárias em diferentes estágios de consolidação óssea, evidenciando traumas repetidos ao longo do tempo. Esse padrão é indispensável para comprovar abuso crônico e qualificar o dolo em ações penais por homicídio doloso.
A síndrome da criança espancada, descrita por Caffey e Kempe, é caracterizada por lesões múltiplas em diferentes fases de cicatrização. As radiografias de ossos longos revelam fraturas metafisárias (em "canto de balde" ou "buckle") que, quando presentes em variados estágios de consolidação, indicam violência continuada, e não uma queda acidental única.
Calcificações lineares uniformes sugerem lesões únicas acidentais, que consolidam de forma homogênea e rápida. Esse achado é típico de fraturas isoladas, não do padrão de repetição que caracteriza a síndrome. A banca confunde consolidação uniforme (acidental) com as consolidações múltiplas e assíncronas (traumáticas).
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve exatamente as fraturas metafisárias em estágios variados de consolidação, associadas a traumas repetidos. Essa constatação é crucial para comprovar a natureza abusiva do evento e fundamentar a qualificação do dolo (eventual ou direto) em ações penais por homicídio ou lesões corporais.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Anomalias congênitas ósseas (como osteogênese imperfeita, displasias) não decorrem de traumas e não apresentam evidências de consolidação variada. Elas servem para excluir a hipótese de abuso, não para confirmá-lo. A banca inverte a lógica: uma alteração genética não é sequela de agressão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Edemas periosteais agudos são reações inflamatórias inespecíficas que podem ocorrer em trauma recente, mas não demonstram a cronicidade dos abusos. O edema periosteal pode aparecer em lesões únicas recentes, ao passo que a síndrome exige lesões em diferentes momentos evolutivos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Deslocamentos articulares espontâneos (como na síndrome de Ehlers-Danlos ou hiperelasticidade) não se associam a fraturas e não são característicos de trauma. A banca tenta confundir com a frouxidão ligamentar própria de crianças, que não deixa marcas radiológicas sugestivas de abuso.
PEGA ESSA DICA!
Na prova de Medicina Legal, decore a tríade radiológica da síndrome da criança espancada: fraturas metafisárias em diferentes estágios de consolidação + fraturas de costelas posteriores + hematoma subdural. Qualquer alternativa que fuja desse padrão repetitivo e cumulativo está errada.