Questão de Medicina Legal — Toxicologia — FEPESE 2026
Medicina Legal›Toxicologia
Código
qg676583
Banca
FEPESE
Órgão
Polícia Científica - SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Perito Oficial Criminal - Medicina Veterinária
Durante a necropsia de um canino com histórico de morte súbita e suspeita de intoxicação aguda por uma substância desconhecida, o médico-veterinário perito deve coletar um conjunto de amostras que maximize a probabilidade de identificação do agente tóxico e a compreensão da sua rota metabólica.Assinale a alternativa que apresenta corretamente o conjunto de amostras prioritário e mais completo para envio à análise toxicológica nesse cenário.
AApenas fragmentos de fígado e de baço, pois são os principais órgãos de metabolização e armazenamento de compostos xenobióticos.
BConteúdo gástrico, um fragmento de fígado, um fragmento de rim, urina e sangue total (coletado preferencialmente da cavidade cardíaca).
CPelo, um fragmento de osso longo e medula óssea, pois são amostras que permitem detectar intoxicações crônicas por metais pesados.
DFragmentos de cérebro, músculo esquelético e líquido cefalorraquidiano, pois são os tecidos mais afetados por substâncias neurotóxicas.
EFragmentos de intestino delgado, pâncreas e um swab da cavidade oral, para identificar a substância antes de sua absorção sistêmica.
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GabaritoB — Conteúdo gástrico, um fragmento de fígado, um fragmento de rim, urina e sangue total (coletado preferencialmente da cavidade cardíaca).
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Toxicologia Forense: Coleta de Amostras em Necropsia
Gabarito: letra B. Em suspeita de intoxicação aguda, o conjunto mais completo e prioritário inclui conteúdo gástrico, fígado, rim, urina e sangue – amostras que permitem detectar o tóxico em diferentes fases (pré-absorção, metabolização, excreção e níveis sistêmicos). Essa é a conduta padrão em toxicologia forense para maximizar a identificação do agente e compreender sua rota metabólica.
O raciocínio baseia-se no fato de que uma intoxicação aguda desconhecida exige amostras que cubram a via de entrada (trato gastrointestinal), a distribuição (sangue), a biotransformação (fígado), a excreção (rim/urina). Apenas um órgão ou fluido é insuficiente.
Amostra
Função na Análise Toxicológica
Justificativa para Coleta
Conteúdo gástrico
Identificação do agente na fase pré-absorção
Pode conter restos do composto ingerido, maximizando a detecção
Fígado
Detecção de metabólitos após biotransformação
Principal órgão de metabolização de xenobióticos
Rim
Avaliação da excreção renal
Órgão-alvo para eliminação de tóxicos e seus metabólitos
Urina
Evidência de exposição sistêmica e metabólitos
Fornece metabólitos e confirma absorção e excreção
Sangue total (cavidade cardíaca)
Medição da concentração plasmática do tóxico
Permite quantificação sistêmica e análise de distribuição
Alternativa A — ❌ Incorreta
Propõe apenas fígado e baço. Embora o fígado seja o principal órgão de metabolização, e o baço tenha papel na filtragem, esse conjunto é limitado: não considera o conteúdo gástrico (onde o tóxico pode estar em maior concentração) nem amostras de excreção (rim/urina) ou sangue para quantificação sistêmica. Não é suficiente para uma análise abrangente.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Conteúdo gástrico, fígado, rim, urina e sangue total (preferencialmente da cavidade cardíaca). Esse é o conjunto padrão para toxicologia forense em casos agudos:
Conteúdo gástrico: identifica a substância ingerida (pode conter restos do composto).
Fígado: detecta metabólitos após biotransformação.
Rim: avalia a excreção renal.
Urina: fornece metabólitos e evidência de exposição sistêmica.
Sangue: mede a concentração plasmática do tóxico e seus metabólitos.
Juntos, permitem traçar a rota metabólica e confirmar a intoxicação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Pelo, osso longo e medula óssea são indicados para intoxicações crônicas (p. ex., metais pesados que se acumulam ao longo do tempo), não para casos agudos. Em uma morte súbita por intoxicação desconhecida, essas amostras não são prioritárias.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Cérebro, músculo esquelético e líquido cefalorraquidiano são amostras específicas para suspeita de agentes neurotóxicos. Embora possam ser coletadas em casos direcionados, não representam o conjunto prioritário e mais completo para uma intoxicação aguda de origem desconhecida.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Intestino delgado, pâncreas e swab oral focam em estágios pré-absorção ou local de contato inicial. Ignoram a fase pós-absorção e a distribuição sistêmica, não cobrindo amostras hepáticas, renais ou sanguíneas. É um conjunto insuficiente.
PEGA ESSA DICA!
Em toxicologia forense, lembre-se dos "cinco padrões": conteúdo gástrico (ingestão), sangue (distribuição), fígado (biotransformação), rim e urina (excreção). Esse conjunto é a base para qualquer suspeita de intoxicação aguda.