Questão de Medicina Legal — Tanatologia Forense — FEPESE 2026
Medicina Legal›Tanatologia Forense
Código
qg676570
Banca
FEPESE
Órgão
Polícia Científica - SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Perito Oficial Criminal - Medicina Veterinária
Durante a perícia de local de crime envolvendo a morte de um canino com suspeita de envenenamento, o perito identifica a presença de conteúdo gástrico semidigerido com odor de solvente, depositado de forma direcional à frente da cavidade oral do cadáver. No exame perinecroscópico, observa-se que o material apresenta características de reação vital.A interpretação correta desse vestígio é que:
AO conteúdo expelido indica reação vital aguda ao agente.
BA presença de vômito confirma obrigatoriamente a ingestão de rodenticidas anticoagulantes, dispensando a realização de exames toxicológicos complementares em órgãos parenquimatosos.
CO vestígio é patognomônico de choque hipovolêmico por desidratação severa, independentemente da presença de sinais de corrosão em mucosas ou trato digestório superior.
DA expulsão de conteúdo gástrico é um fenômeno post-mortem comum causado pela pressão dos gases da putrefação, sem valor para diagnóstico de vitalidade.
EO achado indica que o óbito ocorreu por insuficiência renal crônica agudizada, sendo irrelevante para a investigação de crimes ambientais ou maus-tratos.
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GabaritoA — O conteúdo expelido indica reação vital aguda ao agente.
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Tanatologia Forense – Reação Vital vs. Fenômeno Post-Mortem
Gabarito: letra A. O conteúdo gástrico semidigerido com odor de solvente, depositado de forma direcional e com características de reação vital, demonstra que se trata de vômito ocorrido em vida (reação vital aguda), e não de fenômeno post-mortem. Esse achado é compatível com intoxicação aguda.
A banca testa a diferença entre reação vital (antemortem) e fenômeno cadavérico passivo. No local do crime, a observação de que o material apresenta "características de reação vital" é determinante: significa que houve resposta orgânica (ex.: inflamação, hemorragia, secreção) indicando que o animal estava vivo no momento da expulsão.
1Reação vital presente
2Deposição direcional
3Conteúdo semidigerido
4Odor de solvente
5Vômito em vida (intoxicação)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A expulsão de conteúdo gástrico com reação vital e deposição direcional indica que o animal estava vivo no momento do vômito, caracterizando uma resposta orgânica aguda ao agente tóxico (solvente). A presença de odor de solvente corrobora a hipótese de envenenamento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A presença de vômito não é específica de rodenticidas anticoagulantes; o odor de solvente sugere outra classe de venenos. Além disso, a perícia nunca dispensa exames toxicológicos complementares em órgãos parenquimatosos (fígado, rim, etc.) para confirmação. A alternativa erra ao generalizar e ao afirmar que a confirmação é obrigatória.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O vômito não é patognomônico de choque hipovolêmico. Choque hipovolêmico por desidratação severa não costuma cursar com vômito de conteúdo semidigerido com odor de solvente, nem com deposição direcional. O sinal descrito é típico de intoxicação, não de hipovolemia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A expulsão de conteúdo gástrica como fenômeno post-mortem (regurgitação cadavérica) ocorre passivamente por pressão de gases da putrefação, sem deposição direcional e sem características de reação vital. No caso, a reação vital é evidente, descartando origem post-mortem. Essa é a principal confusão que a banca tenta criar.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Insuficiência renal crônica não tem relação com o achado de vômito com solvente. Tal lesão renal não justifica o odor de solvente nem a reação vital aguda. O vestígio é relevante para investigação de maus-tratos ou crimes ambientais, não sendo irrelevante como afirma a alternativa.