Questão de Medicina Legal — Tanatologia Forense — FEPESE 2026
Medicina Legal›Tanatologia Forense
Código
qg676573
Banca
FEPESE
Órgão
Polícia Científica - SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Perito Oficial Criminal - Medicina Veterinária
Durante exame externo de carcaça de suíno, o perito observa mancha verde no flanco direito, caracterizando o início da fase cromática da putrefação.Para a correta interpretação do fenômeno e estimativa do intervalo pós-morte, deve-se considerar que a gênese dessa coloração decorre de:
AEstágio final da decomposição orgânica que sucede a fase coliquativa, quando os tecidos moles já foram completamente liquefeitos.
BProcesso abiótico consecutivo que se inicia obrigatoriamente pelas extremidades distais, onde a cessação da circulação ocorre de forma precoce.
CFenômeno físico de dessecação tecidual e concentração de pigmentos biliares, manifestando-se imediatamente após a parada cardiorrespiratória.
DReação do gás sulfídrico, de origem bacteriana intestinal, com a hemoglobina, resultando na formação de sulfemetoglobina nos tecidos da parede abdominal.
EAção de enzimas autolíticas endógenas sobre o panículo adiposo, independentemente da microbiota intestinal ou de fatores ambientais externos.
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GabaritoD — Reação do gás sulfídrico, de origem bacteriana intestinal, com a hemoglobina, resultando na formação de sulfemetoglobina nos tecidos da parede abdominal.
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Tanatologia Forense – Fase cromática da putrefação
Gabarito: letra D. A mancha verde observada no flanco direito de uma carcaça em início de putrefação é explicada pela reação do gás sulfídrico (H₂S), produzido por bactérias intestinais, com a hemoglobina dos tecidos, originando a sulfometahemoglobina (também chamada sulfemoglobina), que confere a coloração esverdeada característica da fase cromática.
A mancha verde (mancha de putrefação) é o primeiro sinal da fase cromática, surgindo tipicamente na fossa ilíaca direita (flanco direito) devido à proximidade do ceco e da grande concentração bacteriana. As fases seguintes são: enfisematosa (com formação de gases), coliquativa (liquefação) e, eventualmente, esqueletização. A mancha verde não é causada por autólise, dessecação ou processos abióticos, mas sim pela ação bacteriana pós-morte.
Fenômeno
Gênese / Mecanismo
Localização / Início
Fase da Putrefação
Relação com Bactérias
Mancha verde (sulfometahemoglobina)
Reação do H₂S bacteriano com hemoglobina
Flanco direito (fossa ilíaca)
Fase cromática (primeira)
Essencial (origem intestinal)
Autólise / Saponificação
Ação de enzimas endógenas sobre gordura
Panículo adiposo (regiões com tecido adiposo)
Fenômeno conservador (não putrefativo)
Independente
Dessecação / Mancha de Sommer-Larcher
Concentração de pigmentos por perda de água
Esclerótica / extremidades
Fenômeno abiótico (não putrefativo)
Independente
Fase coliquativa
Liquefação tecidual por ação bacteriana e enzimática
Generalizada
Posterior à fase cromática
Dependente
Fase enfisematosa
Formação de gases por bactérias anaeróbias
Subcutâneo / vísceras
Posterior à fase cromática
Dependente
1CromáticaMancha verde no flanco direito
2EnfisematosaFormação de gases
3ColiquativaLiquefação dos tecidos
4EsqueletizaçãoRedução óssea
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A fase cromática é a primeira fase da putrefação, e não o estágio final. Ela precede a fase coliquativa, que é posterior. A alternativa inverte a ordem cronológica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O processo descrito (abiótico e começando pelas extremidades) não corresponde à mancha verde. A putrefação é um processo biótico (bacteriano) e inicia-se nas regiões abdominais, não nas extremidades distais.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A mancha verde não decorre de dessecação ou concentração de pigmentos biliares. A dessecação produz manchas enegrecidas (como a mancha de Sommer e Larcher na esclerótica), e a concentração de bilirrubina daria coloração amarelada, não verde típica de sulfato de hemoglobina.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Exatamente: o gás sulfídrico (H₂S) produzido por bactérias intestinais (como Escherichia coli) reage com a hemoglobina dos tecidos da parede abdominal, formando sulfometahemoglobina, um pigmento de cor verde, característico da mancha de putrefação. Esse fenômeno é clássico e amplamente descrito na tanatologia forense.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A ação de enzimas autolíticas sobre o panículo adiposo está relacionada à saponificação (adipocera), um fenômeno conservador, e não à putrefação. A mancha verde tem origem bacteriana, não enzimática endógena.