Questão de Medicina Legal — Toxicologia — FEPESE 2026
Medicina Legal›Toxicologia
Código
qg676518
Banca
FEPESE
Órgão
Polícia Científica - SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Perito Oficial Criminal - Medicina Legal (Psiquiatrica)
Na necropsia de uma vítima de overdose suspeita de homicídio por administração forçada, o médico-legal coleta amostras para análises, subsidiando a identificação de substâncias letais.A coleta toxicológica na necrópsia médico-legal, frequentemente usada em investigações de envenenamentos criminosos é feita com:
AAnálise de tecidos hepáticos isolados ignorando fluidos corporais, focando em órgãos sólidos para excluir tóxicos em inquéritos de overdoses acidentais hospitalares.
BColeta de bile gástrica limitada a conteúdos digestivos não sistêmicos, concentrando em estômagos para negar distribuições em análises de intoxicações crônicas.
CExame de cabelos postmortem sem integração com amostras agudas, orientando a análises capilares para desconsiderar overdoses em contextos de usos recreativos.
DColeta de sangue femoral e vítreo para dosar tóxicos estáveis pós-morte, essencial para diferenciar consumo voluntário de forçado e qualificar dolo em processos penais por assassinato.
EAmostragem exclusiva de urina tardia sem correções por decomposição, priorizando fluidos periféricos para minimizar contaminações em perícias de dependências químicas não criminosas.
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GabaritoD — Coleta de sangue femoral e vítreo para dosar tóxicos estáveis pós-morte, essencial para diferenciar consumo voluntário de forçado e qualificar dolo em processos penais por assassinato.
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Coleta toxicológica na necropsia médico-legal
Gabarito: letra D. Na necropsia de vítima de overdose suspeita de homicídio, a coleta de sangue femoral e humor vítreo é essencial para dosar tóxicos estáveis pós-morte. Essas amostras permitem diferenciar consumo voluntário de administração forçada, auxiliando na qualificação do dolo (Sódico, Medicina Legal, 2025).
A questão testa o conhecimento sobre as amostras biológicas mais adequadas para análise toxicológica post mortem em contexto criminal. O sangue femoral é um fluido periférico menos contaminado por alterações de putrefação e por vazamento de conteúdo gastrointestinal. O humor vítreo é um fluido intraocular que sofre menos influência de processos degenerativos e de redistribuição de tóxicos, sendo especialmente útil para quantificação de substâncias em casos de overdose.
Amostra Biológica
Característica Principal
Aplicação em Overdose Suspeita de Homicídio
Vantagem em Contexto Criminal
Sangue Femoral
Fluido periférico, menos contaminado por putrefação e vazamento gastrointestinal
Dosagem de tóxicos estáveis pós-morte
Permite diferenciar consumo voluntário de administração forçada
Humor Vítreo
Fluido intraocular, isolado de processos degenerativos e redistribuição de tóxicos
Quantificação de substâncias em overdose
Essencial para qualificar o dolo em processos penais por assassinato
Tecido Hepático (isolado)
Órgão metabolizador, não reflete concentração sistêmica no momento da morte
Conteúdo digestivo, útil apenas para ingestão recente por via oral
Insuficiente para avaliar distribuição sistêmica
Restritivo e não condiz com a prática pericial
Cabelo (post mortem)
Detecta exposição crônica, não aguda
Inadequado para overdose aguda
Ignora amostras agudas (sangue, vítreo)
Urina Tardia (exclusiva)
Fluido periférico, sujeito a decomposição
Priorização inadequada
Minimiza contaminações, mas não corrige alterações post mortem
Alternativa A — ❌ Incorreta
A análise isolada de tecidos hepáticos, ignorando fluidos corporais, não é adequada para investigação de overdose. O fígado metaboliza muitas substâncias, e sua análise isolada não reflete a concentração sistêmica no momento da morte. Além disso, fluidos como sangue e urina são fundamentais para detectar a presença e a quantidade do tóxico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A coleta de bile gástrica limitada a conteúdos digestivos é insuficiente. Embora o conteúdo gástrico possa ser útil para identificar ingestão recente por via oral, não é a principal amostra para avaliar distribuição sistêmica, especialmente em intoxicações crônicas ou por outras vias. A descrição é restritiva e não condiz com a prática pericial.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O exame de cabelos post mortem é utilizado para detectar exposição crônica a substâncias, mas não é adequado para casos de overdose aguda. A análise capilar não fornece informações sobre a concentração no momento da morte, pois os tóxicos se incorporam ao cabelo ao longo do tempo. Portanto, ignorar amostras agudas (sangue, vítreo) é um erro grave.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A coleta de sangue femoral e humor vítreo é padrão em toxicologia forense. O sangue femoral é uma amostra periférica que sofre menor influência da redistribuição post mortem. O humor vítreo é um fluido estável, com baixa contaminação e resistente a processos de putrefação, permitindo dosagens mais confiáveis. Essas amostras são essenciais para diferenciar se a vítima ingeriu a substância voluntariamente ou se houve administração forçada, elemento crucial para caracterizar o dolo homicida.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A amostragem exclusiva de urina tardia sem correções por decomposição não é recomendada. A urina pode estar contaminada por alterações post mortem e não permite estimar a concentração no momento da morte. Além disso, a coleta exclusiva de urina ignora outras matrizes importantes, como sangue e vítreo. A preocupação com dependências químicas não criminosas foge ao escopo da necropsia em suspeita de homicídio.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir ao erro ao apresentar alternativas que focam em amostras secundárias (cabelo, bile, urina exclusiva) ou em tecidos isolados, enquanto a prática padrão para overdose aguda é a coleta de sangue periférico e humor vítreo. Lembre-se: para avaliar a situação no momento da morte, priorizam-se fluidos estáveis e menos sujeitos a alterações post mortem.