Questão de Medicina Legal — Toxicologia — FEPESE 2026
Medicina Legal›Toxicologia
Código
qg676552
Banca
FEPESE
Órgão
Polícia Científica - SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Perito Oficial Criminal - Medicina Veterinária
Em uma diligência pericial para apurar crime de poluição hídrica (Lei nº 9.605/98), constatou-se a mortandade massiva de ictiofauna em um trecho de rio próximo a um distrito industrial.Para o estabelecimento do nexo causal e materialidade do delito, assinale a conduta técnica mais adequada a ser adotada pelo perito criminal veterinário:
AA coleta de espécimes para exame necroscópico e toxicológico deve priorizar animais em estágio avançado de decomposição, pois a maceração tecidual facilita a liberação de toxinas bioacumuladas no parênquima hepático.
BA amostragem da água deve ser realizada exclusivamente no ponto de maior concentração de peixes mortos, dispensando-se coletas em outros pontos do curso hídrico, uma vez que a diluição dos poluentes inviabilizaria a detecção a montante.
CA investigação deve se restringir à análise físico-química da água (pH, O2 dissolvido e temperatura) in loco, visto que exames toxicológicos em peixes são inconclusivos devido à barreira hematoencefálica que impede a deposição de metais pesados e agrotóxicos nos tecidos.
DDeve-se realizar a coleta de água e sedimentos em pontos a montante (antes da fonte suspeita) e a jusante (após a fonte) do local da mortandade, além de necropsiar espécimes frescos para coleta de brânquias, fígado e cérebro, visando análises histopatológicas e toxicológicas.
ECaso a água apresente transparência adequada e ausência de odores químicos, o perito deve descartar a hipótese de poluição química e encerrar a cadeia de custódia das amostras biológicas, atestando a morte por causas naturais ou hipóxia climática.
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GabaritoD — Deve-se realizar a coleta de água e sedimentos em pontos a montante (antes da fonte suspeita) e a jusante (após a fonte) do local da mortandade, além de necropsiar espécimes frescos para coleta de brânquias, fígado e cérebro, visando análises histopatológicas e toxicológicas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Perícia criminal ambiental – mortandade de ictiofauna por poluição hídrica
Gabarito: letra D. A conduta mais adequada para estabelecer o nexo causal e a materialidade do crime de poluição hídrica (Lei nº 9.605/98) é realizar coleta comparativa de água e sedimentos a montante e a jusante da fonte suspeita, aliada à necropsia de espécimes frescos para análises histopatológicas e toxicológicas de órgãos-alvo (brânquias, fígado, cérebro). Essa abordagem permite confrontar as condições do ambiente antes e depois da interferência industrial e identificar a presença de contaminantes nos tecidos dos peixes, vinculando a mortandade à poluição.
A banca testa o conhecimento do perito criminal veterinário sobre protocolos forenses ambientais. Vejamos cada alternativa:
Alternativa
Conduta Técnica Proposta
Avaliação
Justificativa
A
Coletar espécimes em decomposição avançada para exame necroscópico e toxicológico
❌ Incorreta
Decomposição altera tecidos e inviabiliza histopatologia; priorizam-se peixes frescos
B
Amostrar água apenas no ponto de maior concentração de peixes mortos
❌ Incorreta
Necessário comparar montante (controle) e jusante (impacto) para nexo causal
C
Restringir-se à análise físico-química in loco; considerar exames toxicológicos em peixes inconclusivos
❌ Incorreta
Análises físico-químicas são insuficientes; peixes bioacumulam poluentes, permitindo detecção tecidual
D
Coletar água e sedimentos a montante e a jusante; necropsiar espécimes frescos para análises histopatológicas e toxicológicas (brânquias, fígado, cérebro)
✅ Correta
Abordagem comparativa e multianalítica estabelece nexo causal e materialidade
E
Descartar poluição química se água for transparente e inodora; encerrar cadeia de custódia
❌ Incorreta
Ausência de sinais macroscópicos não exclui poluição; análises laboratoriais são necessárias
1Coleta de água e sedimentoMontante e jusante
2Seleção de espécimesFrescos (pouca autólise)
3Necropsia e coleta de órgãosBrânquias, fígado, cérebro
Afirma que devem ser priorizados espécimes em estágio avançado de decomposição. Na prática, a necropsia deve ser feita em peixes frescos (pouca ou nenhuma autólise), pois a decomposição altera os tecidos, inviabiliza a histopatologia e pode degradar ou liberar toxinas de forma não representativa. A maceração tecidual não facilita a análise toxicológica; pelo contrário, compromete a identificação do agente e sua quantificação nos órgãos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Propõe amostragem exclusiva no ponto de maior concentração de peixes mortos, dispensando coletas em outros pontos. Para estabelecer o nexo causal, é indispensável comparar a qualidade da água/sedimento a montante (controle) e a jusante (provável área impactada). Apenas a jusante se detecta o poluente; a montante serve como referência das condições naturais. Além disso, a diluição não inviabiliza a detecção a montante se a fonte estiver a montante – o correto é amostrar antes e depois.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Limita a investigação à análise físico-química in loco (pH, OD, temperatura) e afirma que exames toxicológicos em peixes são inconclusivos por causa da barreira hematoencefálica. As análises físico-químicas são importantes, mas insuficientes: muitos poluentes (metais pesados, pesticidas) podem estar em concentrações subletais na água, mas se bioacumulam nos tecidos. Peixes não possuem barreira hematoencefálica que impeça a deposição dessas substâncias; pelo contrário, órgãos como brânquias, fígado e cérebro acumulam contaminantes e são rotineiramente utilizados em toxicologia forense ambiental. Portanto, a afirmativa é falsa.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve exatamente o protocolo forense recomendado: coleta de água e sedimentos em pontos a montante (antes da fonte suspeita) e a jusante (após a fonte), combinada com necropsia de espécimes frescos para retirada de brânquias, fígado e cérebro. Essas amostras são submetidas a análises histopatológicas (para verificar lesões sugestivas de intoxicação) e toxicológicas (para identificar e quantificar o agente). A comparação espacial e a análise tecidual permitem estabelecer o nexo causal entre a descarga industrial e a mortandade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que, se a água estiver transparente e sem odores químicos, o perito deve descartar poluição química e atestar morte natural ou hipóxia climática. Muitas substâncias tóxicas são incolores, inodoras e não alteram a transparência (ex.: cianeto, alguns agrotóxicos). A ausência de sinais sensoriais não exclui contaminação química. A cadeia de custódia das amostras deve ser mantida e a investigação deve prosseguir com análises laboratoriais. Encerrar a perícia com base em aparência e cheiro é conduta tecnicamente incorreta.
PEGA ESSA DICA!
Em perícias ambientais com mortandade de fauna, lembre-se do princípio comparativo: coleta a montante (controle) e a jusante (impacto), e sempre priorize espécimes frescos para necropsia. A análise histopatológica aliada à toxicológica nos órgãos-alvo é decisiva para vincular a morte ao agente poluente.